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“Está na hora de revisar o termo bolsonarismo”, diz o cientista político Fernando Schüler


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A ascensão da direita na política brasileira, especialmente nas eleições de 2026, está ampliando sua influência, com a formação de uma bancada significativa no Senado, liderada pelo PL.

Essa mudança, impulsionada pela pauta do impeachment de ministros do STF, pode gerar um “conflito institucional” a partir de 2027, segundo o cientista político Fernando Schüler.

Ele destaca que a direita atual é mais complexa e diversificada, com figuras que não estão necessariamente ligadas ao legado de Jair Bolsonaro. Governadores como Tarcísio Freitas e Sergio Moro demonstram estilos próprios, enquanto a disputa no segundo turno da presidência envolverá diferentes agendas econômicas.

A ampliação da direita no Senado, focada em ações contra o STF, sinaliza uma nova dinâmica política e um potencial aumento de tensões institucionais no Brasil.

* Resumo gerado por inteligência artificial e revisado pelos jornalistas do NeoFeed

Brasília – Uma guinada ainda mais forte da direita na política brasileira nas eleições de 2026, com a chegada ao poder até de governadores não associados diretamente ao bolsonarismo, amplia a força desse campo político para além da dependência do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e de certo favoritismo do filho e senador Flávio (PL) na corrida à Presidência.

Esse fenômeno, no entanto, terá um impacto inédito no Senado, onde produziu uma grande bancada, sobretudo o PL, partido que passa a ter o maior número de cadeiras na Casa. Esse cenário foi impulsionado na campanha eleitoral pela pauta do impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), o que tem potencial para criar um “conflito institucional” no Brasil a partir de 2027, na leitura do cientista político Fernando Schüler, professor do Insper.

“O governo subestimou Flávio Bolsonaro no primeiro turno e cometeu um erro. Está na hora de revisar o termo bolsonarismo. É uma simplificação e um certo preconceito no sentido de talvez deixar de capturar um pouco da complexidade da realidade da direita hoje”, disse Schüler em entrevista ao NeoFeed.

“O Bolsonaro está preso há um bom tempo. E o bolsonarismo como programa ou ideal político é um conceito bastante precário. Você tem agora desde a direita associada a um conservadorismo de costumes, como no mundo todo, até uma direita mais ligada à agenda econômica liberal e modernização do Estado”, complementa.

Para o acadêmico, nem todas as figuras ascendentes da direita, após o resultado das urnas no domingo, 4 de outubro, são necessariamente atreladas umbilicalmente à figura e ao legado de Bolsonaro, no sentido radical dessa ala política.

E mesmo aliados diretos, como Tarcísio Freitas (Republicanos), governador reeleito de São Paulo com 62% dos votos e que foi ministro da Infraestrutura no governo Bolsonaro, já têm voz própria e um estilo pragmático de governar que se diferenciam do ex-presidente.

“O Tarcísio é hoje muito maior que o bolsonarismo. Cleitinho [governador eleito de Minas Gerais] tem suas ligações com o bolsonarismo, mas é diferente também. O Moro [Sérgio, governador eleito do Paraná e ex-ministro da Justiça de Bolsonaro] é diferente. Você tem fenômenos diferentes na direita hoje”, analisa.

“O Nikolas [Ferreira, deputado federal reeleito por Minas], por exemplo, tem luz própria, tem a sua característica. No Senado, você teve o Marcel Van Hattem [eleito pelo Rio Grande do Sul], que tem perfil mais liberal na economia.”

O cientista político Fernando Schüler

Na visão de Schüler, há uma complexidade envolta na expansão da direita, com suas alianças ao centro e crescimento de figuras regionais, que somadas ao cansaço de grande parte do eleitor com o lulismo deram uma vantagem no primeiro turno a Flávio – ele registrou 47,03% contra 45,16% do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Além do crescimento da direita com facetas complexas que não se explicam somente pela influência da família Bolsonaro no jogo político, o cientista político entende que, além da guerra de desgaste do adversário, também estará em jogo no segundo turno a disputa por duas agendas econômicas.

De um lado uma posição mais pró-mercado, voltada para ajuste fiscal, alinhada com gestões dos ex-ministros da Fazenda, Pedro Malan, Henrique Meirelles e Paulo Guedes, no caso do candidato Flávio; e outra desenvolvimentista.

“Isso não foi debatido. E infelizmente nem acho que esse debate vai ocupar mais espaço [no segundo turno]. Existe mais espaço para os dois apostarem em rejeição mútua, numa campanha mais agressiva e menos propositiva”, pondera.

Senado x STF

Nesse contexto, a ampliação da presença da direita no Senado com vistas a votar impeachment de ministros do STF foi um sinal claro e até inédito desse grupo político, na visão do cientista político. Ou seja, um movimento novo que mostrou a força de políticos unidos numa nova pauta, na esteira da crise institucional da Suprema Corte.

“A grande mudança nessas eleições foi no Senado. O PL se converte como um partido grande e há um reforço da direita. Na Câmara, o Centro [MDB, PSD] até perdeu posições para a direita”, diz Schüler. O PL elegeu 19 senadores no pleito de domingo, ampliando sua bancada para 28.

“Mas ao mesmo tempo você tem aí um potencial de conflito institucional muito grande que vai acontecer em algum momento. A impressão que tenho é que essa será uma pauta brasileira em dois meses de Senado ano que vem”, finaliza.



Fonte: NeoFeed

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