Os mísseis serão destinados ao sistema de defesa aérea da Ucrânia e sairão dos estoques das Forças Armadas da Alemanha, disse Pistorius.
“Apelo a todos os membros do Grupo de Contato para a Defesa da Ucrânia que verifiquem seus próprios estoques e façam fornecimentos semelhantes”, afirmou o ministro alemão.
Boris Pistorius fez o anúncio ao final de uma reunião por videoconferência do Grupo de Contato para a Defesa da Ucrânia, criado em abril de 2022 para coordenar o apoio militar internacional à Ucrânia e que reúne cerca de 50 países, incluindo Portugal.
Ainda não se sabe a quantidade de mísseis que a Alemanha enviará nem quando o fornecimento à Ucrânia será concretizado. O país é atacado e invadido militarmente pela Rússia há mais de quatro anos.
Por outro lado, a Espanha anunciou, ao final da mesma reunião, que fornecerá em breve à Ucrânia equipamentos autônomos de geração de energia para garantir o abastecimento elétrico.
Em um comunicado, o Ministério da Defesa espanhol lembrou que a Espanha já enviou para a Ucrânia mais de 70 mísseis de defesa aérea de diferentes tipos, incluindo Patriot, e garantiu que Madri continuará oferecendo todo o apoio que puder a Kiev na área de defesa aérea.
Esses anúncios se somam a outro feito nesta terça-feira pela União Europeia (UE), que autorizou a Ucrânia a utilizar recursos do empréstimo europeu de 90 bilhões de euros para comprar mísseis interceptadores Patriot, fabricados nos Estados Unidos.
“Saúdo o acordo alcançado pelos Estados-membros sobre a derrogação que permite à Ucrânia adquirir produtos essenciais para os sistemas de defesa aérea Patriot”, afirmou a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, em uma publicação nas redes sociais.
A chefe do Executivo comunitário destacou que, com essa autorização, o próximo desembolso de 3,2 bilhões de euros do empréstimo permitirá que a Ucrânia “proteja melhor seus céus contra os ataques indiscriminados da Rússia”.
“Esse valor se soma aos 8,4 bilhões de euros já desembolsados no âmbito do empréstimo, inclusive para a defesa aérea”, indicou Von der Leyen, prometendo ainda que a UE continuará trabalhando “para apoiar a Ucrânia e reforçar a capacidade de defesa da Europa”.
O secretário-geral da OTAN, Mark Rutte, também comemorou o acordo alcançado nesta terça-feira entre os Estados-membros e lembrou que, no ano passado, a Aliança Atlântica disponibilizou mais de 10 bilhões de dólares (cerca de 8,6 bilhões de euros) por meio da Lista de Requisitos Prioritários para a Ucrânia (PURL), mecanismo usado para coordenar a aquisição de armamentos para Kiev.
“A UE e a OTAN continuarão trabalhando lado a lado para apoiar a Ucrânia. É mais um exemplo de a Europa assumir suas responsabilidades”, afirmou Rutte em uma publicação nas redes sociais.
Com o acordo alcançado nesta terça-feira, a UE abre uma exceção à regra de “preferência europeia” estabelecida no empréstimo de 90 bilhões de euros à Ucrânia, permitindo que Kiev compre, com recursos europeus, equipamentos norte-americanos para os mísseis Patriot.
Kiev tem alertado para a necessidade urgente de mísseis interceptadores Patriot, fabricados nos Estados Unidos e os únicos capazes de neutralizar os mísseis balísticos russos, que voam em alta velocidade e seguem trajetórias muito inclinadas.
Os ataques russos contra o território ucraniano, especialmente contra Kiev, se intensificaram nos últimos meses.
Na noite de segunda-feira, novos ataques deixaram pelo menos duas pessoas mortas e oito feridas na capital ucraniana, após uma trégua por ocasião da visita de emissários norte-americanos que tentavam retomar as negociações de paz entre Moscou e Kiev.
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