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A China deu mais um passo para fechar o ciclo da eletrificação. A partir de abril de 2026, entram em vigor novas regras nacionais para a reciclagem de baterias de veículos elétricos, com um objetivo claro: garantir que nenhuma bateria usada “desapareça” do sistema e que todo o processo, do nascimento ao descarte, fique sob controle do Estado e da indústria.
O pacote de medidas, coordenado pelo Ministério da Indústria e Tecnologia da Informação (MIIT), surge em um momento decisivo. Depois de anos de crescimento acelerado nas vendas de carros elétricos, o país começa a enfrentar a próxima etapa do problema: o que fazer com um volume cada vez maior de baterias que chegam ao fim da vida útil.
Segundo estimativas de instituições de pesquisa chinesas, o volume de baterias aposentadas deve ultrapassar 1 milhão de toneladas por ano até 2030. O desafio vai além da questão ambiental e envolve logística, indústria e custos.
Na prática, as novas regras criam um sistema de rastreamento completo das baterias de veículos elétricos. Uma plataforma nacional vai acompanhar cada unidade ao longo de todo o seu ciclo de vida, incluindo produção, venda, manutenção, substituição, desmontagem e reciclagem. A ideia é simples: se a bateria existe, o governo quer saber onde ela está.

Foto de: YouTube
Uma das mudanças mais simbólicas diz respeito ao descarte dos veículos. A partir da vigência das normas, baterias não poderão ser retiradas dos carros no processo de sucateamento. Um veículo elétrico sem bateria passará a ser classificado como “incompleto”, o que na prática impede que o componente mais valioso do carro seja desviado para canais informais.
O foco é conter o avanço do mercado paralelo de baterias usadas, muitas vezes desmontadas sem controle técnico, com riscos de incêndio, danos ambientais e perda de materiais estratégicos. Ao exigir que a bateria acompanhe o veículo até o fim, a China fecha uma das principais brechas do sistema.

Foto de: 21jingji
As responsabilidades também ficam mais claras para a indústria. Fabricantes e importadores passam a responder diretamente pela reciclagem das baterias que colocam no mercado, incluindo a manutenção de pontos de coleta e a aceitação de unidades vindas de leasing, serviços de troca e oficinas.
No papel, ninguém pode recusar uma bateria aposentada. O custo e a logística do descarte deixam de ser um problema difuso e passam a ter um responsável bem definido.

Foto de: BYD
Outro ponto importante é a padronização. As novas regras exigem identificação técnica das baterias, facilitando desmontagem, reaproveitamento e reciclagem. O governo também incentiva o uso de materiais menos tóxicos já na fase de desenvolvimento.
Esse movimento ajuda a explicar por que a China também lidera o mercado global de reciclagem de baterias. Algumas empresas locais já conseguem recuperar mais de 96% do lítio e quase a totalidade de metais como níquel, cobalto e manganês. O principal player é a Brunp Recycling, ligada ao grupo CATL, maior fabricante global de baterias para EVs.

Há exceções às novas regras. Modelos que utilizam sistemas de troca rápida de baterias não estão incluídos, pelo menos por enquanto. Segundo o MIIT, órgão regulador chinês, normas específicas para esse tipo de veículo ainda estão em estudo, o que indica que o tema seguirá evoluindo.
Mais do que uma política ambiental, o que a China coloca em prática é uma estratégia de longo prazo. Controlar o destino das baterias significa reduzir riscos, garantir acesso a matérias-primas críticas e manter sob vigilância um dos elos mais sensíveis da cadeia dos veículos elétricos.
Enquanto muitos mercados ainda discutem como lidar com baterias usadas no futuro, a China começa a estruturar respostas para um problema que já bate à porta.
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Fonte: UOL









