A Boa Safra ainda será, por muito tempo, uma empresa de sementes de soja. Mas o plano da companhia é fazer com que esse negócio deixe de responder quase sozinho pela “colheita” dos resultados.
Depois de alcançar uma participação de aproximadamente 10% no mercado brasileiro de sementes de soja, a empresa passou a mirar uma divisão mais equilibrada dos negócios. Ou seja, metade do resultado vindo de seu principal produto e a outra metade de milho, sorgo, forrageiras, sementes para cobertura de solo e serviços prestados para outras empresas do agronegócio.
“Se conseguirmos fazer um trabalho tão bem-feito nas outras culturas quanto fizemos em sementes de soja, existe potencial para que 50% do nosso resultado venha da soja e 50% das demais culturas consolidadas”, afirma Felipe Marques, CFO da Boa Safra, em entrevista ao Números Falam, programa do NeoFeed em parceria com a CNN Brasil.
A projeção não tem prazo definido e ainda está distante. Ao fim do segundo trimestre de 2026, a soja representava 81% da carteira de pedidos. Mas o movimento de diversificação ganhou uma nova dimensão.
A carteira das demais culturas e serviços saltou de R$ 52 milhões para R$ 337 milhões em um ano e passou de 3% para quase 19% do total. O crescimento mais do que compensou a retração de 12% nos pedidos de sementes de soja e levou a carteira consolidada ao recorde de R$ 1,804 bilhão, 4% acima do registrado no mesmo período de 2025.
Essa expansão combina crescimento orgânico e as aquisições feitas pela companhia. A principal contribuição vem do milho, com a Bestway, empresa adquirida pela Boa Safra e dedicada ao beneficiamento e ao tratamento industrial de sementes de milho e sorgo.
A Boa Safra quer usar durante mais meses do ano a infraestrutura construída para atender um negócio fortemente sazonal. As unidades de beneficiamento de sementes de soja são utilizadas por aproximadamente três meses. As câmaras frias e estruturas de armazenagem, por cerca de seis meses. Nos demais períodos, parte dos ativos e das equipes permanece disponível.
Como as outras culturas obedecem a calendários agrícolas diferentes, elas permitem ampliar a utilização das fábricas, diluir custos fixos e aproveitar o mesmo acesso comercial ao produtor rural. O cliente que compra soja também precisa de sementes para a segunda safra e para a cobertura do solo.
“Por onde olhamos, existem captura de valor e sinergias. O one-stop shop não é apenas um nome bonito. É um divisor de águas para a companhia”, diz o CFO.
A Boa Safra encerrou o segundo trimestre com R$ 622 milhões em estoques de sementes de soja e concentra no segundo semestre a maior parte das entregas e do faturamento.
A melhora na gestão do capital de giro ajuda nessa travessia. A necessidade de capital de giro recuou de R$ 1,24 bilhão para R$ 769 milhões em um ano, passando de 66% para 29% da receita líquida dos últimos 12 meses.
Na B3, a ação SOJA3 acumula 33,8% de queda neste ano. O valor de mercado da companhia é de R$ 841,5 milhões.









