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A Veloe, controlada pelo Banco do Brasil e Bradesco, planeja se expandir significativamente até 2030, com a gestão de frota representando 80% de sua receita. Atualmente, esse segmento já responde por 60% da receita, e a empresa busca reduzir a dependência de adesivos de pagamento.
Com a meta de alcançar R$ 30 bilhões em TPV, a Veloe foca em empresas de transporte e grandes embarcadores, aproveitando a predominância do transporte rodoviário no Brasil. A empresa atende mais de 18 mil empresas e pretende triplicar esse número, oferecendo serviços que podem reduzir custos de transporte em até 20%.
Apesar do crescimento no setor de tags, a Veloe vê maior potencial na gestão de frotas, que oferece margens mais altas. O objetivo é avançar sobre a carteira de seus próprios sócios, Bradesco e Banco do Brasil.
* Resumo gerado por inteligência artificial e revisado pelos jornalistas do NeoFeed
Controlada por Banco do Brasil e Bradesco por meio da holding Elopar, a empresa de mobilidade Veloe escolheu qual será o seu caminho para ocupar, dentro do grupo, o tamanho equivalente ao da empresa de benefícios Alelo: mais gestão de frota e menos avanço em tags.
O plano é que, em 2030, a unidade de serviços de gestão da Veloe represente 80% da receita da companhia e que, cada vez mais, a empresa dependa menos do crescimento de veículos com o adesivo colado no para-brisa. Hoje, o setor de frotas já representa 60%.
Com margens maiores do que as registradas pela receita vinda de mensalidades da tag de pagamento automático, a ideia é que a gestão de frotas possa ajudar a empresa a triplicar o volume total de pagamentos (TPV).
Com perspectiva de fechar 2026 com um TPV de cerca de R$ 10 bilhões, a meta traçada, a partir desse movimento de uma “quase pivotagem”, é ultrapassar R$ 30 bilhões em quatro anos.
O raciocínio está justamente na relevância do principal modal responsável pelo transporte do maior volume de cargas no Brasil, que é o rodoviário, por meio de caminhões.
Levantamento do Observatório Nacional do Transporte e Logística aponta que o transporte rodoviário de cargas responde por quase 70% do volume transportado no país.
“Vamos focar as empresas de transporte e os grandes embarcadores [que contratam os serviços de frete]. O Brasil é asfalto, diesel e caminhão. O caminhoneiro também precisa de novos produtos. Esse é um enorme oceano”, diz André Turquetto, CEO da Veloe, em entrevista ao NeoFeed.
O plano para crescer está dentro de casa. O foco é avançar na carteira corporativa de seus sócios, Bradesco e Banco do Brasil, que ainda representa uma parcela de apenas um dígito do total de clientes para o segmento de frota.
Hoje, a Veloe atende mais de 18 mil empresas, de 7 mil grupos econômicos, e tem parcerias com cerca de 30 mil postos de combustível. O horizonte no período é de pelo menos triplicar esse volume de clientes.
“Um cliente que financiou sua frota com o Bradesco, por exemplo, pode ser uma boa oportunidade. Também há programas do Banco do Brasil para caminhoneiros, como antecipação de recebíveis. Há uma cesta formada para este público”, diz ele.
O resultado, segundo Turquetto, é de mão dupla. Enquanto a Veloe aumenta sua receita a partir da ampliação do leque de serviços oferecidos, a empresa que terceirizou a gestão de sua frota pode ver seu custo de transporte reduzir por volta de 20% em poucos meses.
Dados da Associação de Gestão de Despesas de Veículos (Agev) mostram que as companhias brasileiras gastam cerca de R$ 300 bilhões por ano com combustíveis. Só que apenas 15% utilizam algum serviço de gestão de abastecimento ou de frotas.
Isso explica, em parte, o crescimento acima de 300% no resultado líquido, com uma média de crescimento anual de 56%, segundo a companhia. A empresa não revela o faturamento.
O pacote da empresa inclui administração dos gastos com combustível, qualidade e manutenção de pneus, uma rede credenciada de oficinas, gestão de multas, telemetria, entre outros.
O avanço da Veloe ocorre justamente no momento de transformações no segmento de benefícios, com novas regras regulatórias, e que vêm mexendo com todas as companhias do setor no país.
Em 2025, a Alelo registrou lucro líquido de R$ 610,8 milhões, alta de 54% sobre o ano anterior. O NeoFeed apurou com fontes do setor, que, a exemplo das concorrentes, a companhia de benefícios do grupo Elopar deve representar em 2026 uma participação menor na holding, justamente pelas mudanças na regulação, especialmente nas regras do Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT).
E, para impulsionar o crescimento, a companhia prevê encerrar 2026 com R$ 50 milhões em investimento, principalmente em tecnologia, inteligência artificial e com ampla maioria destinada ao segmento de frotas. Para os próximos anos, o plano é de dobrar o volume investido.
Duas empresas em uma
Com este horizonte consolidado, a Veloe já funciona quase como duas empresas dentro de um mesmo guarda-chuva, já que as duas unidades de negócios têm oportunidades e desafios completamente diferentes.
Enquanto a área de tags é basicamente uma linha de varejo, a de gestão de frotas é puramente prestação de serviços. Por isso a grande diferença nas margens.
De qualquer forma, ainda que passe a representar, em 2030, somente 20% do faturamento, o segmento de pagamento eletrônico ainda deve avançar, principalmente a partir do aumento da implementação do sistema free flow nas estradas.
Hoje, 15 estradas brasileiras operam na modalidade, por meio de 93 pórticos, segundo o Ministério dos Transportes. A estimativa da Associação Brasileira de Concessionárias de Rodovias (ABCR) é que esse número dobre até o fim de 2027.
A operação no Sistema Anchieta-Imigrantes, que começaria em agosto, foi adiada pelo governo do Estado, ainda sem data definida.
Mesmo com esta nova demanda que deve surgir, o volume de tags ainda é relativamente pequeno. Segundo a Associação Brasileira (Abepam), existem hoje cerca de 60 milhões de veículos emplacados no Brasil. Mas apenas 15 milhões possuem o adesivo de algumas das empresas do setor. As principais são Sem Parar, Veloe e ConectCar.
Mas, ao contrário da gestão de frotas, neste caso a simples ampliação de tags não vai significar um grande salto na receita, a não ser pela mensalidade. Mas, para a empresa, o aumento de tráfego nas estradas não aumenta o faturamento. O valor é repassado para as concessionárias.
“Há uma janela de oportunidade para o crescimento de oportunidades. Tanto no aumento de pessoas que vão usar o pagamento automático quanto na modernização da infraestrutura do transporte e da necessidade do controle logístico”, afirma o CEO.
Criada em 2018, a Veloe integra o grupo que ainda conta com Livelo e com a própria Alelo. A bandeira de cartão Elo também tem Banco do Brasil e Bradesco como acionistas. Mas, nesse caso, a Caixa Econômica Federal também é sócia.









