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Com Prio, Equinor e CNOOC, leilão do pré-sal traz nova configuração às bacias de Campos e Santos


O duplo leilão de áreas de petróleo realizado na quarta-feira, 7 de outubro, pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), foi marcado por números recordes e a consolidação de uma nova fase na exploração do pré-sal.

Foram dois certames diferentes ao longo do dia. Pela manhã, o 4º Ciclo da Oferta Permanente de Partilha da Produção (OPP) ofertou 13 blocos exploratórios no pré-sal, nas bacias de Campos e de Santos.

À tarde, outra modelagem — o 6º Ciclo da Oferta Permanente de Concessão (OPC) — levou a leilão 308 blocos em outras áreas exploratórias, fora do pré-sal, nas regiões Norte, Nordeste e Sudeste. A ANP qualificou a jornada como o maior leilão de áreas de petróleo da história da agência.

Das seis empresas que apresentaram propostas estavam a Petrobras e a Prio Forte, além de quatro estrangeiras – Equinor, Galp Energia, CNOOC e Sinopec.

A Prio arrematou dois blocos na Bacia de Campos: Magnetita e Hematita. Já a Petrobras ficou com o Azurita.

“Os pontos fortes do resultado da OPP seriam a diversidade de operadores não-Petrobras no polígono, incluindo a nova entrante Prio, e majors que entram sem a Petrobras devido à experiência adquirida, como a Equinor e a CNOOC, em outros projetos existentes no polígono, assumindo maior risco neste momento”, diz João Victor Marques, especialista do setor de óleo e gás da FGV Energia.

Para ele, o resultado do certame foi satisfatório porque reforça o País estrategicamente no cenário internacional como parceiro confiável para atividades exploratórias no Polígono do Pré-Sal, onde é sabido que grandes descobertas do passado, como Tupi, Búzios e Mero, são improváveis.

Segundo Marques, os blocos arrematados são próximos de blocos onde essas empresas já têm portfólio, favorecendo um menor risco e possibilidade de tie-back – interligação submarina que conecta um novo campo ou poço a uma infraestrutura já existente.

“Ou seja, é possível conectar uma possível descoberta a projetos de produção existentes, reduzindo seu capex, essa deve ser a provável estratégia da Prio, por exemplo”, afirma o especialista do setor de óleo e gás da FGV Energia.

Na Bacia de Santos, a estatal brasileira venceu o bloco Cruzeiro do Sul. O consórcio formado pelas chinesas CNOOC Petroleum e Sinopec conquistou o Jade. Já a norueguesa Equinor arrematou o Rubi e, em parceria com a portuguesa Galp Energia, o bloco Rodocrosita.

A vitória de um bloco não significa que já exista uma reserva comercial comprovada nessas áreas. As empresas ganham o direito de explorar os blocos e assumem o risco de não encontrar petróleo ou gás em quantidade economicamente viável.

A ANP destacou que este foi o ciclo de partilha com o maior número de blocos arrematados desde o início da Oferta Permanente. Até então, o recorde era do 3º Ciclo, realizado em 2025, com cinco blocos arrematados.

Com o resultado, a área exploratória sob regime de partilha aumenta 58%, alcançando 39,2 mil quilômetros quadrados. O avanço ocorre em uma região que já concentra a maior parte da produção nacional: em setembro, o pré-sal respondeu por 82,6% da produção de petróleo e gás natural do País.

Artur Watt, diretor-geral da ANP, disse que o leilão de concessão de áreas de petróleo está sendo realizado em um momento desafiador. “O Brasil está atrativo em meio a um cenário geopolítico instável e que os leilões demonstram a importância da reposição de reservas”, afirmou.

Nina Koch, presidente da Equinor no Brasil, reforçou esse objetivo. “Essas aquisições refletem nossa estratégia de buscar oportunidades que possam criar sinergias com os ativos que já temos e, ao mesmo tempo, construir novas opções de crescimento para o futuro.”, afirmou.

As aquisições dão continuidade à expansão do portfólio exploratório da Equinor no Brasil. Nos últimos anos, a companhia vem ampliando sua posição exploratória no País com os blocos S-M-1378 e S-M-1617, na Bacia de Santos.

Em outubro de 2025, no 3º Ciclo da OPP, a Equinor arrematou Itaimbezinho e Jaspe, duas áreas no Polígono do Pré-Sal da Bacia de Campos. Em Itaimbezinho, a Equinor é operadora e, em Jaspe, participa em parceria com a Petrobras, operadora da área.

Disputa pelos blocos

A disputa pelos blocos do pré-sal era a mais aguardada e, apesar dos resultados finais mistos – das 19 empresas inscritas, apenas seis participaram do certame –, o saldo foi comemorado pelo governo federal como extremamente positivo, uma vez que o leilão não oferecia a atratividade comercial dos primeiros blocos, já em operação no Polígono do Pré-Sal.

“O perfil das áreas hoje ofertadas também mostra uma transformação na dinâmica de desenvolvimento do pré-sal”, disse Luis Fernando Paroli, presidente da estatal PPSA (Pré Sal Petróleo S.A.).

“Depois da descoberta e da implantação dos grandes projetos, novas oportunidades, em áreas menores, podem ser viabilizadas por estarem próximas a campos já em produção”, complementou.

Dos 13 blocos ofertados, cujos bônus de assinatura somavam mais de R$ 1,2 bilhão, apenas sete foram arrematados – garantindo R$ 530 milhões para os cofres do Tesouro. No entanto, não houve disputa em nenhum dos sete blocos arrematados, que receberam apenas uma proposta cada.

Ainda assim, as áreas tiveram alta concorrência pelos critérios estabelecidos pela ANP. No regime de partilha, parte do petróleo e do gás produzidos pelas empresas é destinado à União – o chamado “percentual do excedente em óleo”.

A empresa contratada tem direito à parte da produção suficiente para recuperar seus custos, chamada “custo em óleo”, e o excedente é dividido entre a União e a companhia. Na prática, o Estado é o dono do óleo e gás e a empresa atua como operadora. Nessa modalidade, vence o leilão a empresa ou consórcio que oferecer o maior percentual da produção futura à União.

O edital previa um valor mínimo para cada bloco. A disputa teve caráter sigiloso na apresentação das ofertas, ou seja, as empresas não ficaram sabendo previamente qual era o percentual de excedente em óleo que as concorrentes estariam oferecendo e em quais áreas fariam oferta.

Dessa forma, mesmo não tendo havido disputa nos blocos, todos foram arrematados com ágio, que variou de 8% a quase 495%. O ágio médio foi de 108,38%.

Blocos exploratórios

No leilão da tarde, do 6º Ciclo da Oferta Permanente de Concessão (OPC), a empresa vencedora compra o direito de explorar determinada área e é dona de tudo o que extrai.

Nessa modalidade, os critérios de escolha dos vencedores para blocos exploratórios incluem o bônus de assinatura, ofertado a partir de um mínimo definido no edital, e o PEM (Programa Exploratório Mínimo) mais vantajoso –o conjunto de atividades obrigatórias que uma empresa se compromete a realizar em um bloco de petróleo durante a fase de exploração.

Ao todo, foram ofertados 308 blocos exploratórios, dispostos em 22 setores de 9 bacias sedimentares no Norte, Nordeste e Sudeste. Na Margem Equatorial, a única bacia representada no leilão era a do Ceará, que ainda não tem exploração nem produção em águas profundas.

Destaques do último certame, as bacias da Foz do Amazonas, onde a Petrobras encontrou petróleo em agosto, e a de Pelotas, no Sul, não tiveram blocos offshore neste ano.

Ao final do certame, 49 blocos foram arrematados, com ágio de 3.511,27%. O leilão arrecadou R$ 3 bilhões em bônus de assinatura.

A disputa contou com dez empresas ofertantes e nove vencedoras. A Petrobras foi a principal vencedora da rodada, com 19 blocos – incluindo a da bacia do Ceará, na Margem Equatorial, com 70% de participação na parceria com a Qatar Energy. Entre as demais ganhadoras estão a Eneva, que arrematou seis blocos na Bacia do Parnaíba, e a Petrom.

Parte das ofertas de concessão foi em blocos terrestres, como o de Tacutu, na fronteira entre Brasil e Guiana, estreante em leilões da ANP. Esse tipo de exploração, em terra, é alvo de processos judiciais de organizações como o Instituto Internacional Arayara, que alegam impactos para comunidades indígenas e quilombolas.

A entidade ajuizou uma Ação Civil Pública no fim de setembro para tentar barrar a oferta de 15 blocos na Bacia do Parnaíba, nos Estados do Maranhão e Piauí, e organizou um protesto na quarta, 7, em frente ao prédio da ANP, no Rio, onde foi realizado o leilão.



Fonte: NeoFeed

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