A arrancada dos índices de renda fixa atrelados à inflação, iniciada em agosto, ganhou força em setembro. No período, quatro dos seis principais indicadores do mercado no segmento – tanto os que acompanham títulos públicos quanto os de papéis de crédito privado – registraram retorno muito superior ao CDI.
O avanço dos índices de títulos públicos atrelados à inflação variou de 2,01% a 3,83% no mês de setembro, enquanto o CDI avançou 1,08%, mostram dados da Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais).
No mês fechado de agosto, todos os seis índices – cuja carteira é composta por títulos públicos ou privados atrelados à inflação – já tinham registrado alta entre 1,26% e 1,81%, contra 1,09% do CDI. Foi uma vantagem generalizada que não aconteceu entre os meses de janeiro a julho.
Os índices considerados no levantamento foram IMA-B, IMA-B 5 e IMA-B 5+ (compostos por títulos públicos), além de IDA-IPCA, IDA-IPCA Infraestrutura e IDA IPCA ex-infraestrutura (que seguem a variação das debêntures).
Títulos públicos
Entre os índices de títulos públicos, o destaque de setembro foi o IMA-B 5+, formado por papéis de inflação (Tesouro IPCA+ / NTN-B) com vencimento superior a cinco anos. O índice avançou 3,83%, mais de três vezes o CDI.
Já a valorização do IMA-B 5, composto por títulos que vencem em menos de cinco anos, foi de 2,01% no mês. O IMA-B, que representa o conjunto de todos os títulos públicos indexados ao IPCA, rendeu 3,15%.
O desempenho mais forte do IMA-B 5+ reflete um movimento favorável das taxas de juros reais, especialmente nos vencimentos mais longos.
Títulos de crédito privado
Entre os índices de títulos privados, também houve um movimento em setembro. O IDA-IPCA ex-infraestrutura, que tem apenas debêntures corporativas tradicionais na carteira teórica, se destacou com um avanço de 2,49% no mês.
Dos seis índices de inflação, o IDA-IPCA e o IDA-IPCA Infraestrutura foram os únicos com desempenho abaixo do CDI: eles avançaram 0,48% e 0,41%. Os dois índices são compostos por uma cesta de debêntures atreladas à inflação, sendo que o segundo reúne apenas debêntures incentivadas.
Dois índices viram o jogo no acumulado do ano
O IMA-B 5 está na liderança, com valorização de 11,37% em 2026, seguido pelo IDA-IPCA ex-Infraestrutura, com 11,20%. O CDI acumula 10,50% no mesmo intervalo. Os demais índices reduziram a distância, mas ainda não alcançaram a principal referência de rendimento da renda fixa.
Recuperação começa a chegar aos fundos
A valorização dos papéis atrelados à inflação também começa a aparecer no desempenho dos fundos de renda fixa que utilizam índices atrelados à inflação como benchmark.
Entre janeiro e o encerramento de agosto, tais fundos acumulavam rentabilidade de 5,54% – e o retorno no ano subiu para 7,03% no acumulado de 2026 até o dia 21 de setembro.








