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Nova bateria chinesa promete 700 Wh/kg e pode mudar os carros elétricos


Pesquisadores chineses anunciaram um avanço importante na tecnologia de baterias de lítio ao desenvolver um novo sistema de eletrólito capaz de alcançar densidade energética de 700 Wh/kg. O estudo foi publicado em 25 de fevereiro na revista científica Nature e reúne equipes lideradas por Zhao Qing, da Nankai University, Chen Jun, vice-presidente executivo da mesma universidade, e Li Yong, do Shanghai Institute of Space Power Sources.

O foco da pesquisa está no eletrólito, um dos componentes mais críticos das baterias de íons de lítio. Hoje, as baterias comerciais utilizam sais de lítio dissolvidos em solventes à base de carbonatos. Nesse arranjo tradicional, a interação entre o lítio e o oxigênio do solvente permite a dissolução do sal, mas impõe limitações estruturais. A capacidade do eletrólito de se espalhar e penetrar nos materiais internos é limitada, o que exige volumes maiores e ainda prejudica a transferência de carga em temperaturas muito baixas. Na prática, a maioria das baterias começa a perder desempenho severamente em ambientes abaixo de -50 °C.




Para contornar essas barreiras, os pesquisadores desenvolveram uma nova família de solventes fluorados à base de hidrocarbonetos. A inovação consiste em substituir a coordenação lítio-oxigênio pela coordenação lítio-flúor. Segundo o estudo, essa mudança melhora a eficiência de dissolução dos sais, reduz a quantidade de eletrólito necessária e favorece a transferência de carga, inclusive em condições extremas de frio.

Com o novo sistema, a equipe conseguiu produzir células com densidade energética específica de 700 Wh/kg em temperatura ambiente. Mesmo a -50 °C, os protótipos mantiveram cerca de 400 Wh/kg, número que já supera o patamar de muitas tecnologias consideradas de próxima geração.

Para efeito de comparação, a bateria Qilin da CATL, uma das mais avançadas em produção atualmente, opera com densidade energética de sistema entre 250 e 255 Wh/kg. É provável que os 700 Wh/kg divulgados pelos pesquisadores se refiram à densidade em nível de célula, e não ao conjunto completo do pack, que inclui estrutura, sistemas térmicos e eletrônicos. Ainda assim, trata-se de um salto expressivo. Mesmo baterias de estado sólido em desenvolvimento ainda lutam para ultrapassar a marca de 400 Wh/kg.

Se os resultados de laboratório se confirmarem em escala industrial, o impacto potencial é amplo. Baterias com maior densidade energética e melhor desempenho em baixas temperaturas podem beneficiar não apenas veículos elétricos, mas também aplicações em robótica, mobilidade aérea de baixa altitude e até no setor aeroespacial.

Ainda não há indicação de quando a tecnologia poderia chegar ao mercado. Como sempre nesse tipo de avanço, o desafio não está apenas no desempenho inicial, mas na estabilidade ao longo de ciclos, na segurança e no custo de produção. Mesmo assim, o estudo sugere que as baterias líquidas tradicionais talvez ainda tenham espaço para evoluir além do que se imaginava, reduzindo a pressão imediata por uma transição total ao estado sólido.

Fonte: CNC



Fonte: UOL

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