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Na JSL, a ordem é reduzir a dívida e gerar caixa


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O CEO da JSL, Guilherme Sampaio, foca na geração de caixa e na redução da dívida, que caiu de 3,18 para 2,74 vezes em relação ao Ebitda. A empresa busca expandir suas operações logísticas, tanto com clientes atuais quanto novos contratos, e já adicionou 22 novos clientes em 2026.

A JSL aposta em intralogística, digitalização do transporte e serviços especializados, visando diversificar sua base de clientes e aumentar sua relevância nas decisões logísticas. A companhia também está expandindo internacionalmente, acompanhando clientes do Brasil em países como Argentina e Paraguai.

* Resumo gerado por inteligência artificial e revisado pelos jornalistas do NeoFeed

Com os juros elevados pressionando as empresas mais endividadas, o CEO da JSL, Guilherme Sampaio, está concentrado no que pode controlar: a geração de caixa e a redução da dívida. Na frente comercial, a aposta é assumir uma fatia maior das operações logísticas dos clientes atuais, sem deixar de buscar novos contratos.

“Não vamos controlar a taxa de juros, a economia e o governo. Então, o que está no meu controle? Desalavancar”, afirma o executivo ao NeoFeed.

Sampaio assumiu a presidência da JSL em janeiro de 2026, substituindo Ramon Alcaraz. Até o início de outubro, acumulava o cargo com as funções de diretor financeiro e de relações com investidores, assumidas por Eduardo Nauck.

Após o primeiro turno das eleições, as ações do Grupo Simpar dispararam, incluindo as da holding e de suas controladas JSL, Movida e Vamos, conforme mostrou o NeoFeed.

A valorização acompanhou o fechamento da curva de juros, em meio à perspectiva de redução das despesas financeiras e de melhora dos resultados das companhias mais endividadas, segundo especialistas ouvidos pelo NeoFeed.

“O mercado nos cobra bastante sobre a alavancagem”, diz o CEO. “Temos uma capacidade de execução grande e o mercado reconhece isso, mas somos pressionados pela curva de juros e pela perspectiva futura.”

A alavancagem ajustada da JSL, medida pela relação entre dívida líquida e Ebitda, recuou de 3,18 para 2,74 vezes no segundo trimestre de 2026, na comparação anual e em uma base que exclui um efeito extraordinário relacionado ao Sistema S.

No release de resultados, a companhia atribuiu o movimento à expansão das operações menos intensivas em capital, ao avanço da estratégia de aluguel de ativos e à geração consistente de caixa.

Nesse período, a JSL gerou R$ 164 milhões após investimentos para crescimento, pagamento de juros, arrendamentos e aquisições. Foi o quarto trimestre consecutivo de geração positiva, acumulando R$ 861 milhões nos 12 meses encerrados em junho.

“Tínhamos uma geração de caixa muito elevada, de 80% a 85% do Ebitda. Isso representa uma capacidade muito grande de desalavancagem”, diz Sampaio.

Ele explica que parte do endividamento da JSL é necessária para financiar o capital de giro. A companhia leva cerca de 84 a 85 dias para receber dos clientes, enquanto despesas como salários, frete e combustível precisam ser pagas em prazos mais curtos.

Em relatório sobre os resultados do segundo trimestre, os analistas Pedro Bruno, Ruan Argenton e João Ramiro, da XP, destacaram que a JSL conseguiu acelerar o crescimento da receita e manter a trajetória de desalavancagem, apoiada no controle dos investimentos e na preferência pelo aluguel de ativos em vez da compra.

Daniel Gasparete, Gabriel Rezende e Pedro Tineo, do Itaú BBA, também apontaram a continuidade da redução do endividamento como uma prioridade para a companhia, ao lado do encerramento de contratos pouco rentáveis.

Eles ressaltaram, porém, que o lucro permaneceu pressionado, apesar da demanda resiliente e do desempenho operacional. A JSL encerrou o segundo trimestre com lucro líquido de R$ 12 milhões, queda de 43,7% em relação ao mesmo período de 2025. No critério ajustado, o lucro foi de R$ 30,2 milhões, recuo de 16,6% na comparação anual.

Avenidas de crescimento

Além da redução do endividamento, a JSL aposta em três frentes para ampliar suas operações: intralogística, digitalização do transporte de cargas e serviços especializados. A estratégia envolve tanto os clientes atuais quanto a conquista de novos contratos.

Na intralogística, a companhia busca ampliar sua atuação em armazenagem e movimentação de mercadorias dentro de fábricas e centros de distribuição.

Já a JSL Digital conecta empresas a transportadores por meio de uma plataforma de contratação de frete. Os serviços especializados incluem operações mais complexas, como o transporte de combustíveis e produtos químicos.

A diversificação de clientes, serviços e setores também faz parte da estratégia. “Não queremos depender de ninguém especificamente”, diz Sampaio. Ao mesmo tempo, a JSL busca ganhar relevância dentro das empresas para participar das decisões sobre logística, indo além da disputa por contratos de transporte.

O executivo destaca que a companhia responde por 6% a 6,5% dos gastos logísticos de seus dez maiores clientes no Brasil, o que abre espaço para ampliar os negócios nessa base.

Em paralelo, a JSL busca ampliar sua base de clientes, especialmente entre grandes empresas que ainda não atende. No segundo trimestre, a companhia fechou R$ 2 bilhões em novos contratos, além dos R$ 700 milhões registrados nos primeiros três meses do ano.

Entre os setores com oportunidades de expansão, o executivo destaca papel e celulose, comércio eletrônico e indústria automotiva, impulsionados por novos projetos e mudanças nas cadeias logísticas.

Expansão internacional

Fora do Brasil, a JSL busca crescer acompanhando clientes que já atende no mercado doméstico. A companhia mantém operações na Argentina, no Paraguai, na África do Sul e em Gana, além de realizar transporte internacional para outros países sul-americanos.

A entrada no Paraguai e na África ocorreu a partir de um contrato com um grande cliente do setor de bebidas. Sampaio relata que a companhia foi convidada a levar para esses mercados um modelo logístico desenvolvido no Brasil, depois que o cliente enfrentou dificuldades para implantá-lo com operadores locais.

“Temos estudado outros países nesse mesmo modelo”, afirma. A proposta envolve trabalhar em conjunto com os clientes para identificar oportunidades de eficiência e reduzir os custos da operação.

Segundo Sampaio, há conversas para ampliar a presença da JSL na América Latina e na África, com oportunidades consideradas de médio prazo. Embora a companhia já tenha avaliado aquisições no exterior, a preferência é desenvolver operações próprias.



Fonte: NeoFeed

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