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Durante anos, a China foi vista como o maior mercado de veículos elétricos do mundo, mas ainda sob a lógica de volume, preços agressivos e rápida experimentação tecnológica. Em 2025, porém, esse retrato começa a mudar de forma mais clara. Segundo o mais recente levantamento da J.D. Power sobre qualidade de veículos de nova energia, as marcas chinesas já ocupam, de maneira consistente, o topo da percepção de qualidade no próprio mercado doméstico – deixando várias montadoras tradicionais em posição defensiva.
O estudo avaliou 57 marcas e reuniu mais de 5.700 respostas de proprietários que convivem com seus carros há entre dois e doze meses. O índice utilizado, chamado de Quality Risk Index, mede a incidência de problemas relatados no uso real dos veículos: quanto menor a pontuação, menor o risco percebido.

Foto de: Seres
O primeiro lugar ficou com a Aito, marca ligada ao ecossistema da Huawei, com 123 pontos. Na sequência aparecem Mercedes-Benz (126) e Tesla (146), seguidas por uma sequência quase ininterrupta de marcas chinesas: Nio Firefly, Xiaomi, BMW, Audi, Nio, Voyah, Avatr e Zeekr. A média da indústria ficou em 215 pontos – acima de nomes como Toyota, Volvo, Volkswagen, Nissan e até da própria BYD, que aparece apenas na 21ª posição.
Mais do que posições isoladas, o ranking revela uma mudança estrutural. As marcas que dominam o topo não são as tradicionais estatais chinesas, nem as joint ventures com grupos europeus ou japoneses, mas sim empresas de perfil tecnológico, muitas delas nascidas já dentro do universo digital e do software.
A liderança da Aito é simbólica. A marca faz parte da HIMA (Harmony Intelligent Mobility Alliance), iniciativa liderada pela Huawei que integra hardware automotivo, sistemas operacionais próprios, conectividade e inteligência artificial. O SUV Aito M9, por exemplo, foi o modelo com melhor desempenho geral em qualidade percebida, à frente inclusive de sedãs e MPVs.

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Fonte: Patrick George
O mesmo vale para a Xiaomi, que estreou no setor automotivo em 2024 e já aparece entre as cinco marcas mais bem avaliadas. Seu sedã SU7 lidera o ranking entre os modelos médios e grandes, superando concorrentes de marcas com décadas de tradição na indústria.
Nesse contexto, a Tesla surge como a principal exceção ocidental. A marca americana mantém bom desempenho tanto com o Model 3 quanto com o Model Y, figurando entre os melhores de suas categorias. Já Mercedes-Benz e BMW também resistem, mas de forma mais isolada, cercadas por um ecossistema cada vez mais dominado por fabricantes locais.
O contraste é ainda mais forte quando se observa a posição de gigantes históricos. Volkswagen, Nissan, Toyota, Volvo e Smart aparecem todos abaixo da média da indústria, sugerindo que a adaptação ao mercado chinês – especialmente no campo de software, integração digital e experiência de uso – tem sido mais lenta do que a dos novos entrantes.

Foto de: Nio
A BYD, maior fabricante de veículos eletrificados do mundo em volume, ilustra bem esse paradoxo. Sua marca principal aparece abaixo da média, enquanto suas submarcas premium, como Denza e Fang Cheng Bao, têm desempenho significativamente melhor. Na prática, isso indica que a percepção de qualidade está cada vez mais associada não apenas à engenharia mecânica, mas à sofisticação do produto como sistema – algo que as divisões mais recentes conseguem entregar com mais consistência.
O ranking da J.D. Power, portanto, não aponta apenas vencedores e perdedores. Ele ajuda a entender como o centro de gravidade da indústria automotiva está se deslocando. A China já não é apenas o maior mercado consumidor nem a principal base de produção global de elétricos. Ela começa a se consolidar também como referência de qualidade percebida, algo que historicamente sempre foi atributo das marcas europeias e japonesas.
Para o resto do mundo, inclusive para mercados como o brasileiro, o recado é claro: os próximos benchmarks de experiência, confiabilidade e integração tecnológica nos carros elétricos tendem a vir cada vez mais da terra do dragão, e não mais de Detroit, Wolfsburg ou Tóquio.
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Fonte: UOL









