Negócios

Dono da Regus traz três novas marcas ao Brasil e mira de médicos a escritórios de alto padrão


O portfólio de mais de 165 mil metros quadrados ocupados pelos coworkings da britânica IWG no Brasil mostra que a empresa não só resistiu à escalada do WeWork no País, a partir de 2017, como conseguiu crescer no vácuo da crise da rival americana, instaurada três anos depois.

Até aqui, essa expansão foi ancorada nas marcas Regus, Spaces e HQ. Agora, de olho em seguir avançando nesse terreno, o grupo está abrindo espaço para o lançamento de mais duas bandeiras do seu portfólio global no país, a Humanly e a OpenOffice, além de preparar a chegada da Signature.

“A ideia dessa estratégia multimarcas é capturar ainda mais o potencial no Brasil, onde o coworking ainda não representa nem 4% do mercado imobiliário”, diz Tiago Alves, CEO da IWG no Brasil, ao NeoFeed. “Eu tenho cada vez mais variação de preço, tamanho e localização para atender meu cliente”.

Lançada globalmente em janeiro deste ano e com uma primeira unidade inaugurada em março, no Reino Unido, a Humanly é o exemplo mais recente desse ganho de flexibilidade dos escritórios da IWG no país.

A marca é focada em coworkings de saúde e bem-estar, com unidades, em média, de 600 metros quadrados, e salas para médicos, psicólogos, psiquiatras, terapeutas, profissionais de estética e pilates. O formato também pode reservar espaço para clínicas, estruturadas sob o conceito de built to suit.

Neste mês, a IWG inaugura a primeira unidade da marca, em Canoas (RS). A segunda será aberta em outubro, em Pinheiros, na zona Oeste de São Paulo. O grupo tem ainda a previsão de assinar outros seis contratos até o fim de 2026 na capital paulista, no Rio de Janeiro e em Belo Horizonte.

“Nós estamos começando no mesmo ritmo que outras operações globais da Humanly, como Madri, Barcelona e Lisboa”, afirma Alves. “É um mercado ainda novo, inclusive no mundo, mas essa operação vai tracionar muito forte, pois os médicos com essas especializações têm muita carência de estrutura”.

No Brasil, uma das rivais que a IWG encontrará nesse espaço é a Livance, startup que já captou mais de R$ 115 milhões com investidores como Monashees, Astella, Terracotta Ventures, Green Rock e Cadonau, o investment office do Grupo Jereissati, dono do Iguatemi.

O mercado de saúde não é, porém, o único sinal de que a IWG está em boa forma para encarar a concorrência no Brasil. Segunda nova marca lançada recentemente no país, a OpenOffice também ressalta essa disposição.

Em julho, Niterói (RJ) recebeu a primeira unidade com esse logo. Outras cinco, em Ribeirão Preto (SP), São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte, já estão no pipeline de aberturas para este ano.

Com unidades que vão de 250 a 400 metros quadrados e mais centrada em municípios menores e bairros secundários de grandes centros, a OpenOffice é a marca mais acessível no portfólio da IWG. E os tamanhos e localizações não são os únicos elementos por trás dessa equação.

Os escritórios da OpenOffice não contam com salas de recepção nem atendimento telefônico. Os acessos são feitos via QR Code e funcionários da IWG visitam diariamente as unidades, para checar o andamento das operações, mas não há um profissional dedicado presencialmente 100% do tempo.

Esse formato vai ao encontro do modelo da IWG, no qual o investimento é feito pelos donos dos imóveis, enquanto o grupo faz a conversão com as suas bandeiras e opera as unidades. No caso da OpenOffice, essa conta acaba sendo mais atrativa para parte desse público.

“Uma unidade da Regus demanda um investimento de cerca de R$ 4 milhões. Já uma da OpenOffice, de 400 metros quadrados, de aproximadamente R$ 800 mil”, diz Alves. “Então, para nós, isso é muito importante, pois eu consigo jogar com as marcas dependendo do potencial de capex desse parceiro”.

Tiago Alves, CEO da IWG no Brasil

A próxima peça que deve ser incluída nesse tabuleiro é a Signature, a marca mais premium da IWG, composta por escritórios de alto padrão, em média, de mil metros quadrados, instalados nos melhores prédios das capitais e com grande foco em design, arquitetura e tecnologia.

Depois de testar esse formato com uma primeira unidade inaugurada no início de 2025, ainda com a bandeira Regus, a IWG está em negociações avançadas para a abertura de uma segunda operação na região da Faria Lima, em São Paulo, prevista para o primeiro trimestre de 2027.

Com esse novo passo, o plano é converter a primeira unidade para a bandeira da Signature. “A Signature é o inverso da OpenOffice e o que temos de mais exclusivo em escritórios”, diz Alves. “Até por isso, no futuro, vejo duas unidades em São Paulo, duas no Rio, uma em Belo Horizonte e uma em Brasília”.

Outras marcas

Além do novo trio de marcas locais, a Regus é a bandeira mais conhecida da IWG no País. A marca foi responsável pelo desembarque do grupo no Brasil, em 1995, e tem unidades mais sóbrias, de mil metros quadrados, em média, em prédios comerciais nas principais avenidas das capitais e grandes centros.

Já a Spaces é a marca mais despojada e aposta em prédios inteiros, com espaços de 2,5 mil a 8 mil metros quadrados. Enquanto a HQ, assim como a OpenOffice, investe em tamanhos menores, mas em um patamar acima, em média, de 500 metros quadrados, com recepção e funcionários presenciais.

Essa diversificação coincide com o bom momento vivido pelo mercado de coworkings no Brasil. Segundo o Censo do setor, realizado pela plataforma Woba, o segmento fechou 2025 com 3.886 espaços em operação, um crescimento anual de 30%.

“Com a pandemia, as empresas viram o quão caro é pagar um escritório que você não usa e o quanto custa quebrar um contrato de aluguel”, afirma Alves. “E, nesse cenário, o escritório flexível joga muito forte”.

Parte importante dessa conta, especialmente no que diz respeito ao volume de metros quadrados, a IWG prevê fechar 2026 com 150 unidades, entre espaços já em operação e com contratos assinados, além de um pipeline de mais de 90 projetos em negociação.

Hoje, o grupo está presente em 32 cidades e atende 48 mil clientes no país, sendo que 65% são grandes empresas. Entre elas, nomes como Equinor, IBM e Petrobras, companhia que já era atendida pela IWG no Rio de Janeiro e que acaba de assinar um contrato de 2,4 mil metros quadrados em São Paulo.

“A Regus, a Spaces e a HQ, que são nossas marcas mais elásticas, vão puxar 60% do nosso crescimento anual daqui para frente”, afirma Alves. “Enquanto a OpenOffice e a Humanly devem responder por algo entre 10% e 20%, e a Signature vai ser muito mais seletiva”.

Entretanto, como prova do apetite da IWG pelo país, ele não descarta incluir mais à frente outras opções do menu de 13 marcas globais do grupo nessa oferta. Entre elas, a Stop&Work, de espaços de trabalho em aeroporto e estações de trem, e a No18, que aposta em ambientes de clubes de negócios.

Uma terceira opção no radar é a Wojo, marca de coworking da Accor comprada em agosto deste ano pela IWG e que já tinha operações no Brasil, embora mais restritas, recentemente, a lounges nos hotéis do grupo.

“A integração global está acontecendo agora e essa não é minha prioridade no momento. Não estou batendo na porta dos hotéis para vender”, diz Alves. “Mas não descarto colocar a Wojo na prateleira em 2027.”



Fonte: NeoFeed

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