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Em agosto de 2026, o volume de ações negociadas entre 20h e 4h nos EUA cresceu 359% em relação ao ano anterior, totalizando 144,6 milhões de papéis e US$ 7,4 bilhões em valor financeiro. Embora represente menos de 1% do mercado total, a negociação noturna está se expandindo, impulsionada por investidores internacionais, especialmente da Ásia.
Contas estrangeiras corresponderam a 37% do volume noturno no segundo trimestre de 2026. A Nasdaq planeja operar 23 horas por dia a partir de dezembro, introduzindo uma nova sessão noturna. A Robinhood relatou que 70% de suas operações com ações tokenizadas ocorrem fora do horário regular. A parceria entre empresas de blockchain e bancos tradicionais está crescendo, com a Ripple expandindo sua colaboração com o BNY para serviços de custódia de ativos digitais.
A modernização da infraestrutura financeira é vista como essencial para facilitar a entrada de investidores estrangeiros e otimizar operações internacionais.
* Resumo gerado por inteligência artificial e revisado pelos jornalistas do NeoFeed
Nova York – Enquanto Wall Street dorme, uma parcela crescente dos investidores continua comprando e vendendo ações americanas. Em agosto de 2026, o volume médio diário de ações negociadas entre 20 horas e 4 horas nos Estados Unidos cresceu 359% em relação ao mesmo período de 2025, alcançando 144,6 milhões de papéis.
O valor financeiro movimentado nessa faixa chegou a US$ 7,4 bilhões por dia, alta anual de 249%, segundo levantamento da divisão de mercados e negociação da Securities and Exchange Commission (SEC).
Embora ainda represente menos de 1% do volume total do mercado dos EUA, a negociação noturna está ganhando escala e levando bolsas, corretoras e empresas de infraestrutura financeira a rever um modelo de funcionamento que, durante décadas, esteve concentrado em algumas horas do dia.
A demanda vem principalmente de investidores internacionais, com destaque para a Ásia. Para quem está em Hong Kong, Singapura ou Seul, o horário regular de Wall Street coincide com a noite ou a madrugada local. A possibilidade de negociar ativos americanos durante o próprio expediente abre uma nova janela de acesso ao maior mercado de capitais do mundo.
Segundo dados apresentados pela SEC, contas classificadas como estrangeiras responderam por 37% do volume de ações negociadas durante a madrugada no segundo trimestre de 2026. A participação de investidores institucionais americanos foi de aproximadamente 7%.
De olho nessa demanda, a Nasdaq pretende começar a operar 23 horas por dia, cinco dias por semana, a partir de 6 de dezembro. A mudança prevê a abertura de uma nova sessão entre 21h e 4h, no horário de Nova York, com uma pausa diária de uma hora para manutenção e processamento de operações.
Um mercado que, assim como a cidade, também não durma é uma das principais apostas de plataformas que trabalham com ativos tokenizados, já que essa camada de infraestrutura tecnológica permite representar ativos financeiros por meio de registros digitais em blockchain, abrindo caminho para negociações e transferências fora da infraestrutura convencional das bolsas.
Johann Kerbrat, vice-presidente sênior e responsável pelos negócios de criptoativos e internacionais da Robinhood, disse durante o Swell, evento promovido pela Ripple em Nova York, que cerca de 70% do volume negociado em ações e ETFs tokenizados da companhia acontece fora do horário regular das bolsas americanas.
De acordo com ele, desde o lançamento da oferta em julho, a operação de ativos tokenizados da Robinhood já havia ultrapassado 200 mil carteiras e movimentado bilhões de dólares. O movimento também está aproximando empresas de blockchain de grandes bancos tradicionais.
Durante o Swell, a Ripple anunciou a ampliação de sua parceria com o BNY, um dos maiores bancos custodiantes do mundo, para expandir os serviços de custódia de ativos digitais e explorar aplicações da tokenização no mercado financeiro.
“Isso faz parte de uma tendência dos bancos de serem cada vez mais crypto-friendly no mercado de ativos digitais”, afirma Silvio Pegado, diretor-geral da Ripple para a América Latina, ao NeoFeed.
Para que os mercados funcionem por mais horas, também é necessário modernizar a infraestrutura responsável pela movimentação de recursos, pela custódia de ativos e pela liquidação das operações. No Brasil, segundo Lucas Schoch, diretor de Desenvolvimento de Negócios da RippleX, essa mudança pode facilitar a entrada de investidores estrangeiros, além de reduzir significativamente o tempo necessário para realizar determinadas operações internacionais.
“É útil não só para grandes empresas, mas para investidores institucionais. Ainda é possível ganhar um tempo de cinco meses nesse fluxo operacional, com burocracia. Então, mesmo que a regulação seja exatamente como é hoje no mercado tradicional, só por esses rails a gente está falando de cinco meses a menos de operação, será um fluxo muito mais inteligente”, disse Schoch.
Na visão do executivo, parte dessa economia de tempo viria da redução de etapas operacionais e intermediários envolvidos na movimentação internacional de recursos. A tecnologia, porém, não elimina as exigências regulatórias aplicáveis aos investimentos.
*A jornalista viajou a convite da Ripple.









