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A BYD está acelerando a nacionalização de componentes na fábrica de Camaçari (BA) e quer atingir cerca de 50% de conteúdo local até 1º de janeiro de 2027, movimento que faz parte de um plano mais amplo para disputar a liderança do mercado automotivo brasileiro até o fim da década. As informações foram publicadas pela Reuters com base em entrevistas com executivos da companhia.
Segundo o vice-presidente sênior da BYD no Brasil, Alexandre Baldy, a transição para uma cadeia de suprimentos local está sendo feita em ritmo acelerado. “Chegamos muito rápido e precisamos manter esse ritmo para alcançar esse objetivo”, disse o executivo à Reuters.

Foto de: InsideEVs Brasil
A estratégia faz parte do plano da montadora de se tornar a maior fabricante de veículos em volume no Brasil até 2030. Hoje, o país já é o principal mercado da BYD fora da China e peça central na expansão internacional da companhia.
A unidade instalada na Bahia, na antiga fábrica da Ford, já produziu cerca de 25 mil veículos desde outubro, enquanto a empresa avança para transformar o complexo em uma operação industrial completa, com estamparia, soldagem e pintura locais, algo que ocorrerá ao longo deste ano.
O investimento inicial previsto para a primeira fase soma cerca de R$ 5,5 bilhões, com meta de levar a capacidade produtiva a até 300 mil veículos por ano até o fim de 2026. Hoje, o complexo emprega aproximadamente 5 mil pessoas, com potencial de chegar a até 20 mil empregos diretos e indiretos com a expansão da operação.
Atualmente, a produção ainda depende majoritariamente de kits semi-desmontados (SKD), modelo que permitiu acelerar a entrada da marca no mercado brasileiro. Mas a empresa deixa claro que isso é transitório.
Segundo Baldy, “o regime SKD é transitório” e, no longo prazo, “os carros precisam ser produzidos com componentes locais para serem economicamente e financeiramente viáveis”.
O movimento também está ligado ao fim de benefícios tarifários (isenção do imposto para SKD/CDK) que ajudaram a viabilizar a importação desses kits e à necessidade de desenvolver uma cadeia de fornecedores no país.

Foto de: BYD
Outro ponto estratégico é o uso do Brasil como base exportadora regional. Segundo a Reuters, o aumento do conteúdo local permitirá atender exigências regulatórias e viabilizar exportações para países do Mercosul já a partir deste ano.
Na prática, regras de origem do bloco costumam exigir algo próximo de 60% de conteúdo regional — ou, pela lógica inversa, limite de cerca de 45% de componentes importados — para que o veículo seja considerado originário e tenha acesso às preferências tarifárias.
Com isso, a operação brasileira ganha peso dentro da estratégia global da BYD, posicionando o país como potencial hub industrial para a América do Sul — o que ajuda a explicar o volume de investimento e a ampliação da fábrica baiana.

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Fonte: Motor1 Brasil
A estratégia de nacionalização também responde a críticas de sindicatos e montadoras instaladas no país, que apontavam dependência excessiva de importações no início da operação. Hoje, a BYD monta em Camaçari (BA) os modelos Dolphin Mini, Song Pro e King, e prepara a produção do Song Plus.
A operação brasileira da BYD também esteve no centro das atenções após uma investigação trabalhista sobre trabalho análogo à escravidão envolvendo empresas contratadas na construção da fábrica. O caso foi encerrado após acordo judicial que envolveu pagamento de cerca de R$ 40 milhões.
A meta declarada (e ambiciosa) de liderar o mercado automotivo brasileiro até 2030 indica que a estratégia da gigante chinesa vai além dos veículos eletrificados. No entanto, ainda não está claro como acontecerá essa agregação de fornecedores e a implementação das etapas de nacionalização. O foco inclui escala industrial local, redução de exposição cambial e maior competitividade frente às montadoras tradicionais.
Ao combinar produção local, expansão da base de fornecedores e potencial exportador, a operação brasileira se consolida como peça-chave no plano global da BYD de expandir produção fora da China — especialmente em um cenário de aumento de barreiras comerciais e exigência crescente de conteúdo local em mercados estratégicos.
Fonte: Reuters
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Fonte: UOL









