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O Citi elevou a recomendação das ações do Mercado Livre de neutra para compra, acreditando que a empresa continuará a crescer acima do mercado, mesmo em um cenário econômico desafiador no Brasil. O preço-alvo foi ajustado de US$ 2.100 para US$ 2.050, representando um potencial de valorização de cerca de 23%.
Apesar de uma queda de 8,64% nas ações nos últimos cinco pregões, os analistas destacam que a desvalorização já reflete preocupações sobre investimentos e margens de rentabilidade.
O Mercado Livre deve expandir suas operações significativamente, com uma previsão de crescimento de 30% no GMV brasileiro até 2027. No entanto, a rentabilidade e a expansão da carteira de crédito do Mercado Pago são pontos de atenção, especialmente com juros elevados.
A volatilidade cambial também pode impactar os resultados, com uma desvalorização do real podendo reduzir o lucro líquido em 15%.
* Resumo gerado por inteligência artificial e revisado pelos jornalistas do NeoFeed
Num momento em que as ações dos principais nomes do varejo brasileiro estão em queda livre, o Citi enxergou uma oportunidade de compra no Mercado Livre (Meli), que também enfrentou um pregão difícil na segunda-feira, 26 de outubro, mas nada comparável ao tombo das empresas nacionais.
O banco americano elevou a recomendação das ações da gigante de comércio eletrônico de neutra para compra, apostando que a companhia continuará crescendo acima do mercado, mesmo diante de um cenário macroeconômico mais desafiador no Brasil.
O preço-alvo, por sua vez, sofreu um leve ajuste para baixo, de US$ 2.100 para US$ 2.050. Ainda assim, representa um potencial de valorização de aproximadamente 23% em relação à cotação de referência utilizada pelos analistas.
Nos últimos cinco pregões, as ações do Meli acumularam queda de 8,64%. Somente na segunda-feira, 26 de outubro, os papéis recuaram 7,81%, em reação ao resultado das eleições presidenciais, que também levou o Magazine Luiza a encerrar o dia com tombo de 58,2% e a Casas Bahia a cair 38,2%.
Para os analistas João Pedro Soares e Felipe Husein, a recente desvalorização das ações já incorpora boa parte das preocupações com os investimentos necessários para sustentar o crescimento, a pressão sobre as margens de rentabilidade e a ressaca pós-eleitoral.
Eles avaliam que o Meli continuará expandindo suas operações em ritmo significativamente superior ao dos mercados de consumo dos países onde atua, conquistando participação de mercado independentemente das condições macroeconômicas. A aposta está na capacidade de execução operacional da companhia.
“Esperamos que o Meli continue crescendo significativamente acima do mercado, com expansão de cerca de 30% no GMV brasileiro em 2027. Embora tenhamos reduzido nossa projeção para o terceiro trimestre de 2026, de 37,5% para 36%, não vemos uma mudança nas perspectivas estruturais de crescimento da companhia.”
E os juros altos podem, surpreendentemente, jogar a favor do Meli. A perspectiva de que a Selic não caia no ritmo anteriormente esperado pode dificultar os planos de novos entrantes e concorrentes de ampliar investimentos para disputar participação de mercado.
É o caso da Shopee, controlada pela Sea, que também vem direcionando recursos para outras frentes de negócios, como infraestrutura de computação em nuvem. Na avaliação do Citi, essa diversificação, combinada ao custo de capital mais elevado, pode limitar a capacidade da empresa de realizar investimentos de grande escala no Brasil.
Isso não significa que o Meli esteja livre de desafios. Um dos principais pontos de atenção continua sendo a rentabilidade.
O Citi avalia que o Meli seguirá priorizando o crescimento e a conquista de participação de mercado em detrimento da expansão das margens no curto prazo. O risco é que a companhia precise aprofundar seu ciclo de investimentos para sustentar essa estratégia, pressionando a margem operacional para um patamar inferior aos cerca de 7% projetados pelo banco para 2027.
Outro fator de preocupação é a expansão da carteira de crédito do Mercado Pago, mais exposta aos efeitos dos juros elevados. “Nosso cenário-base pressupõe que a concessão de crédito continue criteriosa e a qualidade da carteira permaneça sob controle, mas acompanharemos de perto o apetite ao risco, a inadimplência e as provisões, especialmente se o ciclo de crédito se deteriorar sob o novo governo”, afirmam os analistas.
A volatilidade cambial também representa uma ameaça aos resultados. Segundo estimativas do Citi, uma desvalorização de 10% do real em relação ao dólar poderia reduzir em aproximadamente 15% o lucro líquido projetado para 2027.
Por volta das 11h14, as ações do Meli subiam 2,53% na Nasdaq, a US$ 1,710,90. No ano, os papéis acumulam queda de 13,3%, levando o valor de mercado a US$ 86,7 bilhões.









