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Aquecimento acima de 1,5°C pode causar perdas irreversíveis



Ultrapassar o limite de 1,5°C de aquecimento global, ainda que temporariamente, pode provocar perdas irreversíveis de gelo, acelerar a elevação do nível do mar e comprometer o equilíbrio dos oceanos por séculos.

É o que aponta o relatório Overshoot and the Cryosphere: Averting Global Meltdown, elaborado pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) e pela International Cryosphere Climate Initiative (ICCI), com a participação de mais de 80 cientistas.

Divulgado na noite de domingo (1), às vésperas da COP31, sediada pela Turquia, o documento alerta que mesmo uma redução posterior das temperaturas não seria suficiente para reverter todos os impactos sobre as regiões congeladas do planeta. Os efeitos são sentidos principalmente pelas comunidades costeiras.

O relatório reúne evidências científicas sobre as consequências de ultrapassar o limite estabelecido pelo Acordo de Paris, fenômeno conhecido como overshoot. A análise considera diferentes cenários em que o aquecimento supera 1,5°C e depois retorna a níveis inferiores.

Segundo os pesquisadores, quanto maior a temperatura e mais longo o período acima desse limite, maiores serão os danos.

Os impactos também atingem geleiras de montanha, reservas de neve e solos permanentemente congelados, o chamado permafrost. O desaparecimento dessas áreas ameaça o abastecimento de água, aumenta o risco de desastres em regiões montanhosas, como o que atingiu o Nepal em agosto de 2026, e pode liberar gases de efeito estufa armazenados no solo.

Impactos para o Brasil

Um dos capítulos do relatório, que conta com a participação do pesquisador brasileiro Thiago Monteiro, da Universidade Federal da Bahia (UFBA). O cientista explica que uma das consequências mais preocupantes para o Brasil é a elevação do nível do mar.

“O derretimento do gelo continental da Antártica, juntamente com a expansão da água do mar provocada pelo aquecimento, contribui para esse aumento. No Brasil, isso significa maiores riscos de inundações costeiras, erosão das praias e entrada de água salgada em aquíferos e áreas agrícolas. Esses impactos ameaçam diretamente cidades costeiras, moradias, infraestrutura, turismo e diversas atividades econômicas”

— Thiago Monteiro

Ele detalha ainda que o excesso de dióxido de carbono na atmosfera altera a química das águas brasileiras e intensifica a acidificação dos oceanos. Isso prejudica organismos marinhos como corais e moluscos, cadeias alimentares e atividades pesqueiras.

Como mitigar os efeitos

Para limitar os impactos, os autores defendem a redução acelerada das emissões de gases de efeito estufa, com diminuição de pelo menos 5% ao ano e alcance de emissões líquidas zero até meados do século. Também apontam a necessidade de ampliar a remoção de carbono da atmosfera e os investimentos em adaptação climática.

Segundo o relatório, manter o aquecimento acima de 1,5°C pelo menor tempo possível é fundamental para evitar danos ainda maiores, embora uma temperatura próxima de 1°C ou inferior seja considerada mais segura, no longo prazo, para as regiões congeladas da Terra.



Fonte: Amanhã

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