Negócios

Maior produtora independente de óleo e gás do Brasil só tem olhos e “energia” para o petróleo




Enquanto grandes petroleiras investem em fontes renováveis para diversificar seus negócios, a Prio pretende continuar concentrada na produção de petróleo. A maior produtora independente de óleo e gás do Brasil não planeja avançar para segmentos como energia solar e eólica, apesar das transformações provocadas pela transição energética.

“Nós vamos continuar produzindo petróleo. A gente não vai mudar para outra energia, para outro tipo de coisa”, afirmou Roberto Monteiro, CEO da Prio, em entrevista ao Bravamente, programa de Carlos Burle em parceria com o NeoFeed.

A estratégia contrasta com a de algumas concorrentes internacionais. A francesa TotalEnergies firmou uma parceria com a Casa dos Ventos para desenvolver um portfólio de projetos renováveis de 12 gigawatts (GW) até 2030 no Brasil, incluindo ativos em operação, construção e desenvolvimento.

A norueguesa Equinor também diversificou seus investimentos no País. A companhia participa dos complexos solares Apodi, no Ceará, com 162 megawatts (MW), e Mendubim, no Rio Grande do Norte, com 531 MW, ambos em operação. Já a britânica BP assumiu o controle integral da antiga BP Bunge Bioenergia, negócio que reúne 11 unidades agroindustriais de açúcar e etanol.

A Petrobras mantém o petróleo como prioridade, mas também aposta em negócios de baixo carbono. Seu plano de investimentos para 2026 a 2030 prevê US$ 109 bilhões, dos quais US$ 13 bilhões estão associados à transição energética, incluindo biocombustíveis, descarbonização das operações e pesquisa e desenvolvimento.

Para Monteiro, a escolha da Prio está relacionada à especialização da companhia, cujo modelo de negócios se baseia na aquisição de campos maduros de petróleo e na busca por ganhos de eficiência operacional.

“O fato de você produzir petróleo não quer dizer que você vai produzir energia elétrica bem”, afirmou. O executivo considera necessária a transição energética, mas acredita que o petróleo continuará relevante por muitos anos.

Os resultados do terceiro trimestre de 2026, divulgados na quarta-feira, 4 de novembro, mostram o crescimento dessa operação. A Prio registrou receita total de US$ 1,6 bilhão, alta de 171% em relação ao mesmo período de 2025.

O Ebitda ajustado alcançou US$ 1,1 bilhão, crescimento de 235%. O lucro líquido, na mesma base, chegou a US$ 521 milhões, avanço de 468%.

A produção média atingiu o recorde de 191,6 mil barris por dia, aumento de 117% na comparação anual, impulsionada principalmente pelos campos de Wahoo, Frade e Peregrino. O volume vendido também foi recorde, de 17,2 milhões de barris. Já o custo de extração, conhecido como lifting cost, caiu 55%, para US$ 7,9 por barril.

O avanço operacional veio acompanhado de uma redução na intensidade das emissões de gases de efeito estufa. No terceiro trimestre, o indicador dos escopos 1 e 2 recuou 54% em relação ao mesmo período de 2025, para 17,7 quilos de CO² equivalente por barril de óleo equivalente produzido.

Um dos fatores foi a conclusão do reparo do gasoduto de Peregrino, em setembro, que permitiu reduzir o consumo de diesel na geração de energia do campo por meio da utilização de gás natural.

Para o executivo, a continuidade da produção de petróleo não precisa significar abrir mão da responsabilidade ambiental. A ambição declarada é combinar eficiência operacional, redução do impacto ambiental e retorno aos acionistas.

“A gente tenta reduzir ao máximo a nossa pegada de CO². A gente tenta ser o mais eficiente possível e, depois do nosso resultado, devolver para a sociedade”, disse Monteiro.



Fonte: NeoFeed

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