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O empreendedor não é apenas um produto do ambiente: ele também o transforma. Enquanto uma análise financeira aponta obstáculos, quem empreende usa o diagnóstico para agir, mudar a rota e construir alternativas.
A força para essa transformação vem da vocação. Mais do que ganhar dinheiro, empreender é uma forma de realização pessoal e de impactar positivamente a sociedade. Esse propósito ajuda a suportar as dificuldades de um caminho que também envolve sofrimento.
Mas a capacidade de transformar a realidade tem limites. O empreendedor atua sob circunstâncias que não controla e depende de uma estrutura construída por outros: leis, instituições e uma sociedade de consumo.
Por isso, o sucesso se completa quando a prosperidade nos negócios se traduz em uma contribuição à sociedade que a tornou possível. Reconhecer essa dependência e encontrar formas de retribuir são expressões concretas de humildade.
Quem transforma o mundo também precisa cuidar das condições que permitem essa transformação.
Por Gilberto Zancopé.
* Resumo gerado por inteligência artificial e revisado pelos jornalistas do NeoFeed
Um dos efeitos mais conhecidos da teoria da relatividade é a dilatação do tempo. Teoricamente, se você viajasse durante um mês, como se fossem férias normais, mas em um foguete a uma velocidade muito próxima à da luz, ao retornar à Terra, teriam passado 50 anos para todos e apenas quatro semanas para o viajante. Na relatividade de Einstein, uma massa enorme deforma o espaço-tempo.
Da mesma forma, o empreendedor, no domínio de sua função, deforma a realidade ao redor de sua ação. Ele não é só um produto do ambiente, mas partícipe e influenciador, alterando o ambiente com a atitude de construtor.
Um analista tem como objeto final de seu trabalho a análise, a criação de um modelo financeiro, por exemplo. O empreendedor usa essa análise como diagnóstico para a ação. Ele tem acesso às alavancas que alteram a realidade.
Se o modelo financeiro aponta que a empresa vai bater em um obstáculo, o empreendedor vai mexer nas alavancas para escapar, desviando pela esquerda, pela direita ou até voando pelo obstáculo.
Steve Jobs e Elon Musk mudaram o comportamento humano com suas invenções, pelo uso dos smartphones e dos carros elétricos. Deformaram a realidade não só em seu entorno, no nível da empresa, mas também nas comunidades longínquas, sem relação direta com suas pessoas.
O empreendedor experimenta uma vida de grandeza porque está orientado para a sua vocação. Claro que é possível atingir a grandeza em muitas outras vocações, como a de escritor, médico, professor, pintor etc.
Vocação como resposta a um chamado de dentro, como descoberta de si mesmo ou como expresso pelo poeta grego Píndaro: “Torna-te o que tu és”.
O empreendedor, na vocação, faz mais: não responde ao que o ambiente espera dele, mas ao que vem de dentro. Não faz pelo dinheiro, mas para se realizar, e o dinheiro vem.
Sempre que dou mentorias ou apresento algum painel para empreendedores da Endeavor, eu pergunto se o empreendedor está na Endeavor para se realizar ou apenas para fazer dinheiro.
Se for essa última opção, recomendo ir para Las Vegas, porque lá é só dinheiro. Na Endeavor, apoiamos o empreendedor que quer impactar positivamente a sociedade por meio do empreendedorismo.
“Ele [o empreendedor] pode muito, mas não pode tudo”
Aquele que entende esse ato como realização pessoal, que dá propósito e sentido para a sua vida. Aquele que busca a plenitude ao se realizar e ajudar o ambiente como resultado de sua ação. É assim que se aguenta o tranco, porque empreender é também sofrer.
O homem em vocação tem uma energia superior: ele entrega mais do que o professor pede, mais do que os pais esperam, mais do que o ambiente exige. O homem medíocre sempre entrega abaixo das expectativas. Por isso, o empreendedor tem a capacidade de deformar a realidade, alterando o ambiente.
Existe um ditado famoso que diz: “Quanto mais eu trabalho, mais sorte eu tenho”. Essa frase contém uma percepção exagerada do poder do empreendedor. Ele pode muito, mas não pode tudo. Ele também é limitado e opera sob as circunstâncias.
O empreendedor deve cultivar a humildade, não como uma falsa virtude, mas por reconhecer que sua ação ocorre com base em uma sociedade, em regras respeitadas, em leis, em um sistema jurídico.
Ele não inventou o mundo; ele opera sobre um mundo construído por outros. Ele prospera numa sociedade de consumo, e o jeito de ser humilde é promover o give back para essa sociedade.
O empreendedor completa seu sucesso quando prospera nos negócios e encontra uma forma de devolver para a sociedade, que foi a base de seu sucesso.
Ou, como diria o filósofo espanhol Ortega y Gasset: “Eu sou eu e minha circunstância, e se não a salvo, não me salvo a mim”.
* Gilberto Zancopé é embaixador Endeavor desde 2015 e fundador da ordervc.com









