Ler o resumo da matéria
Após a venda da Telhanorte, a Saint-Gobain decidiu focar o plano de crescimento no Brasil nos setores de infraestrutura e drywall. A empresa planeja aproveitar o aumento de investimentos em infraestrutura, que podem chegar a R$ 300 bilhões até 2026, visando construção e reformas de pontes e estradas.
A Saint-Gobain reorganiza suas operações, com maior ênfase em soluções para infraestrutura e não-residencial, enquanto a receita ainda provém majoritariamente do setor residencial.
A aquisição da Forsoc, por US$ 1 bilhão, permitirá o desenvolvimento de produtos químicos para construção civil. A companhia investirá R$ 500 milhões em uma nova fábrica de drywall na Bahia, aumentando sua capacidade em 70%.
Apesar do desafio cultural em relação ao uso de drywall no Brasil, a empresa observa um crescimento na aceitação.
A estratégia visa um crescimento de até 9% ao ano até 2030, com o Brasil sendo um mercado chave na América Latina. No Brasil, a Saint-Gobain fatura € 1,9 bilhão, que a coloca entre o 5º e 6º maior mercado da empresa no mundo,
* Resumo gerado por inteligência artificial e revisado pelos jornalistas do NeoFeed
Cinco meses após a venda da Telhanorte e sua saída definitiva do varejo no Brasil, a francesa Saint-Gobain já definiu quais serão seus próximos passos no mercado nacional: o segmento de infraestrutura e o avanço de investimentos para o desenvolvimento do mercado de drywall (sistema de construção formado por chapas de gesso).
A aposta nas soluções de infraestrutura vem justamente em um momento de avanço do pacote de concessões de rodovias, por parte do governo federal. A companhia quer capturar oportunidades para construção e reformas de pontes e estradas.
A perspectiva é que, somente em 2026, os investimentos em infraestrutura no Brasil alcancem a marca de R$ 300 bilhões, segundo projeções da Associação Brasileira de Infraestrutura e Indústrias de Base (Abdib). E é nesta estrada que a Saint-Gobain planeja trafegar com mais velocidade.
O modelo encontrado é via contratação direta das empresas privadas, principalmente as de engenharia, vencedoras de licitações. Não há uma atuação direta com o poder público. Empresas de saneamento básico também estão no radar da unidade brasileira da companhia francesa.
“O mercado é imenso. A gente está olhando nas soluções de infraestrutura para pontes, principalmente, em concreto, cimento, para descarbonização, até em alternativas de reparo e impermeabilizantes. Há muitas oportunidades”, diz Camille Harrissart, CEO da Saint-Gobain na América Latina, ao NeoFeed.
Com isso, segundo a executiva, a empresa passa a reorganizar suas unidades de atuação no Brasil, focando principalmente em segmentos. A maior parcela da receita ainda vem do segmento residencial, mas o plano agora é de acelerar as soluções para infraestrutura e não-residencial (como edifícios comerciais).
“A nossa organização era por linha de produtos. Agora, nossa estratégia mudou e passamos a pensar em soluções. O Brasil está sendo reorganizado por tipo de mercado, o que nos permite responder a várias necessidades”, diz ela.
Para atender essa crescente demanda no país, a Saint-Gobain global fez uma aquisição que terá impacto direto no desenvolvimento do mercado de infraestrutura. A empresa francesa concluiu, em fevereiro, a compra da Fosroc, que atua no desenvolvimento de produtos químicos para a construção civil, por US$ 1 bilhão.
A Fosroc já atuou no mercado brasileiro, entre a década de 1980 e 2003, quando pertencia à petrolífera britânica British Petroleum (BP). Como a marca se consolidou no país e já tinha boa presença entre as empresas de infraestrutura, o caminho ficou mais fácil para o retorno.
Agora, a empresa vai voltar a produzir os aditivos para concreto e as soluções de impermeabilização na fábrica de Mogi das Cruzes, em São Paulo, onde atuou no período anterior. Hoje são 50 parques fabris no país, para atender as mais de 15 marcas do grupo, como a Quartzolit, Brasilit e Tekbond.
Uma das primeiras obras nesta nova avenida é no porto de Suape, em Pernambuco, em que a empresa tem trabalhado em reparos de concreto e na impermeabilização do solo. O projeto da Saint-Gobain foi contratado pela empresa responsável pela obra e não com a autoridade portuária.
O segmento não-residencial
Para crescer na outra vertical, a de soluções para o segmento não-residencial, a companhia prepara um investimento de cerca de R$ 500 milhões para a construção de uma fábrica de drywall, que será a maior da América Latina, na cidade baiana de Feira de Santana.
“Os estudos técnicos já começaram e as obras ficam prontas em 2028. Com esta nova fábrica, nossa capacidade para este produto vai aumentar em 70%”, afirma a executiva.
Ainda que com atuação tanto em empresas quanto em edifícios, o foco ainda é maior no setor industrial, justamente por, segundo a CEO, existir ainda uma forte questão cultural sobre o uso de drywall em apartamentos.
“No residencial estamos especialmente em empreendimentos de multipropriedade, mas já começa a chegar em casas. São estruturas de aço com as placas de gesso e que queremos acelerar também neste mercado. Já há menos preconceito, até porque é uma solução mais competitiva e mais rápida”, afirma.
Mas ainda há este desafio. Segundo a empresa, o consumo de placa de gesso por habitante no Brasil é de 0,8 metro quadrado (m²). Na França, é oito vezes mais, e, nos Estados Unidos, quinze vezes mais. “O mercado brasileiro ainda é muito forte em alvenaria, mas isso está mudando, principalmente com estas soluções leves.”
Um dos empreendimentos em que a Saint-Gobain vem atuando é na construção dos edifícios do Cacau Park, parque temático da fabricante de chocolates, em Itu, no interior paulista.
A exemplo de infraestrutura, as maiores demandas, neste caso, vêm do setor privado. Parte do empreendimento Parque Global, em São Paulo, também foi construído com placas de gesso da Saint-Gobain.
Com essas mudanças, o grupo tem conseguido chegar à marca de 40% de rotatividade no faturamento. O plano vai ajudar a companhia a crescer até 9% ano a ano, até 2030. Hoje a Saint-Gobain fatura no Brasil € 1,9 bilhão, o equivalente à metade da receita da empresa na América Latina (€ 3,8 bilhões).
No cenário global, o Brasil está entre o 5º e 6º principal mercado da companhia. Na América Latina, o mercado brasileiro ocupa a liderança.
Esse novo foco, de oferecer soluções mais conectadas de engenharia, explica em parte a decisão da companhia em vender a operação da Telhanorte. A venda da empresa, com 27 lojas e um centro logístico, para a Tauá Partners foi oficializada no dia 4 de maio. O valor não foi divulgado.
Para a CEO, não fazia mais sentido seguir neste caminho, justamente em um momento em que o varejo brasileiro passa por uma forte crise.
“A saída do varejo faz parte deste novo ciclo, de adequar nosso portfólio para reforçar as soluções industriais e de infraestrutura. No Brasil, é uma saída definitiva. E ela não representava um faturamento expressivo. Era conhecido por ser B2C, mas não era representativo para a empresa”, afirma Harrissart.
Na Bolsa de Paris, as ações da companhia registram queda de 18,8% no acumulado de 2026. Em 12 meses, a desvalorização é de 24,7%. A Saint-Gobain tem valor de mercado de € 35 bilhões.









