Depois de quase nove anos de promessas e uma série de adiamentos, a Tesla enfim apresentou ao público seu primeiro carro voador, o Roadster. Na noite de quinta-feira, 15 de outubro, diante de fãs e investidores reunidos numa área de testes da SpaceX em McGregor, no Texas, o esportivo elétrico fez manobras mais próximas de cena de dublê do que de lançamento de automóvel.
O automóvel rodou invertido numa rampa, sustentado por um mecanismo de sucção, decolou, deu uma pirueta e voltou ao asfalto com a ajuda de jatos de gás frio da SpaceX, a fabricante de foguetes também comandada por Elon Musk. Na segunda demonstração, acelerou em direção a uma fileira de carros da Tesla e saltou por cima deles, girando no ar. As duas manobras seguiram uma sequência pré-programada, sem ninguém ao volante.
Na prática, foram saltos curtos, impulsionados pelos propulsores. E a capacidade de voo fica restrita à versão mais extrema do Roadster, batizada de Rocket.
Com um único assento e propulsores distribuídos ao redor da carroceria, a versão Rocket será vendida apenas a convidados e, segundo a própria Tesla, não tem aprovação para rodar em vias públicas.
No palco, o próprio Musk fez ressalvas ao admitir que o Roadster não foi necessariamente otimizado para segurança e disse não ter certeza de que ele será legal em todas as jurisdições.
A produção fica para 2028 e a Tesla ainda não divulgou o preço. As reservas saem por US$ 50 mil a US$ 250 mil, dependendo da versão.
O Roadster é o projeto mais antigo, e o mais adiado, do portfólio atual da Tesla. O nome resgata o primeiro carro da empresa, um esportivo construído sobre o chassi do Lotus Elise e vendido entre 2008 e 2012. A segunda geração foi apresentada em novembro de 2017.
Na ocasião, Musk prometeu entregas a partir de 2020, aceleração de 0 a 96 km/h em 1,9 segundo, velocidade máxima acima de 400 km/h, cerca de 1.000 quilômetros de autonomia, quatro lugares e preço inicial de US$ 200 mil. O prazo de 2020, porém, passou sem que o carro chegasse, e começou ali uma longa sequência de atrasos.
Em fevereiro de 2024, Musk afirmou que a Tesla havia elevado “radicalmente” as metas do projeto e prometeu a apresentação para o fim daquele ano, com entregas em 2025.
A revelação foi remarcada para o fim de 2025, depois para 1º de abril de 2026 e, ao longo deste ano, para outras datas que também ficaram pelo caminho. Por fim, chegou a 1º de outubro, data que acabou adiada em duas semanas por previsão de mau tempo no local da demonstração.
Enquanto isso, quem pagou os US$ 50 mil de reserva seguiu esperando. Um deles, Sam Altman, CEO da OpenAI e rival declarado de Musk, desistiu em outubro de 2025 e pediu o dinheiro de volta. “Sete anos e meio pareceram muito tempo de espera”, escreveu no X. Musk respondeu que o reembolso havia sido feito em 24 horas.
O carro que finalmente subiu ao palco, porém, não é exatamente o que foi prometido. A aceleração até superou as metas de 2017. A versão de rua, batizada de Performance, vai de 0 a 96 km/h em menos de 1,6 segundo, e a Thrust, equipada com propulsores traseiros, faz o mesmo em menos de 0,9 segundo.
O restante, no entanto, encolheu. A autonomia informada é de mais de 480 quilômetros, cerca de metade do que havia sido anunciado. A velocidade máxima ficou acima de 370 km/h, abaixo dos mais de 400 km/h prometidos. E os quatro lugares viraram dois, ou apenas um, no caso da Rocket.
Sem preço definido, a única referência por ora são as reservas. A Tesla cobra US$ 50 mil para reservar a Performance, o mesmo valor exigido em 2017, e US$ 250 mil para a Thrust.
Há nove anos, essa quantia correspondia ao preço cheio da Founders Series, edição de lançamento limitada a mil unidades, quitada integralmente pelos compradores no ato da reserva.
Nenhuma unidade foi entregue. Agora, os mesmos US$ 250 mil servem apenas de sinal. Já a Rocket não tem valor de reserva, por ser oferecida somente a convidados.









