Ler o resumo da matéria
A pressão sobre os Treasuries dos EUA é impulsionada por preocupações com as contas públicas e a corrida por investimentos em inteligência artificial, além da inflação e do aumento do petróleo. Os juros dos títulos de 30 anos atingiram o maior nível desde 2007, enquanto os de 10 anos também subiram. A escalada do petróleo, superando US$ 107 por barril, intensificou as preocupações inflacionárias.
A presença reduzida de compradores tradicionais, como China e Japão, e a concorrência de grandes empresas de tecnologia no mercado de dívida também pressionam os juros. Apesar do sell-off, a demanda por Treasuries permanece, mas as recompras do Tesouro têm efeito limitado, e os fundamentos fiscais continuarão a influenciar as taxas. Com isso, a volatilidade pode persistir.
* Resumo gerado por inteligência artificial e revisado pelos jornalistas do NeoFeed
A pressão sobre os Treasuries, títulos da dívida do governo americano, vai além da inflação e da alta do petróleo. Preocupações com as contas públicas americanas e até a corrida por investimentos em inteligência artificial ajudam a explicar por que os investidores vêm exigindo retornos maiores para comprar esses papéis.
Nesta quinta-feira, 10 de setembro, os juros dos Treasuries de 30 anos atingiram o maior nível desde 2007, segundo o Financial Times. Os de 10 anos também avançaram, chegando ao maior patamar intradiário desde outubro de 2023, de acordo com levantamento do The Wall Street Journal (WSJ).
A escalada do petróleo adicionou pressão a um movimento que já vinha ganhando força nas últimas semanas. Em meio às tensões no Oriente Médio, o Brent superou US$ 107 por barril, aumentando a preocupação com a persistência da inflação.
“A guerra traz um componente de pressão adicional sobre a inflação em um contexto em que a economia continua resiliente”, afirma Rai Chicoli, estrategista-chefe da Monte Bravo.
A pressão não ficou restrita aos Estados Unidos. No Reino Unido, os custos de financiamento chegaram ao maior nível desde 2007, enquanto os juros dos títulos alemães atingiram o maior patamar desde 2011.
No caso americano, o cenário fiscal ganhou mais um elemento nesta semana. O presidente Donald Trump prometeu pagar um “dividendo” de US$ 5 mil a cada adulto americano caso os republicanos mantenham o controle do Congresso nas eleições de meio de mandato. A medida teria custo superior a US$ 1 trilhão, segundo estimativa citada pelo Financial Times.
O WSJ destacou que a promessa adicionou dúvidas sobre os gastos federais em um momento em que o secretário do Tesouro, Scott Bessent, tenta conter os custos de financiamento do governo com a ampliação das recompras de títulos.
A outra ponta dessa equação está em quem compra essa dívida. Chicoli aponta uma presença menor de alguns compradores tradicionais, incluindo China e Japão, justamente quando o governo americano precisa encontrar investidores para absorver suas emissões.
“É uma questão de oferta e demanda. O título tem que pagar mais para conseguir atrair esse comprador marginal”, afirma.
Rafael Passos, sócio da Ajax Asset, avalia que essa relação começou a mudar depois da pandemia, período marcado por uma forte emissão de títulos para financiar os estímulos à economia. Desde 2022, segundo ele, as taxas vêm sendo reprecificadas diante de uma mudança na forma como essa dívida é absorvida, com maior peso do setor privado.
Ao mesmo tempo, o Tesouro ganhou concorrentes nessa busca por recursos. Passos ressalta que grandes empresas de tecnologia também estão recorrendo ao mercado de dívida para financiar seus investimentos, ampliando a competição pelo capital dos investidores.
Fernando Saad Benati, estrategista global da Avenue, pondera que o movimento não deve ser interpretado, por si só, como uma crise de confiança na dívida americana. Na avaliação dele, o avanço mais recente dos juros ganhou força com o temor de uma inflação mais persistente, enquanto o chamado term premium americano permanece abaixo da média dos últimos 12 meses.
A demanda continua presente. Mesmo em meio ao sell-off, um leilão de US$ 22 bilhões em Treasuries de 30 anos atraiu forte procura nesta quinta-feira, segundo o WSJ.
Para Passos, no entanto, as recompras do Tesouro têm efeito limitado. “Essas intervenções suavizam a volatilidade, mas o estrutural segue desafiador, e os fundamentos fiscais deverão continuar a determinar a direção dos juros longos”
Chicoli também considera cedo dizer que as taxas chegaram ao pico. Na avaliação do estrategista-chefe da Monte Bravo, os fatores que vêm pressionando os juros continuam presentes, deixando espaço para novos episódios de volatilidade.









