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VW criados em parceria com a XPeng entram em linha dia 31/12

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Em um movimento que sinaliza uma mudança profunda na hierarquia global da indústria automotiva, o Grupo Volkswagen prepara a estreia do primeiro veículo nascido de sua aliança com a fabricante chinesa de elétricos XPeng. Segundo Han Sanchu, vice-presidente executivo do grupo VW na China, o primeiro modelo ID.Unyx desenvolvido conjuntamente pelas duas companhias sairá da linha de montagem em Anhui (a cerca de 470 km de Xangai) no dia 31 de dezembro — simbolicamente, na virada do ano, como quem tenta virar uma página.

Esse marco representa uma guinada estratégica da gigante alemã, que vem encontrando dificuldades para manter a antiga liderança no maior mercado automotivo do mundo. Referência na China desde a era do Santana (1984-2013), a Volkswagen perdeu a liderança para a BYD em 2023 e não conseguiu mais recuperá-la. Mais recentemente, acabou superada também pela Geely nas vendas domésticas.

Sob pressão intensa de concorrentes locais mais ágeis, a Volkswagen decidiu firmar parceria com a XPeng, buscando aproveitar sua expertise em software e plataformas. O resultado dessa colaboração, entregue em um ciclo de desenvolvimento de apenas 18 meses, é um veículo que repensa, do zero, o que significa um Volkswagen na era elétrica.



O primeiro ID Unyx - um Cupra Tavascan com logotipo e plataforma VW

O primeiro ID Unyx – um Cupra Tavascan com logotipo e plataforma VW

Foto de: Volkswagen

Parcerias prévias

As parceiras tradicionais da Volkswagen na China são a SAIC-VW (desde 1984) e a FAW-VW (desde 1991). Ambas foram ideais para a era dos carros a combustão e hoje têm entre seus produtos os modelos elétricos da linha ID europeia.

No entanto, a VW percebeu que suas plataformas elétricas — em especial a MEB, da linha ID — não estavam acompanhando o ritmo nem as preferências tecnológicas do consumidor chinês. É aí que entrou a XPeng.

Ao contrário da SAIC e da FAW, que são gigantes estatais industriais, a XPeng é uma novata em tecnologia e carros elétricos (fundada em 2014), focada em software e direção autônoma.



XPeng P7

Foto de: Volkswagen

A Guangzhou Xiaopeng Motors Technology Company Ltd., ou simplesmente XPeng Motors, foi criada por dois antigos executivos do grupo estatal automotivo GAC. A marca tem He Xiaopeng (daí o nome) como um de seus fundadores e atual presidente. Em 2023, a VW comprou 5% das ações da XPeng. Não é, portanto, uma fusão completa, mas uma parceria técnica estratégica.

Hoje, a XPeng produz na faixa dos 40 mil carros por mês — não é muita coisa se comparada a gigantes como BYD ou Geely, mas é um bom número em relação a outras fabricantes de sua categoria (como Li Auto, Nio e Xiaomi). Nas ruas das grandes metrópoles chinesas, são esses os fabricantes que mais chamam a atenção por seu design e soluções modernas.

E a antiga união com a JAC?

Alguns hão de se lembrar que, em 2017, VW e JAC chegaram a firmar uma parceria para o desenvolvimento de carros elétricos. A aliança JAC-Volkswagen lançou uma marca própria chamada Sol, que comercializava carros da JAC com outro logotipo. No entanto, a VW queria mais controle.

Aproveitando uma mudança na lei chinesa — que removeu o limite de participação estrangeira em fábricas de veículos elétricos —, a Volkswagen aumentou sua cota na joint venture de 50% para 75% em 2020. Ao assumir o controle majoritário, a VW mudou o nome da empresa de JAC-Volkswagen para Volkswagen Anhui.



ID Unyx 07 - o sedã da linha (2)

ID Unyx 07 – o sedã da linha

Foto de: Volkswagen

A capital da província de Anhui é Hefei, a cidade-sede onde a JAC foi fundada, em 1964. E, agora, a Volkswagen também tem uma base importante por lá. Essa nova companhia é a joia da coroa da estratégia elétrica da VW na China.

Diferentemente da SAIC-VW e da FAW-VW, onde a Volkswagen divide decisões e lucros meio a meio, na VW Anhui os alemães mandam na casa. É essa base industrial a escolhida para fabricar os carros nascidos da parceria com a XPeng.

A XPeng é uma parceira técnica: fornecerá o “cérebro” e a plataforma, mas não produzirá o carro da Volkswagen em suas fábricas. Essa tarefa caberá à VW Anhui.

A linha ID.Unyx

Como em todo texto sobre marcas e parcerias chinesas, agora é preciso dar uma paradinha e um rápido “rewind” para desenrolar o assunto. Vamos lá…

Em 2024, na tentativa de reagir ao avanço da BYD, o Grupo Volkswagen criou mais uma submarca de elétricos na China, com produção na Volkswagen Anhui. Trata-se da ID.UX — em que “UX” vem de User eXperience (experiência do usuário). Em mandarim, o nome é Yuzhong (pronúncia aproximada “I-djôn”), algo que pode ser traduzido como “junto ao público” ou “em conjunto com todos”. A escolha reforça a ideia de proximidade com o consumidor chinês e de desenvolvimento local. Uma curiosidade é que o escudo da VW no capô pode ser dourado.

O primeiro modelo da nova divisão, o ID.Unyx, estreou em julho de 2024 e revelou-se um fracasso imediato de vendas — tanto que precisou ser relançado meses depois com preços bem mais em conta e rebatizado como ID.Unyx 06. A situação melhorou “pero no mucho”… 



O primeiro ID Unyx - um Cupra Tavascan com logotipo e plataforma VW (2)

O primeiro ID Unyx – um Cupra Tavascan com logotipo e plataforma VW 

Foto de: Volkswagen

Esse SUV cupê nada mais é do que um (Seat) Cupra Tavascan com ligeiras modificações na dianteira e na traseira. Ambos são produzidos exclusivamente na fábrica da VW em Anhui: enquanto os Cupra são exportados para a Europa, Oceania e o Chile, o ID.Unyx 06 se destina principalmente ao mercado interno chinês. 

O ID.Unyx 06, porém, ainda é totalmente baseado na plataforma Volkswagen MEB. Seu entre-eixos de 2,76 m, aliás, é o mesmo dos Volkswagen ID.4 e ID.5.

Joint venture reversa com a XPeng

Agora, a nova divisão da VW lançará os primeiros modelos com base XPeng, na esperança de impulsionar as vendas. Os modelos de estreia com DNA chinês serão o sedã médio-grande ID.Unyx 07 (do porte do BYD Seal) e o SUV grande ID.Unyx 08 – ambos já revelados na forma de carros-conceito e também por meio de imagens da própria fabricante. 

O 07 apareceu em outubro nos pedidos de homologação ao Ministério dos Transportes da China, enquanto o 08 já está até no site oficial da VW Anhui, indicando que provavelmente será o primeiro a chegar.

Os dois adotam a plataforma China Electrical Architecture (CEA), uma nova arquitetura elétrica e eletrônica criada especificamente para atender às exigências do mercado chinês de veículos elétricos inteligentes.



Volkswagen ID.Unyx

Durante anos, as ambições elétricas da Volkswagen esbarraram em problemas conhecidos de software. Os modelos da família ID europeia sofreram com atrasos e falhas nos sistemas de infoentretenimento, consequência de uma estrutura eletrônica complexa e datada, com mais de 100 unidades de controle de diferentes fornecedores tentando se comunicar. A Cariad, empresa de software do Grupo Volkswagen, enfrentou grandes dificuldades para integrar essas “caixas-pretas”, cenário descrito internamente como um “inferno de integração”.

Já a CEA adota outro conceito: em vez de uma rede extensa de computadores individuais para cada função — de travas das portas a vidros elétricos —, a nova arquitetura centraliza o controle em apenas três zonas computacionais de alta capacidade. A simplificação reduz em cerca de 30% o número de módulos de controle do veículo.

Com o uso do ecossistema de software já maduro da XPeng como cérebro do carro, os ID.Unyx passam a contar com recursos que haviam escapado às tentativas internas da Volkswagen. Entre eles estão sistemas avançados de assistência ao motorista de nível L2++, capazes de lidar com tráfego urbano complexo e rodovias, além de uma cabine inteligente com interface baseada em IA. A estrutura zonal também separa software e hardware, viabilizando atualizações remotas completas e integradas — algo já comum entre concorrentes mais recentes no universo dos elétricos.

Já foi traçado até um plano de evolução dessa arquitetura. A CEA 1.0, que estreia com o ID.Unyx 07, será seguida pela CEA 2.0 em 2027, preparada para diferentes tipos de propulsão, incluindo elétricos puros, híbridos e modelos com extensor de autonomia. A CEA 3.0, prevista para 2029, ampliará o desenvolvimento interno de chips e passará a trabalhar com ciclos de atualização mais curtos, de aproximadamente dois anos, alinhando a Volkswagen à velocidade típica da indústria chinesa de tecnologia.

Usando a parceria com a XPeng como atalho tecnológico, o grupo alemão planeja lançar uma gama crescente de modelos baseados na CEA a partir de 2026, com mais de 20 veículos eletrificados até 2027 e cerca de 30 elétricos inteligentes até 2030. Isso incluirá não apenas a VW Anhui, mas também as tradicionais SAIC-VW e FAW-VW.

A chegada dos ID.Unyx 07 e ID.Unyx 08 confirma o que analistas do setor descrevem como uma “joint venture reversa”. Por décadas, as fabricantes ocidentais transferiram tecnologia a parceiros chineses. Agora, o fluxo se inverte, com um grupo do porte da Volkswagen dependendo de tecnologia chinesa para seguir competitivo.

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Fonte: UOL

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