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A BYD prepara um salto industrial no Brasil para sustentar a rápida expansão do mercado de ônibus elétricos. A fabricante chinesa planeja construir uma nova megafábrica no país dedicada à produção de ônibus e caminhões elétricos, com capacidade anual estimada entre 6.000 e 7.000 chassis — um volume várias vezes superior ao de toda a operação atual.
O projeto, previsto para sair do papel dentro de dois a três anos, deve ficar no estado de São Paulo e tem como objetivo eliminar gargalos produtivos, atender a demanda crescente de cidades brasileiras e transformar o Brasil em um polo regional de exportação de veículos elétricos pesados para a América do Sul.

Segundo Marcelo Schneider, diretor de veículos comerciais da BYD Brasil, a empresa já tem encomendas suficientes para produzir cerca de 1.200 chassis apenas em 2026 — praticamente o dobro de tudo o que foi fabricado nos primeiros dez anos de operação no país. “Somente em 2026 vamos produzir cerca de 1.200 chassis. Isso já é mais do que produzimos nos últimos dez anos”, afirmou o executivo.
A unidade de Campinas tem capacidade nominal para até 2.000 chassis por ano, mas esse volume é reduzido na prática devido à variedade de configurações produzidas, incluindo modelos articulados, que demandam mais tempo e recursos. Com a agenda de produção praticamente tomada para o próximo ano, a empresa não consegue absorver novos pedidos, mesmo com o interesse crescente de outras cidades brasileiras.

Para evitar que o gargalo limite o crescimento do negócio, a BYD planeja uma expansão em etapas. No curto prazo, a estratégia inclui a criação de uma operação temporária nas proximidades de Campinas, capaz de praticamente dobrar a capacidade atual em um prazo estimado entre quatro e seis meses. Paralelamente, avança o plano de construção de uma nova fábrica definitiva no estado de São Paulo.
O novo complexo industrial deve ocupar uma área de aproximadamente 180 mil metros quadrados, contraste significativo em relação aos cerca de 7 mil metros quadrados hoje utilizados pela BYD em prédios alugados na região de Campinas. A ideia é concentrar todas as operações de veículos comerciais em um único local, substituindo as instalações atuais.

Foto de: BYD
Além dos ônibus elétricos, a futura fábrica já está sendo pensada para receber a produção de caminhões elétricos, hoje atendidos principalmente por meio de importações. Em plena operação, a capacidade estimada varia entre 6.000 e 7.000 chassis por ano. O impacto sobre o emprego também seria expressivo, com o número de funcionários no segmento podendo saltar dos atuais 80 a 100 para algo entre 700 e 800 pessoas.
O projeto também reforça a estratégia da BYD de usar o Brasil como base regional de exportação. A empresa vê o país como um hub natural para abastecer mercados da América do Sul, especialmente dentro do Mercosul. A África aparece como possibilidade de longo prazo, condicionada à consolidação da produção e da logística regional.

Foto de: BYD
A atuação da BYD em ônibus elétricos no Brasil antecede sua entrada mais recente no mercado de automóveis de passeio. Após uma experiência inicial com veículos completos importados da China — que não se adaptaram bem às condições locais — a empresa optou pela montagem local de chassis e por parcerias com encarroçadoras brasileiras, como Caio Induscar e Marcopolo. Essa decisão ajudou a ancorar a operação no país.
O avanço da eletrificação de frotas ganhou tração após a pandemia, quando a renovação de veículos foi postergada e passou a coincidir com novas exigências regulatórias e programas de incentivo, especialmente na cidade de São Paulo. Outras capitais, como Curitiba, Goiânia, Belo Horizonte e Rio de Janeiro, também começaram a adotar ônibus elétricos, ainda que em menor escala.
Embora o Brasil esteja atrás de países como Chile e Colômbia em termos de eletrificação de transporte público, a BYD avalia que o tamanho do mercado brasileiro oferece um potencial significativo no médio e longo prazo, à medida que a transição ganha escala.
A confiança da empresa no país foi reforçada recentemente com a inauguração da fábrica de veículos de passeio em Camaçari (BA), instalada no antigo complexo da Ford. Com investimento anunciado de R$ 5,5 bilhões, a unidade tem capacidade inicial de 150 mil veículos por ano, com previsão de expansão em uma segunda fase.
Para a BYD, o desafio agora é transformar a demanda crescente em capacidade produtiva. “O foco imediato é executar. Precisamos entregar o que o mercado está pedindo”, resume Schneider.
Fonte: SCMP
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Fonte: UOL









