A corrida por recargas cada vez mais rápidas já levou carros elétricos a potências que até poucos anos atrás pareciam difíceis de imaginar. Mas, junto com tempos menores na tomada, cresce também uma dúvida importante: carregar uma bateria repetidamente em potências tão altas pode acelerar sua degradação?
A BYD decidiu levar essa pergunta ao extremo. Segundo a fabricante, um Yangwang U7 percorreu 30 mil km em apenas nove dias e passou por 350 recargas ultrarrápidas durante o período. Depois do teste, a bateria ainda mantinha 98,7% de sua capacidade original.
Our former editor-in-chief testing BYD’s Megawatt charging.
Photo by: Patrick George
350 recargas em nove dias
O experimento foi realizado em Nanning, na China, com uma unidade que, de acordo com a Yangwang, foi escolhida aleatoriamente em uma concessionária e não preparada especialmente para o teste.
Durante nove dias seguidos, o sedã rodou em uma pista de testes a velocidades de até 240 km/h. Ao final, havia acumulado 30 mil km, ou cerca de 18.600 milhas, exigindo nada menos que 350 paradas para recarga.
Nessas sessões, o U7 recebeu potência de até 640 kW. A nova geração da tecnologia Flash Charging da BYD é capaz de levar modelos compatíveis de 10% a 97% de carga em cerca de nove minutos.
O teste também não aconteceu exatamente em condições favoráveis para uma bateria. A temperatura média durante o período foi de aproximadamente 36 °C, somando calor ambiente, velocidades elevadas e sucessivas sessões de recarga de alta potência.

Foto de: BYD
Bateria perdeu apenas 1,3%
Depois dos nove dias de uso intenso, a Yangwang mediu a capacidade restante do conjunto. Segundo a empresa, a bateria terminou o experimento com 98,7% da capacidade original, o equivalente a uma degradação de 1,3%.
O resultado chama atenção principalmente pela intensidade do teste. Recargas rápidas geram mais calor e exigem bastante do sistema de gerenciamento térmico, responsável por manter as células dentro de uma faixa adequada de temperatura durante o uso e o carregamento.
No caso do U7, o conjunto conseguiu suportar centenas de sessões consecutivas sem apresentar uma perda expressiva de capacidade segundo os dados divulgados pela fabricante.
Há ainda outro ponto relevante: baterias de íons de lítio costumam apresentar uma degradação inicial mais acentuada antes de a curva de perda de capacidade se estabilizar. Por isso, um desgaste relativamente pequeno depois de 30 mil km de uso tão severo é um sinal positivo.

A Yangwang U7 And Denza Z9 GT at a Flash Charger
Photo by: BYD
Isso prova que recarga rápida não degrada a bateria?
Não exatamente. O teste mostra que a bateria e, principalmente, seu sistema de gerenciamento térmico conseguiram suportar uma sequência extremamente intensa de recargas rápidas. Ele não reproduz, porém, todos os fatores que afetam uma bateria ao longo de sua vida útil.
O envelhecimento pelo tempo também tem peso importante na degradação. Uma bateria usada durante nove dias, mesmo percorrendo 30 mil km nesse intervalo, não envelhece da mesma forma que outra submetida a cinco, oito ou dez anos de ciclos, variações de temperatura e longos períodos estacionada.

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Fonte: BYD
Também vale lembrar que os números foram divulgados pela própria Yangwang, marca de luxo da BYD, e não são resultado de um teste independente.
Ainda assim, os 350 carregamentos servem como uma demonstração bastante agressiva do que os novos sistemas de bateria e gerenciamento térmico conseguem suportar. Para uma tecnologia que promete recargas cada vez mais próximas do tempo gasto para abastecer um carro a combustão, manter 98,7% da capacidade depois desse tipo de uso é um resultado difícil de ignorar.
A resposta definitiva sobre como essas baterias envelhecerão, porém, só virá com os anos de uso real. Por enquanto, o teste da BYD indica que carregar muito rápido talvez seja menos assustador para a bateria do que muita gente imagina.









