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Ford desenvolve nova plataforma para baratear carros elétricos

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A Ford anunciou o desenvolvimento de uma nova geração de veículos elétricos baseada em uma plataforma inédita focada em eficiência energética, redução de custos e maior acessibilidade. O projeto parte de um princípio simples, mas desafiador: extrair mais autonomia de baterias menores, reduzindo peso, complexidade e custo total dos modelos.

Segundo a montadora, a bateria responde atualmente por cerca de 40% do custo de um carro elétrico e por mais de 25% do peso do veículo, tornando-se o principal alvo de otimização no desenvolvimento da nova arquitetura.

A iniciativa integra uma estratégia mais ampla da fabricante para viabilizar uma nova família global de elétricos mais acessíveis, começando por uma picape de médio porte.



Ford Electric Truck Platform

Foto de: Ford

De acordo com Alan Clarke, diretor executivo de Desenvolvimento Avançado de Veículos Elétricos da Ford, a indústria enfrenta hoje um desafio semelhante ao vivido durante a crise do petróleo nos anos 1970, quando a busca por eficiência levou ao desenvolvimento do turbocompressor.

Na visão do executivo, a resposta atual para a chamada ansiedade de autonomia tem sido simplesmente aumentar o tamanho das baterias, solução que ele considera limitada por implicações físicas e econômicas.

A proposta da Ford segue outro caminho. Em vez de adicionar mais capacidade energética, o foco está em melhorar eficiência aerodinâmica, reduzir massa e simplificar sistemas para obter mais quilômetros por carga com baterias menores.



Ford Electric Truck Platform

Foto de: Ford

A montadora afirma que essa abordagem pode reduzir significativamente o custo de aquisição e o custo total de propriedade dos veículos elétricos.

Para atingir esse objetivo, a Ford criou um modelo interno de desenvolvimento baseado em métricas de autonomia, eficiência e desempenho, chamado de sistema de “recompensas”. A metodologia busca quantificar o impacto real de cada decisão de engenharia sobre custo e autonomia.

O conceito altera a forma tradicional de trabalho nas montadoras, em que equipes responsáveis por diferentes componentes frequentemente operam de forma isolada.

Na nova abordagem, todas as equipes passam a compartilhar objetivos comuns relacionados ao desempenho energético do veículo. Alterações aparentemente pequenas são avaliadas pelo seu impacto direto na autonomia ou no custo da bateria. Segundo a empresa, adicionar apenas 1 milímetro à altura do teto, por exemplo, poderia representar US$ 1,30 adicionais no custo da bateria ou reduzir a autonomia em 0,088 km.

Esse tipo de análise levou a diversas mudanças no projeto, incluindo a redução de mais de 20% no tamanho do corpo do espelho retrovisor. A alteração diminui massa e arrasto aerodinâmico, resultando em cerca de 2,4 km adicionais de autonomia.

Outro foco do projeto é o gerenciamento de energia. A Ford decidiu internalizar o desenvolvimento da arquitetura elétrica e da eletrônica de potência de alta tensão, área tradicionalmente dominada por fornecedores externos.

A decisão ganhou força com a aquisição da empresa Auto Motive Power (AMP) em 2023, permitindo à montadora integrar hardware e software de carregamento, conversão e gerenciamento energético.

Segundo a empresa, a nova plataforma contará com um ecossistema completo de carregamento desenvolvido internamente, incluindo suporte a carregamento bidirecional. A expectativa é reduzir perdas energéticas, diminuir o tempo de recarga e ampliar a vida útil das baterias.

A nova arquitetura também introduz um sistema elétrico de baixa tensão de 48 volts e reduz significativamente a complexidade do veículo. O chicote elétrico da futura picape elétrica média será cerca de 1,2 km mais curto e 10 kg mais leve em relação aos modelos de primeira geração.

Além disso, o número de unidades de controle eletrônico foi reduzido drasticamente. Enquanto veículos convencionais podem ter mais de 30 módulos, a nova plataforma utiliza apenas cinco sistemas principais.

A Ford afirma que o objetivo final é criar uma arquitetura totalmente integrada, difícil de replicar apenas por meio de soluções isoladas. A estratégia busca permitir que os veículos elétricos da marca alcancem níveis de preço competitivos com modelos a combustão.

A empresa reconhece que a abordagem pode gerar ceticismo inicial, mas sustenta que a integração completa entre eficiência energética, arquitetura elétrica e desenvolvimento de produto pode redefinir o custo dos veículos elétricos.

Segundo a montadora, mais detalhes sobre a nova plataforma e os primeiros modelos baseados nela devem ser divulgados nos próximos anos.

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Fonte: UOL

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