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O mesmo carro elétrico vendido no Brasil por R$ 99.990 agora pode ser comprado por menos de R$ 37 mil na Alemanha. E a queda não vem de uma promoção pontual, mas da combinação entre subsídios públicos e incentivo direto da montadora.
Com a combinação entre um novo subsídio federal e um bônus direto da fabricante, o Kwid E-Tech — vendido na Europa como Dacia Spring – pode sair por apenas 5.900 euros, o equivalente a R$ 37 mil em uma conversão direta. O valor é quase simbólico para um carro elétrico novo, e expõe com clareza o abismo entre o ritmo europeu e a realidade brasileira.
O preço cheio do modelo na Alemanha é de 16.900 euros (R$ 106 mil). A própria marca concede um desconto direto de 5.000 euros, que reduz o valor para 11.900 euros (R$ 75 mil). Sobre esse número incide o novo programa de incentivo do governo alemão, que pode acrescentar até mais 6.000 euros em subsídio. Na prática, os dois mecanismos funcionam juntos, empurrando o valor final para um patamar inédito no mercado europeu.
A política é voltada a pessoas físicas com renda tributável anual de até 80.000 euros (R$ 500 mil), com acréscimos por filho. O apoio vale tanto para compra quanto para leasing de veículos novos elétricos ou híbridos plug-in. A fabricante confirmou que seu bônus próprio seguirá ativo em paralelo ao programa estatal, ao menos por enquanto, para contratos fechados até o fim de fevereiro de 2026.

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Fonte: Dacia
O contraste fica ainda mais desconfortável quando se observa que a versão europeia é tecnicamente superior à vendida aqui. O modelo recebeu recentemente uma atualização profunda e passou a ser o primeiro de todo o grupo Renault a adotar bateria LFP (lítio-ferro-fosfato), uma química mais estável, durável e menos sensível a variações térmicas.
A nova bateria tem 24,3 kWh, mantém autonomia de até 226 km no ciclo WLTP, mas agora é combinada a um motor mais potente, com até 75 kW (102 cv). A recarga rápida também evoluiu: a potência em corrente contínua subiu de 30 para 40 kW, permitindo ir de 20% a 80% em 29 minutos – cerca de quinze minutos mais rápido que antes.

Foto de: Stefan Leichsenring
No Brasil, o Kwid E-Tech recebeu o mesmo visual aplicado ao irmão europeu, bem como acabamento atualizado e novos equipamentos, incluindo os assistentes ADAS, porém, segue com a configuração anterior, menos potente, com carregamento mais lento e sem a química LFP.
A diferença não se explica por logística, impostos isolados ou câmbio. Ela reflete um projeto. Enquanto mercados como o alemão usam subsídios como instrumento para ganhar escala, reduzir custos e acelerar a eletrificação, o Brasil ainda deixa essa transição quase exclusivamente nas mãos do consumidor final.
O resultado é um cenário em que, na Europa, um carro elétrico de entrada já compete com modelos a combustão no preço, enquanto aqui ele ainda ocupa o espaço de produto aspiracional. Não é uma questão de tecnologia. É, cada vez mais, uma escolha de política pública, e a Alemanha deu um bom exemplo disso.
Fonte: Ecomento
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Fonte: UOL









