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Em um momento em que os elétricos com extensor de autonomia começam a ganhar espaço como solução de transição, a GWM decidiu seguir pelo caminho oposto. Durante um evento global realizado em janeiro, a montadora afirmou que não pretende desenvolver veículos elétricos do tipo EREV (range extenders) e classificou essa arquitetura como um “atalho técnico”.
A posição foi apresentada pelo presidente da GWM, Mu Feng, ao detalhar a direção tecnológica da empresa para os próximos anos. Segundo o executivo, o uso de um motor a combustão apenas para gerar eletricidade, que depois passa por múltiplos sistemas de controle até chegar às rodas, cria uma cadeia energética longa e ineficiente, especialmente em situações de média e alta velocidade.

Foto de: EV AutoHome
De acordo com dados internos citados pela montadora, sistemas de extensor de autonomia podem apresentar perdas de eficiência de ao menos 13% em comparação com soluções de tração direta. Para a GWM, esse fator compromete justamente o que deveria ser o núcleo da mobilidade elétrica: eficiência energética e simplicidade mecânica.
Mu Feng foi direto ao resumir a avaliação da empresa. Para ele, os EREVs não representam uma barreira tecnológica relevante e acabam funcionando como uma solução de compromisso, que preserva limitações dos motores a combustão dentro de um conceito que se propõe elétrico. Por isso, a GWM afirma que não pretende adotar esse tipo de arquitetura em seus futuros produtos.

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Fonte: GWM
A declaração chama atenção porque vai na contramão de uma parcela significativa da indústria chinesa. Nos últimos anos, diversas marcas passaram a apostar nos elétricos com extensor de autonomia como forma de reduzir a ansiedade de alcance e contornar limitações de infraestrutura de recarga. Em alguns casos, o EREV se tornou o principal vetor de crescimento, especialmente em SUVs de médio e grande porte.
Ao descartar esse caminho, a GWM sinaliza uma aposta mais concentrada em veículos elétricos puros e em híbridos estruturais, nos quais o motor a combustão participa diretamente da tração, e não apenas como gerador. A empresa sustenta que essas soluções oferecem um equilíbrio mais consistente entre eficiência, desempenho e complexidade técnica.

Avaliação GWM Ora 03 BEV 58
Foto de: InsideEVs Brasil
A decisão foi anunciada no mesmo evento em que a montadora apresentou a plataforma GWM One, base técnica que vai sustentar a próxima geração de veículos da marca. Embora a nova arquitetura tenha sido citada como parte do contexto, a GWM deixou claro que a exclusão dos EREVs é uma escolha estratégica, e não uma limitação técnica.
Na prática, o posicionamento da GWM reforça uma divisão cada vez mais clara dentro da indústria chinesa de eletrificação. De um lado, marcas que veem os elétricos com extensor de autonomia como uma ponte necessária para o elétrico pleno. De outro, empresas que acreditam que o avanço das baterias, da recarga rápida e da eficiência dos sistemas elétricos tornará esse tipo de solução irrelevante no médio prazo.
No Brasil, o debate em torno dos elétricos com extensor de autonomia já se tornou algo real. O Leapmotor C10 EREV já está à venda no país e responde pela maior parte das vendas do modelo, superando com folga a versão 100% elétrica. O desempenho reforça a leitura de que, em um mercado ainda limitado por infraestrutura de recarga e custos, o extensor de autonomia tem funcionado como porta de entrada para o elétrico.
Além disso, tudo indica que o futuro Leapmotor B10 também deve adotar essa mesma solução, ampliando a presença dos EREV no portfólio do grupo Stellantis no Brasil. Resta saber se essa aposta se confirmará à medida que a infraestrutura de recarga evolui e os veículos elétricos puros passam a atender um número maior de perfis de uso.
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Fonte: UOL









