A Ford está cada vez mais perto de colocar nas ruas aquela que pode ser considerada uma espécie de Maverick elétrica. Batizada de Fathom, a nova picape voltou a aparecer em testes nos Estados Unidos e agora circula com protótipos cada vez mais próximos do modelo que começará a ser produzido em 2027.
Desta vez, unidades camufladas foram levadas para Las Vegas, onde enfrentam testes de calor antes do início da produção experimental. A própria Ford aproveitou para brincar com o segredo, estampando nas carrocerias frases como “Camo Off in 2027”, ou “camuflagem sai em 2027”, justamente o ano em que a Fathom começará a sair da fábrica de Louisville, no Kentucky.
4
Fonte: Ford
O preço também já está praticamente definido. Nos Estados Unidos, a versão de entrada custará US$ 29.945 incluindo a taxa de entrega, equivalente hoje a cerca de R$ 155 mil em conversão direta.
É uma faixa próxima à da Maverick e abaixo de várias picapes médias tradicionais vendidas por lá, algo bastante agressivo para um elétrico desenvolvido a partir de uma plataforma totalmente nova.

30
Fonte: Mario Villaescusa / Motor1.com
Ford quer repetir receita da Maverick
A comparação com a Maverick não acontece por acaso. As duas não compartilharão plataforma ou conjunto mecânico, mas a Ford parece querer repetir com a Fathom uma receita que funcionou muito bem nos últimos anos ao oferecer uma picape menor, monobloco, relativamente barata e capaz de servir tanto como carro familiar quanto para trabalho.
Na América do Norte, em especial, a Maverick também ajudou a ocupar parte do espaço deixado por automóveis como Focus e EcoSport depois que a Ford abandonou boa parte de sua antiga gama de carros de passeio. Em vez de obrigar esse consumidor a migrar para uma Ranger ou uma enorme F-150, a marca criou uma picape mais próxima de um automóvel convencional em dimensões, comportamento, consumo e preço. Com a Fathom, a intenção é repetir essa fórmula na eletrificação.
A cabine terá cinco lugares e, segundo a norte-americana, oferecerá espaço interno superior ao de um Toyota RAV4, enquanto frotistas e clientes comerciais também estão entre os públicos considerados prioritários. A caçamba e a possibilidade de fornecer eletricidade para equipamentos ainda ajudam a ampliar o uso profissional sem transformar a picape em um veículo enorme.
A importância dada ao projeto dentro da Ford também é incomum. Jim Farley já comparou a transformação pretendida com a nova geração de elétricos àquela provocada pelo Ford T, já que a empresa não quer apenas lançar outro modelo a bateria, mas rever como seus carros são pensados e fabricados para conseguir competir em preço e tempo de projeto com os novos rivais chineses.

Nova plataforma de carros elétricos da Ford (imagens esquemáticas)
Foto de: Ford
Picape estreia nova geração de elétricos baratos
A Fathom será o primeiro modelo construído sobre a Universal EV Platform, arquitetura desenvolvida desde o início para uma nova família de elétricos de menor custo. O projeto faz parte de um investimento de US$ 5 bilhões e servirá depois para SUVs e veículos comerciais.
Para chegar ao preço prometido, a Ford reduziu quantidade de peças, fixadores e etapas de produção. A bateria passa a fazer parte da própria estrutura do veículo, enquanto grandes componentes fundidos substituem dezenas de peças menores. A montagem também abandona parte da receita tradicional das linhas automotivas ao separar dianteira, traseira e módulo central em três grandes conjuntos produzidos simultaneamente antes da união final.

Foto de: Ford
Segundo a fabricante, a nova arquitetura usa 20% menos peças, 25% menos fixadores e necessita de 40% menos estações de trabalho, permitindo aumentar em cerca de 15% a velocidade de produção. Até o chicote elétrico foi enxugado em relação aos elétricos maiores da marca, ajudando a reduzir peso e custo.
Essa busca por simplicidade ganhou ainda mais importância depois da experiência com a F-150 Lightning. A picape elétrica grande estreou cercada de expectativa em 2022, mas sofreu com aumentos de preço, custos elevados e vendas abaixo do planejado até ter a produção encerrada no fim de 2025. Agora, a Ford tenta atacar o mercado pelo caminho oposto, começando por uma picape mais barata e concebida desde o início como elétrica.

Foto de: Theophilus Chin | Motor1
Duas baterias e até cerca de 483 km
As versões mais acessíveis da Fathom terão apenas um motor elétrico instalado no eixo traseiro e bateria de fosfato de ferro-lítio, a conhecida química LFP, escolhida justamente pelo menor custo em comparação com soluções que utilizam níquel e cobalto.
Já quem quiser o modelo tração integral poderá adicionar um segundo motor no eixo dianteiro e uma bateria maior, enquanto a configuração de maior autonomia terá como objetivo percorrer aproximadamente 300 milhas por carga, algo próximo de 483 km. A versão de menos de US$ 30 mil deverá ficar abaixo dessa marca, e os números definitivos de autonomia pelo ciclo EPA ainda não foram anunciados.
A lista de equipamentos, porém, não deverá ser enxugada da mesma maneira que o preço. A Ford promete assistência para condução sem as mãos, Apple CarPlay e Android Auto sem fio, chave digital e sistema de alimentação bidirecional, o V2L, em todas as configurações.
Este último recurso permitirá usar a bateria para alimentar ferramentas e equipamentos ou até fornecer energia para uma residência durante uma queda de luz, característica especialmente importante para uma picape que também pretende conquistar empresas e frotistas.
A produção dos primeiros protótipos em Louisville começará no primeiro trimestre de 2027, praticamente junto da abertura das encomendas. As unidades destinadas aos clientes começarão a ser entregues posteriormente como linha 2028.
Resta saber se a marca enxerga espaço para ela também em outros mercados. Hoje, a Maverick tem se saído bem por aqui, ainda que sem os mesmos números de uma Fiat Toro. Uma picape elétrica e de marca bem estabelecida pode acabar repetindo o mesmo desempenho ou quiçá até ir melhor.









