Que o Brasil é o “celeiro do mundo” não é novidade, mas a capacidade do campo de produzir está diretamente ligada ao financiamento da atividade rural. Essa relação esteve no centro dos debates do Global Agribusiness Festival (GAFFFF) 2026, realizado no coração de São Paulo. Maior ponto de encontro de cultura agro do mundo, o evento é apresentado pela XP, ao lado da Corteva, desde 2024 e oferece espaço para uma aproximação entre o produtor rural e a Faria Lima.
A busca por alternativas de financiamento ganha relevância em um cenário de juros elevados e margens pressionadas. Ao longo de dois dias, empresários, produtores e representantes do mercado financeiro discutiram como transformar a eficiência produtiva do agro brasileiro em rentabilidade e capacidade de investimento.
“O produtor brasileiro construiu uma competência reconhecida da porteira para dentro. Queremos contribuir da porteira para fora, aproximando o conhecimento do campo das soluções do mercado financeiro. O mercado de capitais avançou muito no agro, mas o acesso ainda está concentrado nas grandes empresas e há bons negócios que ainda não conseguem chegar no investidor. Nosso papel é estar perto de quem produz, entender suas necessidades e construir caminhos para ampliar esse debate”, afirma Pedro Freitas, head de agronegócio do Investment Banking da XP.
Isso passa por entender a particularidade de cada negócio. Embora cada cadeia tenha seu próprio ciclo, a necessidade de capital é um ponto comum. Nos debates, a geração de caixa ganhou destaque como critério para avaliar a capacidade de pagamento e o melhor momento para fazer novos investimentos em terras e maquinários, por exemplo.
A discussão sobre gestão de riscos também ganhou espaço no evento, indo além das oscilações do câmbio, dos desafios climáticos e dos preços das commodities. No agro, ainda é comum tratar o patrimônio do empresário e o da empresa como uma coisa só, concentrando os recursos da família e os riscos do negócio na mesma atividade. Essa sobreposição pode fragilizar a governança e limitar o acesso ao mercado de capitais, além de dificultar a preservação do patrimônio familiar e o planejamento sucessório.
“Nosso objetivo é aproximar o produtor rural e as empresas do agro das alternativas disponíveis no mercado de capitais. O campo brasileiro já demonstrou sua capacidade de execução e competitividade. O próximo passo é ampliar o acesso a instrumentos que permitam financiar crescimento, inovação e consolidação de forma mais eficiente. Eventos como o GAFFFF ajudam a construir essa ponte entre quem produz e quem investe”, afirma André Quaresma, head do Banco de Investimentos da XP.
As discussões ao longo dos dois dias também abordaram fusões e aquisições como caminho para ganhar escala, pelo avanço dos biocombustíveis e da eletrificação de frotas e as exigências de rastreabilidade para acessar mercados internacionais — temas que exigem capital e adaptação das empresas. Em sua passagem pelo palco principal, Guilherme Benchimol, fundador e presidente do conselho de administração da XP Inc., deixou um recado aos empreendedores do agro: crescer também exige atrair profissionais qualificados e construir negócios que não dependam da presença cotidiana de seus fundadores.









