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A nova tentativa da Marisa para estancar a crise: menos lojas e foco na “prateleira do meio”


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Em uma crise que se estende há mais de uma década, a Lojas Marisa enfrenta a necessidade de reavaliar sua posição no mercado e voltar a crescer no mercado do varejo de moda. A empresa reconhece que não compete mais com líderes como Riachuelo e C&A, mas busca se estabelecer como uma opção acessível entre marcas populares.

Para isso, planeja reduzir preços, simplificar lojas e diversificar seu sortimento, focando em atender a classe C, além de expandir para o público masculino e infantil.

A Marisa já fechou 20 lojas sob a gestão atual e pode continuar a reduzir sua presença física. A companhia saiu de 416 para atuais 206 lojas. E pode seguir fechando. No início, a varejista fechou uma flagship na Avenida Paulista.

O CEO Edson Garcia acredita que a empresa pode se beneficiar do fim da taxa das blusinhas, mantendo preços 20% abaixo das líderes.

Segundo o executivo, a recuperação total pode levar de um a dois anos. A governança também foi reestruturada, reduzindo o número de diretorias.

As ações da Marisa, no entanto, continuam a desvalorizar, refletindo a fragilidade financeira da companhia. O valor de mercado da companhia é de R$ 328,6 milhões.

* Resumo gerado por inteligência artificial e revisado pelos jornalistas do NeoFeed

Em uma crise financeira que já dura mais de uma década, com várias tentativas de recuperação e um recorde de cinco CEOs no intervalo de dois anos, a Lojas Marisa tenta, mais uma vez, encontrar seu caminho para recuperar fôlego e resgatar seu patamar de relevância no varejo de moda brasileiro.

Após registar prejuízo de R$ 520 milhões em 2023, o auge de sua crise, a companhia agora decidiu calibrar seu tamanho e reconhecer que não tem a mesma dimensão das líderes Riachuelo, C&A e Renner. Mas que também é maior do que as marcas populares Caedu e Lojas Torra. Na visão da empresa, a Marisa está na “prateleira do meio”.

E é justamente nesta avenida que a empresa planeja a virada, com um público que hoje encontra dificuldades para gastar nas principais redes brasileiras, e que também quer algo com um pouco mais de qualidade do que as lojas mais baratas.

Isso significa, na prática, adotar um conjunto de ações, como reduzir significativamente os preços, simplificar as lojas, reduzir custos, mudar o sortimento disponível nas unidades, enxergar oportunidades para atender também o público masculino e infantil, e voltar a mirar, sem rodeios, a mulher da classe C.

“Estamos buscando essa coluna do meio, para oferecer uma moda acessível para a cliente mais popular e que seja um bom custo-benefício para a mais posicionada. Eu vejo isso como um oceano azul”, diz Edson Garcia, CEO da Marisa, em entrevista ao NeoFeed.

Neste caminho de mudança, uma ação necessária foi aceitar a necessidade de diminuir de tamanho, do ponto de vista físico mesmo. A empresa, que já teve 416 lojas há 10 anos, hoje tem menos da metade, 206. E pode cair mais este número.

“Se a rentabilidade não vem, a gente toma uma decisão, de forma pragmática, de não ficar com um parque de lojas que puxa a gente para baixo. A gente precisa rentabilizar a empresa”, afirma ele. “Se ela não é rentável e não dá para reverter, a gente fecha.” Segundo ele, somente em sua gestão foram cerca de 20 lojas fechadas.

A confirmação de que agora não há nenhuma loja “intocável” envolveu uma que era considerada simbólica, uma flagship de 1,2 mil metros quadrados (m²), de três andares, nas esquinas da Avenida Paulista com a Peixoto Gomide, fechada no início do ano.

O problema é que havia outra unidade da Marisa na Paulista, a pouco mais de um quilômetro de distância, que, de certa forma, gerava uma canibalização entre si do negócio. Agora, ela cresceu 30% e absorveu a maior parte dos clientes da megaloja.

Segundo ele, não fazia sentido manter uma unidade aberta que frequentemente fechava no vermelho, ainda que ela fosse simbólica.

“Era a mais cara, menos rentável, tinha o pior layout. A experiência de loja não era boa. Nenhuma outra grande varejista de moda tinha duas lojas na Paulista. E a gente já percebeu uma migração importante para a outra unidade. Uma decisão dessa é difícil, mas necessária”, afirma o CEO.

Ainda que o executivo demonstre otimismo para o futuro da companhia, ele reconhece que este movimento veio um pouco mais tarde do que o ideal. Garcia está à frente da operação da Marisa desde março de 2024.

Mesmo que no meio deste turnaround e com um caminho a ser percorrido para voltar ao ponto de equilíbrio, Garcia enxerga no momento uma espécie de vantagem em relação às principais varejistas, que é o impacto do fim da taxa das blusinhas. A Marisa, segundo ele, vai sentir menos.

“Apoiamos o movimento do setor. Seria importante ter isonomia e não uma concorrência desleal. A Marisa se defende disso a partir do novo posicionamento de preço. Quem tem renda menor, arrisca menos. E aí prefere comprar de uma loja física que de uma plataforma asiática. Neste ponto, a gente sofre menos”, diz ele.

Hoje, o CEO diz que os preços da Marisa são cerca de 20% mais baratos do que os das líderes, mas está posicionado também cerca de 20% acima das lojas populares.

Ainda assim, o CEO da Marisa enxerga uma estrada ainda demorada para consolidar o resultado e reverter o balanço. Para ele, serão necessários mais alguns trimestres.

“Vejo um caminho de médio prazo para sair desta situação. Mas a consistência é o mais importante. Não vemos ver essa mudança em dois ou três trimestres. Talvez em um ou dois anos”, afirma o executivo.

Na mudança estrutural, a companhia também reavaliou sua governança. Segundo Garcia, foi necessário enxugar também o número de líderes. Ele afirma que a empresa saiu de 14 diretorias para atuais cinco.

No início de outubro, a companhia anunciou a chegada de Guilherme de Biagi Pereira (ex-Ri Happy) para a cadeira de CFO.

“Ele vem com o conhecimento em varejo. Foi um movimento planejado. O Guilherme tem uma visão muito forte de reestruturação e de redução de custos. Vai me ajudar a ter um pensamento mais pragmático nas linhas de despesa”, diz Garcia.

No segundo trimestre de 2026, a companhia reportou prejuízo líquido de R$ 68,4 milhões, revertendo lucro líquido de R$ 2,1 milhões. A receita líquida, de R$ 386,2 milhões, foi 2,1% menor do que a mesma base do ano anterior.

Ao fim do primeiro semestre, a dívida líquida chegou a R$ 394,8 milhões, alta de 42% sobre dezembro de 2025. A alavancagem é de 1,4 vez a dívida líquida sobre o Ebitda, contra 0,8 vez no fim do ano passado. O balanço do terceiro trimestre será divulgado no dia 12 de novembro.

Em fevereiro de 2023, a ação da Marisa passou a custar menos de R$ 1, o que a fez ser negociada pela primeira vez como uma penny stock. A varejista de moda também foi perdendo relevância para os researchs dos bancos. Itaú BBA e BTG Pactual deixaram de analisar a companhia.

Nesta segunda-feira, 2 de novembro, o papel fechou o pregão a R$ 0,64 na B3, alta de 1,6%. No acumulado de 2026, as ações AMAR3 registram desvalorização de 36,6%. Em 12 meses, a queda é de 45,3%. A Lojas Marisa tem valor de mercado de R$ 328,6 milhões.



Fonte: NeoFeed

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