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Após a proposta de reforma monetária de André Lara Rezende, que sugeriu uma redução rápida da taxa Selic, o governo Lula se apressou em desassociar-se da ideia, que gerou nervosismo no mercado financeiro.
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, criticou a proposta, e o presidente do PT, Edinho Silva, afirmou que não houve discussão sobre o tema com Lula.
Esse episódio expôs tensões entre a ala radical do PT e a equipe econômica, com petistas como Gleisi Hoffmann defendendo a proposta de Lara. A situação também sugere um redesenho nas forças políticas do governo, especialmente com a ausência de figuras como Gleisi.
Por outro lado, o mercado aguarda sinais claros da política econômica de Lula, especialmente após quedas nas ações da B3. Economistas alertam para a gravidade da situação fiscal e a necessidade de uma agenda de estabilização da dívida, com o governo planejando enviar um projeto de lei ao Congresso para 2027.
* Resumo gerado por inteligência artificial e revisado pelos jornalistas do NeoFeed
Brasília – Após os ruídos causados por uma proposta de reforma monetária e fiscal do economista André Lara Resende, que sugeriu reduzir a taxa básica de juros de maneira mais rápida, o governo federal correu para pôr panos quentes e rapidamente se opor à ideia – que causou mais tensão e nervosismo no mercado financeiro.
Uma possível reunião que o presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) teria com Lara Resende – um dos pais do Plano Real – para pedir conselhos econômicos não aconteceu. E tanto o governo como o partido fizeram questão de negar que tenha ocorrido qualquer encontro nesse sentido.
Na terça-feira, 3 de novembro, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que a proposta de Lara Resende contém “deficiências” e não vem sendo discutida pelo Executivo. Já o presidente nacional do PT, Edinho Silva, declarou ao portal Poder 360 que essa ideia do economista “nunca foi debatida” com Lula, nem com a legenda.
Como pano de fundo, a situação também voltou a expor, na prática, atritos entre uma ala mais radical do PT e membros do governo. Enquanto integrantes da equipe econômica buscaram rapidamente se distanciar de uma ideia interpretada como “baixar juros na marra” ou artificialmente, petistas como a ex-ministra das Relações Institucionais do Governo Lula 3, Gleisi Hoffmann, defenderam a proposta.
Um aliado do Planalto avalia que o episódio não passou de uma “viagem” que, no fundo, tem uma mensagem de nova pressão ao Banco Central de Gabriel Galípolo. No passado, a própria petista já fez críticas a Galípolo pela manutenção da Selic em níveis elevados, assim como ao seu antecessor Roberto Campos Neto, ex-presidente da autoridade monetária e alvo preferido da ex-ministra.
A saia justa provocada por essa situação também revela um possível redesenho no jogo de forças que Lula já sinaliza com mudanças em seu novo governo, verbalizadas de cara por ele logo em seu primeiro discurso após as eleições. Nos bastidores, o não retorno ao governo de nomes como Gleisi e outros derrotados nas eleições de outubro já é precificado por aliados de Lula.
Desta vez, tudo começou justamente com uma postagem de Gleisi nas redes sociais, no domingo, 1º de novembro, em que ela resgata o mencionado artigo de Lara Resende, publicado em um blog dele, em 25 de setembro, portanto quando faltava pouco mais de uma semana do primeiro turno das eleições presidenciais.
Na publicação de Gleisi, a deputada federal pelo Paraná – derrotada nas eleições ao Senado este ano – endossa que o artigo do economista é “fundamental para enfrentar essa ofensiva terrorista sobre a política fiscal”.
A principal defesa de Lara Resende, que foi abraçada por Gleisi, está em apontar os “juros absurdos” como principal causa do desequilíbrio fiscal no País, e não os gastos primários.
O economista propõe que a taxa Selic caia dos atuais 13,75% ao ano para um patamar de 7,5% dentro do prazo de 12 meses, a partir de metas estabelecidas para um período de quatro a cinco anos à frente, estabelecidas pelo que chama de Conselho Fiscal e Monetário Nacional (CFMN).
“As metas de inflação seriam anunciadas em conjunto com metas para a taxa básica de juros”, sugere Lara Resende em seu artigo.
Mercado nervoso
Enquanto o governo ainda discute possíveis medidas fiscais, cresce a expectativa por sinais do presidente Lula sobre os rumos da política econômica em seu quarto mandato – esse é mais um capítulo do nervosismo acumulado pelo mercado financeiro.
Após as ações na B3 desabarem na segunda-feira, 26 de outubro, um dia após Lula ser reeleito no segundo turno, duas semanas depois o Ibovespa manteve sua trajetória de queda, com recuo de 1,42% na segunda, 3 de novembro.
Nesse contexto, o consultor de Orçamento do Senado, o economista Daniel Couri, analisa que a situação fiscal brasileira é “grave” e precisa ser combatida com certa urgência.
“No cenário ideal, o governo poderia endereçar já ao Congresso uma agenda de compromisso com a estabilização da dívida”, disse ao NeoFeed.
“O governo deveria sinalizar na agenda fiscal uma desaceleração das despesas primárias. As pessoas precisam fazer a conta e enxergar a estabilização da dívida. E hoje ninguém consegue enxergar.”
Como mostrou o NeoFeed, vários economistas vêm defendendo que o governo já dê sinais claros quanto à sua política fiscal ainda em 2026. Como efeito, o governo sinalizou semana passada que enviará ao Legislativo um projeto de lei complementar para perseguir o centro da meta fiscal em 2027.








