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Maluhy, do Itaú, pede previsibilidade fiscal a Lula e defende volta do grau de investimento


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Milton Maluhy Filho, CEO do Itaú Unibanco, destacou a importância de o governo Lula fornecer previsibilidade fiscal e trabalhar para recuperar o grau de investimento do Brasil, perdido há mais de uma década.

Ele enfatizou que a definição do novo ministro da Fazenda e suas diretrizes são cruciais para reduzir a volatilidade do mercado e permitir uma queda sustentável dos juros. Maluhy expressou preocupação com a deterioração das perspectivas econômicas para 2027, que incluem revisões de crescimento e aumento do desemprego.

O CEO do Itaú alertou sobre os riscos de uma redução forçada das taxas de juros sem condições macroeconômicas adequadas, o que poderia elevar o custo de financiamento.

Apesar de um cenário desafiador, o Itaú reportou lucro de R$ 12,6 bilhões no terceiro trimestre de 2026, refletindo uma estratégia focada em clientes resilientes e eficiência operacional. Maluhy afirmou que o banco está preparado para enfrentar um ambiente econômico adverso.

* Resumo gerado por inteligência artificial e revisado pelos jornalistas do NeoFeed

Em meio às incertezas sobre os rumos da política econômica após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o Itaú Unibanco defende que o governo dê sinais claros sobre sua agenda fiscal e trabalhe para recuperar o grau de investimento do Brasil, perdido há mais de uma década.

Para Milton Maluhy Filho, CEO da instituição financeira, a definição de quem estará à frente do Ministério da Fazenda e das diretrizes que serão adotadas pela equipe econômica serão fundamentais para reduzir a volatilidade dos mercados e criar condições para uma queda sustentável dos juros.

“O mercado, por definição, não tem partido. O mercado olha para propostas concretas”, afirmou Maluhy na quarta-feira, 4 de novembro, durante entrevista coletiva sobre os resultados do terceiro trimestre.

O executivo evitou comentar as especulações sobre possíveis mudanças na política fiscal, especialmente as discussões envolvendo o peso dos juros sobre a dívida pública. O tema veio à tona por conta da proposta de reforma monetária e fiscal apresentada pelo economista André Lara Resende.

Segundo Maluhy, ainda não existem propostas concretas que permitam uma avaliação mais aprofundada. “Acho que não tem ainda uma discussão, acho que tem especulação”, disse.

“Todos aguardam uma definição. Definição em qualquer governo é importante, a definição de quem será o ministro da Fazenda e de que forma ele vai atuar”, acrescentou.

Maluhy lembrou que o Brasil viveu um período favorável para os mercados durante os primeiros mandatos de Lula, quando o País conquistou o grau de investimento. O selo foi perdido há mais de uma década, em meio à deterioração das contas públicas.

Sua recuperação deveria ser um objetivo do governo, na avaliação do executivo, que destacou que boa parte dos países da região conta com essa classificação.

“Perdemos o título de investment grade e eu acho que esse é um bom objetivo para o País, voltar a ter o selo de grau de investimento”, afirmou.

“Isso [a perda do título] afeta a capacidade de financiamento do País, seja do ponto de vista de volume de recursos, seja do ponto de vista de preço e capacidade de financiamento”, complementou.

A preocupação de Maluhy surge em um momento de deterioração das perspectivas econômicas para 2027, com revisões das projeções de crescimento, desemprego, inflação e juros para o próximo ano.

O cenário que começa a se desenhar combina atividade mais fraca, maior comprometimento da renda das famílias e condições de financiamento mais restritivas para as empresas.

Diante da perspectiva de manutenção dos juros em patamar restritivo por um período prolongado, Maluhy alertou para os riscos de tentar acelerar sua redução sem que existam condições macroeconômicas para isso.

Na avaliação do executivo, uma queda forçada das taxas de curto prazo poderia provocar o efeito contrário no mercado de juros longos, elevando o custo de financiamento das empresas e das famílias diante do aumento da percepção de risco.

“É do interesse de todos trabalhar com juros estruturalmente mais baixos, mas, para isso, a gente precisa criar as condições”, disse. “O risco que a gente corre é imaginar que a queda de juros de curto prazo pode ser feita na força bruta.”

Apesar do tom cauteloso em relação à economia brasileira, Maluhy afirmou que o Itaú está preparado para enfrentar um ambiente mais adverso em 2027, apoiado na qualidade da carteira de crédito, na diversificação de receitas e na disciplina de gestão de riscos. “Nunca estivemos tão preparados para enfrentar qualquer que seja o cenário”, afirmou.

O Itaú encerrou o terceiro trimestre de 2026 com lucro recorrente gerencial de R$ 12,6 bilhões, crescimento de 6,7% em relação ao mesmo período do ano passado. O resultado veio em linha com as projeções da Bloomberg.

O retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) chegou a 23,6% no consolidado e a 24,5% nas operações brasileiras, enquanto a carteira de crédito alcançou R$ 1,5 trilhão, com expansão de 10,9% em 12 meses.

Segundo Maluhy, os resultados refletem uma estratégia de longo prazo, baseada na concentração em clientes mais resilientes aos ciclos econômicos e em produtos com maior participação de garantias, além de investimentos em tecnologia e eficiência operacional.

Mesmo diante de resultados novamente considerados robustos pelo mercado, Maluhy reconheceu que o Itaú não está imune aos efeitos de uma deterioração da economia, especialmente num cenário de juros elevados e menor crescimento da atividade.

“Isso [estratégia do banco] faz com que o balanço fique cada vez mais robusto para que a gente possa atravessar esses ciclos que não são sem desafios, mas não somos imunes, naturalmente”, disse.

Maluhy afirmou que o banco pretende continuar buscando ganhos de eficiência, especialmente se a desaceleração econômica limitar o crescimento das receitas, além de ampliar os ganhos provenientes de serviços, seguros e da oferta de outros produtos aos clientes.

Por volta das 11h07, as ações preferenciais do Itaú subiam 2,73%, a R$ 39,54. No ano, os papéis do banco acumulam alta de 1%, levando o valor de mercado a R$ 465,5 bilhões.



Fonte: NeoFeed

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