Em meio à disputa eleitoral, em que temas como o ajuste fiscal e as altas taxas de juros ganham as manchetes econômicas, um tema tem passado sem ser debatido: a meta de inflação. E uma voz não tem dúvida de que é preciso rever esse assunto.
É André Freitas, CEO e CIO da Hedge Investments, que defende que a meta de inflação de 3% está desconectada da realidade da economia brasileira. Em sua avaliação, a tentativa de perseguir esse objetivo obriga o Banco Central a manter os juros elevados por períodos prolongados, com reflexos sobre a atividade econômica, crédito e dívida pública.
“O Brasil tem uma economia de alta indexação, salários, aluguéis. É muito difícil. Você tem uma memória inflacionária grande”, diz Freitas em entrevista ao Café com Investidor, programa que é uma parceria entre o NeoFeed e a CNN Brasil, exibido quinzenalmente na CNN Money.
Freitas argumenta que o cenário internacional mudou desde a definição da meta atual. Segundo ele, fatores como o aumento dos custos de frete, tensões geopolíticas, cadeias de suprimentos menos eficientes e um ambiente de menor globalização pressionam a inflação em diferentes países. “Hoje, tudo conspira para a inflação ser mais alta. O frete é mais caro, a oferta de produto é mais cara, a oferta de insumo é mais cara”, afirma.
O CEO da Hedge, uma das casas pioneiras em fundos imobiliários e que tem R$ 12 bilhões sob gestão, também questiona o histórico do regime de metas brasileiro. Segundo ele, em quase três décadas, a inflação ficou abaixo de 4% em poucos momentos, parte dos quais ocorreu durante períodos de recessão após o impeachment da presidente Dilma Rousseff.
Em sua visão, uma eventual revisão da meta deveria vir acompanhada de um ajuste fiscal. “Não basta simplesmente mudar a meta. Você tem que fazer um pacote fiscal que tenha credibilidade e seja exequível”, diz Freitas.
Outro tema abordado por Freitas foi a discussão sobre o futuro dos produtos incentivados, como fundos imobiliários, CRIs e instrumentos ligados à infraestrutura e ao agronegócio. O executivo argumenta que existe um equívoco ao tratar esses veículos como integralmente isentos de tributação.
“Os fundos não são isentos. As pessoas físicas, desde que enquadradas nas regras que permitem a isenção, são isentas na distribuição de dividendos”, afirma Freitas.
Na defesa dos incentivos, Freitas afirma que esses instrumentos ocuparam o espaço deixado pela redução do crédito direcionado e ampliaram a participação do mercado de capitais no financiamento de setores da economia. Segundo ele, hoje, 48% do financiamento imobiliário já vem do mercado de capitais.
O gestor também destaca o papel dos fundos na pulverização do investimento. “Quando uma pessoa que tem menos de R$ 30 mil vai conseguir investir em um shopping center que vale bilhões ou em um projeto logístico que vale milhões?”, questiona.
Ao falar dos segmentos imobiliários, Freitas afirma estar posicionado em shopping centers e galpões logísticos. Nos shoppings, ele cita crescimento de vendas e de resultados das operações.
Um exemplo é o HGBS11, pioneiro na indústria de fundos imobiliários. O fundo tem um portfólio de 19 empreendimentos, grande parte deles concentrados no estado de São Paulo.
Ao longo de duas décadas, ampliou sua carteira por meio de aquisições e novas emissões de cotas, captando aproximadamente R$ 3,22 bilhões. “Acreditamos bastante na categoria de shopping centers. Tem tido crescimento de vendas e crescimento de lucro líquido”, afirma Freitas.
Na logística, o gestor menciona a taxa de vacância entre 5% e 6% e a expansão de empresas ligadas ao comércio eletrônico como fatores que sustentam a demanda por galpões.
Para Freitas, uma combinação de vacância menor e eventual redução dos juros poderia beneficiar os fundos imobiliários nos próximos anos. “Você vai ter ganho na renda, valorização do produto e o dividendo distribuído também vai ser atrativo”, diz.









