Negócios

Na corrida offshore, Avenue aplica IA em até 85% do que produz na engenharia


Antes mesmo de a Avenue pensar em inteligência artificial como estratégia, os funcionários se dividiam entre os que começavam a testar por conta própria e perceber facilidades em suas tarefas diárias e os que eram claramente avessos à novidade. Hoje, porém, a empresa tem certeza de que a IA se tornou essencial para acelerar o crescimento do negócio.

Em entrevista ao Revolução IA, programa do NeoFeed com apoio da Casas Bahia, o cofundador e CTO da Avenue, Henry Conceição, disse que a tecnologia deixou de ser uma escolha e passou a ser um pré-requisito, ainda mais em um cenário em que os avanços tecnológicos podem acontecer de uma hora pra outra.

“Não é uma questão de se, é uma questão de quando”, afirmou. Na visão do executivo, uma diferença de produtividade de 20% ou 30% (números usados por ele como exemplo) já seria suficiente para deixar uma empresa em desvantagem.

A preocupação ganha peso diante da transformação do próprio mercado em que a Avenue atua. Quando a empresa nasceu, em 2018, a oferta de investimentos internacionais diretamente ao brasileiro ainda era restrita. Desde então, esse mercado atraiu bancos e plataformas como XP, Inter, C6 Bank, BTG Pactual, Bradesco e Santander, que passaram a disputar o cliente interessado em contas globais e investimentos no exterior.

A Avenue também mudou de posição nesse tabuleiro. Em 2022, o Itaú Unibanco comprou uma participação na empresa, com a opção de compra total da corretora até 2027 – hoje, o banco já controla a companhia.

O resultado é que a companhia que ajudou a abrir esse mercado passou a disputar espaço num setor em que grandes instituições financeiras também colocaram distribuição, capital e tecnologia na corrida pelo dinheiro do brasileiro no exterior.

O primeiro campo de ensaio foi a engenharia, setor que conta com 120 funcionários. Atualmente, entre 80% e 85% do que é produzido pelo time em códigos já passa, em algum momento, por um agente ou robô.

A aceleração no desenvolvimento, no entanto, levou a companhia a se deparar com um freio: outras áreas, como produto, design, revisão, validação e testes, não estavam avançando na mesma velocidade, o que começou a produzir gargalos. “Não adianta acelerar mais se a gente não resolver esses gargalos”, afirmou Conceição.

Embora não revele quanto a Avenue gasta com inteligência artificial, o cofundador diz que o desafio do momento é acelerar a implementação de IA de forma uniforme em todas as áreas da empresa, incluindo assessoria de investimentos para que 100% da base receba algum tipo de assessoria, seja humana ou automatizada.

Para ele, a inteligência artificial não vai resultar em redução do quadro de funcionários, porque “não faltam projetos” para serem executados.

Além disso, argumenta que se um assessor de investimento não consegue oferecer nada além do que a máquina pode oferecer, significa que “estava fazendo um trabalho que não tinha tanto valor para o cliente”. “A nossa necessidade, por muito tempo ainda, vai ser maior que a nossa capacidade de entregar”, disse.

Os resultados, por enquanto, vêm sendo medidos pelos ganhos na capacidade de atendimento e no NPS. O atestado de sucesso, na visão de Conceição, vai ser quando a empresa conseguir multiplicar de forma exponencial o número de clientes que consegue atender usando a mesma a estrutura que já tem.



Fonte: NeoFeed

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