Economia

Dólar sobe com Flávio à frente de Lula em pesquisa, enquanto Bolsa cai com realização de lucros



SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O dólar está em alta nesta terça-feira (13), no primeiro pregão após o feriado, e subia 0,71%, cotado a R$ 5,021, às 16h26. Os investidores repercutem a nova pesquisa BTG/Nexus, que mostra o senador Flávio Bolsonaro (PL) com 52% dos votos válidos na disputa pela Presidência da República, contra 48% do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Os votos válidos excluem brancos, nulos e indecisos e são a métrica utilizada pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral) para contabilizar o resultado final da eleição. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, o que configura empate técnico entre os candidatos.

O Ibovespa recua. Às 16h27, o principal índice da Bolsa brasileira caía 1,10%, aos 206.750 pontos, em um movimento de realização de lucros após os recordes registrados na semana passada.

Rebecca Nossig, estrategista de ações da Nomad, afirma que a queda apresenta relação com a expectativa por novas pesquisas eleitorais e por um ajuste técnico após a forte valorização recente.

“O tom defensivo na sessão reflete a expectativa do mercado pelos novos levantamentos de intenção de voto para o segundo turno, o que leva os investidores a adotarem uma postura de maior cautela e a reduzirem o risco nas carteiras”, diz a especialista.

Segundo ela, o rali da semana passada, que levou o índice para perto dos 210 mil pontos, deixou espaço para a realização de lucros na volta do feriado.

Felipe Cima, analista de renda variável da Manchester Investimentos, também vê uma revisão do otimismo que marcou os negócios após o primeiro turno. Segundo ele, a retomada da divulgação de pesquisas eleitorais e a possibilidade de avanço de pautas como o fim da escala 6×1 podem aumentar a cautela dos investidores.

Ele também aponta que o debate sobre cortes de gastos públicos pode trazer novas incertezas para o mercado. Para Cima, o movimento não significa necessariamente o fim da euforia com o resultado eleitoral, mas pode representar uma pausa ou uma correção após a forte alta da semana passada.

Para Rodrigo Moliterno, sócio e head de renda variável da Veedha Investimentos, o cenário externo também influencia os negócios, diante dos riscos geopolíticos e da recente alta do petróleo. Nesta terça, por volta das 15h14, o barril do Brent, referência internacional, recuava 0,70%, cotado a US$ 105,90.

Os juros futuros registravam leve alta, após a forte queda da semana passada. As taxas dos contratos com vencimento em janeiro de 2028 subiam 0,15 ponto percentual, para 12,685% ao ano. Na ponta longa da curva, os contratos para janeiro de 2035 avançavam 0,23 ponto percentual, para 12,580% ao ano.

O resultado do primeiro turno contribuiu para a queda dos juros e foi recebido com otimismo por parte do mercado financeiro. Investidores associam uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro à perspectiva de uma política fiscal mais restritiva, com maior controle dos gastos públicos e medidas para melhorar a trajetória das contas públicas.

A nova pesquisa, porém, mantém a disputa em aberto e reforça a expectativa por novos levantamentos. Moliterno afirma que o mercado também acompanha a votação da proposta que prevê o fim da escala 6×1.

“Essa semana a gente tem, além de pesquisas por sair, que é o que tem direcionado o movimento dos mercados, com aumento de fluxo principalmente de estrangeiros, provavelmente a votação da escala 6×1 amanhã no Senado. É um processo que pode mexer com a corrida eleitoral”, diz o especialista.

Também nesta terça, foi divulgado o novo Boletim Focus. Os economistas elevaram a previsão de inflação e reduziram a estimativa para a taxa básica de juros neste ano, mas mantiveram as projeções para os principais indicadores de 2027.

O boletim foi o primeiro levantamento a captar os efeitos do resultado eleitoral. A pesquisa anterior, divulgada no dia 5, havia sido encerrada em 1º de outubro, antes do primeiro turno. Para 2027, os analistas mantiveram a previsão de inflação em 4,3%, a taxa de juros em 12% e o crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) em 1,4%.

Em Wall Street, as Bolsas operam em queda. Às 15h16, o Dow Jones caía 0,34%, enquanto o S&P 500 tinha queda de 0,14% e o Nasdaq caía 0,15%.

Segundo William Castro Alves, estrategista-chefe da Avenue, os investidores acompanham as iniciativas do presidente americano Donald Trump para tentar costurar um acordo entre Rússia e Ucrânia. Uma possível retomada das exportações russas de diesel poderia ampliar a oferta global da commodity e aliviar a pressão sobre os preços da energia.

“Sabemos que existe uma pressão sobre os preços do diesel, tanto nos Estados Unidos quanto no restante do mundo, o que acaba elevando os custos e pressionando a inflação global. Isso tem impactos negativos para a economia”, diz o especialista.

A perspectiva de aumento da oferta de petróleo e derivados também influencia os títulos do Tesouro americano, conhecidos como Treasuries. Os rendimentos desses papéis, que funcionam como referência para os juros globais, recuavam nesta terça. Os preço máximo dos títulos de dez anos tinham rendimento de 5,233%, queda de 0,08%, enquanto os de 30 anos rendiam 5,595%, em estabilidade com a máxima do dia anterior.

“Uma eventual resolução do conflito entre Rússia e Ucrânia poderia facilitar a reintegração da Rússia ao mercado global de energia. […] A perspectiva de maior oferta acaba pressionando os preços do petróleo e, consequentemente, os rendimentos dos títulos”, afirma Castro Alves.

Os investidores também acompanham o início da temporada de balanços nos Estados Unidos. Entre os resultados divulgados nesta terça estão os dos bancos JPMorgan e Wells Fargo. O primeiro apresentou números abaixo das expectativas, enquanto o segundo superou as projeções de lucro.

A agenda dos próximos dias inclui resultados de empresas ligadas à cadeia de inteligência artificial, como ASML e TSMC, além da divulgação do CPI, índice de preços ao consumidor americano, prevista para quarta-feira (14). O indicador pode influenciar as expectativas para a política monetária dos Estados Unidos.

A próxima reunião do Fed (Federal Reserve, o banco central americano) está marcada para os dias 27 e 28 de outubro. Segundo a ferramenta FedWatch, do CME Group, os mercados atribuíam 76,2% de probabilidade à manutenção dos juros e 23,8% a uma alta para a faixa de 4% a 4,25% ao ano.

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Fonte: Notícias ao Minuto

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