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A nova frente de disputa entre as gestoras: a liderança nos ETFs


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O mercado brasileiro de ETFs está em rápida expansão, com 57 fundos lançados em 2026 e 14 em fase pré-operacional, seguindo 62 lançamentos em 2025.

Gestoras como XP Asset, BTG Pactual e Itaú Asset estão acelerando seus lançamentos, buscando ganhar espaço em um setor que ainda é pequeno, mas promissor. A XP lidera com 11 novos ETFs, enquanto a BTG aumentou sua carteira para 32 produtos. A Itaú Asset, que já ultrapassou a BlackRock, lançou cinco ETFs em 2026, totalizando 34.

A mudança regulatória em 2024, que favoreceu o modelo fee based, impulsionou a adesão aos ETFs, que tem crescido especialmente em renda fixa. O patrimônio dos ETFs no Brasil cresceu de R$ 50 bilhões em 2024 para R$ 146 bilhões em 2026, mas ainda representa apenas 1% do total da indústria de fundos.

A expectativa é que a regulamentação de ETFs ativos, prevista para 2027, possa acelerar ainda mais o crescimento do setor.

* Resumo gerado por inteligência artificial e revisado pelos jornalistas do NeoFeed

O mercado brasileiro de ETFs caminha para um novo recorde de lançamentos. Já são 57 fundos de índice lançados em 2026, segundo levantamento da Quantum Finance realizado a pedido do NeoFeed. Outros 10 estão em fase pré-operacional. Em 2025, foram lançados 62 produtos do tipo na B3.

Por trás da multiplicação de fundos, as gestoras buscam caminhos diferentes para conquistar o investidor. Casas como a Franklin Templeton preparam uma nova frente: os ETFs de gestão ativa, que ainda dependem de regulamentação para serem estruturados no Brasil.

“No nosso pipeline, queremos começar a falar de ETFs ativos assim que a regulação estiver mais clara”, afirma Marc Forster, diretor-chefe da Franklin Templeton no Brasil.

A gestora americana tem US$ 84 bilhões em ETFs globalmente. No Brasil, entrou nesse mercado por meio de Brazilian Depositary Receipts (BDRs) de ETFs, recibos negociados na B3 que representam cotas de fundos listados no exterior.

Em setembro deste ano, a Franklin lançou cinco BDRs de ETFs, com exposição a ações dos Estados Unidos, Índia e Taiwan, além de Bitcoin e Ether. A eventual abertura para ETFs ativos locais permitiria ampliar essa atuação com produtos estruturados no país.

A regulamentação está em discussão na Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Em abril, Claudio Maes, superintendente de Supervisão de Investidores Institucionais da autarquia, afirmou que a expectativa era realizar uma consulta pública em 2026 e publicar a regra em 2027.

Os BDRs, porém, já abriram uma porta para a gestão ativa. O J.P. Morgan obteve autorização específica do regulador e estreou em fevereiro o JEPI39, primeiro BDR de ETF de gestão ativa listado na bolsa brasileira. Até o fim do ano, a gestora, que tem cerca de US$ 4,3 trilhões sob gestão, projeta ter ao menos dez produtos do tipo no país.

Outro caminho cada vez mais explorado pelas gestoras é a renda fixa, que já responde por mais da metade dos lançamentos de ETFs deste ano. Na disputa por recursos, a aposta vai de títulos públicos e crédito privado a estratégias nas quais o gestor poderá escolher os ativos para tentar superar um índice de referência.

Entre as gestoras que aceleram na renda fixa está a XP Asset. Dos 11 ETFs lançados pela casa em 2026, sete estão nesse segmento. E a expansão deve continuar. “Nossa estratégia é ampliar a grade de produtos. Nos próximos meses, vamos lançar ETFs de crédito privado. Temos vários novos produtos no forno”, diz Leandro Bousquet, CEO da XP Asset.

A gestora foi a que mais lançou ETFs neste ano entre os grandes nomes do setor. Tem 26 fundos de índice, com quase R$ 9 bilhões sob gestão, diante de um patrimônio total de R$ 280 bilhões.

Embora ainda representem uma parcela pequena do negócio, Bousquet espera que os ETFs sejam a frente de maior crescimento em patrimônio nos próximos anos, tanto em termos absolutos quanto proporcionais.

Outras casas concentram suas apostas na mesma classe de ativos. A Nu Asset lançou quatro ETFs em 2026, todos de renda fixa. A Grão Gestora colocou dois produtos no mercado, também nesse segmento.

Já a BlackRock, maior casa de ETFs do mundo, se prepara para lançar seus primeiros ETFs de renda fixa no Brasil ainda este ano, segundo informação adiantada por Bruno Barino, country manager da BlackRock no Brasil, ao NeoFeed. A gestora conta atualmente com R$ 30 bilhões em ETFs no país.

A escolha pela renda fixa aproxima a oferta do perfil do investidor brasileiro e ajuda a explicar por que os ETFs começam a ganhar tração mais de duas décadas depois da estreia do primeiro produto local, o PIBB11, lançado em 2004 pela Itaú Asset em parceria com o BNDES.

“A bolsa era vista como um ambiente de negociação de ações, mas estamos no país da renda fixa. Hoje, já existe a percepção que a bolsa é um ambiente de negociação plural”, afirma Renato Eid, sócio e superintendente de estratégias indexadas da Itaú Asset.

Em abril, a gestora do Itaú ultrapassou a BlackRock ao atingir R$ 30 bilhões sob gestão no segmento. Em setembro, seu patrimônio já somava R$ 37,2 bilhões em ETFs. Mesmo na liderança, a casa lançou outros cinco ETFs em 2026 e chegou a uma prateleira de 34 produtos.

Com cinco lançamentos em 2026, a gestora chegou a 34 produtos. Mas Eid reconhece que ampliar a oferta, por si só, não garante uma vantagem duradoura. “No mundo hoje, qualquer produto é uma commodity. Você lança um ETF e, rapidamente, vem outro competidor e lança o mesmo fundo”, afirma.

Para o executivo, a diferenciação depende da relação com o investidor. “Muito da nossa capacidade de distribuição vem da construção que fazemos antes de sair para a rua para falar com o cliente. Nosso propósito é caminhar com o investidor ao longo da vida financeira dele, isso gera uma relação de confiança.”

Salto do mercado

O interesse nessas novas frentes acompanha o salto do mercado. O patrimônio dos ETFs no Brasil passou de cerca de R$ 50 bilhões no fim de 2024 para R$ 146 bilhões em 2026, segundo os dados mais recentes da B3. Mesmo assim, representa pouco mais de 1% do patrimônio da indústria nacional de fundos.

É essa distância que alimenta a ambição das casas. Os gestores ouvidos pelo NeoFeed acreditam que o segmento pode chegar à casa do trilhão de reais. Transformar esse potencial em negócio, no entanto, exige mais do que lançar produtos.

Como os ETFs tendem a cobrar taxas de administração menores que as dos fundos tradicionais, as gestoras precisam reunir grandes volumes de recursos para gerar receitas relevantes. A capacidade de distribuição se torna tão importante quanto a variedade da prateleira.

Na BTG Pactual Asset, sete lançamentos em 2026 levaram a oferta a 32 ETFs. O patrimônio nessa frente chegou a quase R$ 24 bilhões, ante cerca de R$ 1 bilhão no fim de 2024.

“Ainda é um valor pequeno perto do nosso total sob gestão, que está em R$ 1,4 trilhão. Mas essa é uma indústria que está acontecendo agora. Vamos continuar aumentando nossa penetração, nesse que é um core business para nós”, afirma Tiago Lima, sócio e head de distribuição da BTG Asset.

Uma mudança na remuneração da assessoria também contribui para abrir espaço aos ETFs. Desde novembro de 2024, dispositivos da Resolução 179 da CVM exigem maior transparência sobre a remuneração dos intermediários e seus potenciais conflitos de interesse.

Na avaliação dos gestores, essa transparência favorece o avanço do modelo fee based, no qual o cliente paga diretamente pelo serviço de assessoria. Com isso, a escolha dos investimentos fica menos dependente das comissões pagas pelos produtos.

A mudança beneficia os ETFs, que oferecem pouca ou nenhuma comissão de distribuição e, por essa razão, tinham menos apelo no modelo tradicional. “É um movimento que vimos na indústria americana e que, nos últimos anos, começou a ganhar notoriedade na brasileira”, diz Lima, do BTG.

A combinação de novas estratégias e mudanças na distribuição ajuda a explicar a corrida atual. A renda fixa aproxima os ETFs do investidor brasileiro e a gestão ativa promete ampliar as possibilidades das gestoras.

Mas, em um mercado no qual os concorrentes conseguem replicar rapidamente os produtos, o recorde de lançamentos será apenas uma etapa. A disputa decisiva será por quem consegue transformar a prateleira em patrimônio.



Fonte: NeoFeed

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