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A Alemanha trabalha em um novo e ambicioso programa de incentivos para a compra de carros elétricos e híbridos plug-in, com início previsto para 2026. A proposta prevê o aporte de 3 bilhões de euros, recursos que sairão do fundo climático e de transformação do país, com foco declarado em famílias de baixa e média renda, incluindo tanto compras diretas quanto contratos de leasing.
A iniciativa, segundo reportou o site Foro de Coches Eléctricos, surge após a forte retração do mercado no fim de 2023, quando a retirada abrupta dos subsídios deixou o setor de veículos elétricos em queda acentuada. Agora, o governo alemão busca recuperar o ritmo da eletrificação para cumprir suas metas climáticas. Segundo estimativas da consultoria Deloitte, o novo bônus pode gerar cerca de 180 mil emplacamentos adicionais de carros elétricos por ano. Mantido até o fim da década, o programa poderia viabilizar a entrada de até 750 mil veículos elétricos extras no mercado até 2030.
Apesar do potencial de crescimento, o plano levanta uma preocupação relevante dentro do setor automotivo europeu. A própria Deloitte alerta que a capacidade produtiva de veículos elétricos na Europa pode não ser suficiente, ao menos no curto prazo, para atender ao aumento de demanda provocado pelos incentivos públicos.
Na prática, isso significa que o dinheiro público alemão pode criar um pico artificial de consumo que os fabricantes com fábricas no continente não conseguem suprir sozinhos. Em um mercado globalizado, a consequência tende a ser clara: aumento das importações.
Nesse cenário, marcas chinesas como BYD, MG e NIO surgem como as mais bem posicionadas para ocupar esse espaço. Elas contam com excesso de capacidade produtiva, cadeias de suprimentos altamente competitivas e maior agilidade para responder rapidamente a picos de demanda.
Com incentivos generosos disponíveis ao consumidor final e uma oferta limitada de modelos produzidos localmente, a tendência é que veículos importados ganhem participação, ainda que o objetivo inicial do programa seja acelerar a transição energética interna. O risco apontado pelo setor é que a política acabe financiando, em grande escala, carros fabricados fora da Europa, especialmente na China.
Outro ponto sensível do plano alemão é a ausência de critérios industriais claros. Pelo desenho atual, não há exigência de conteúdo local mínimo ou de valor agregado produzido na Europa para que um veículo tenha acesso ao subsídio.
A Deloitte sugere a adoção de critérios de conteúdo local, não como forma de excluir marcas específicas, mas para evitar que recursos públicos acabem subsidiando produção estrangeira. O governo alemão reconhece a possibilidade de discutir esse tipo de exigência no futuro, desde que seja compatível com a legislação europeia, mas não apresentou prazos nem compromissos concretos.

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Fonte: Motor1 Brasil
França adota caminho diferente
A situação alemã contrasta com o modelo adotado pela França, que reformulou seu bônus ecológico com base em um eco-score. O sistema considera a pegada de carbono do veículo ao longo de todo o ciclo de vida, incluindo fabricação e transporte. Sem proibir explicitamente carros produzidos fora da Europa, o método favorece a produção local e dificulta o acesso de modelos fabricados na China aos incentivos.
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Fonte: UOL









