Hélio Silva é réu por associação para o tráfico, tráfico de drogas e posse irregular de arma; decisão proíbe acesso ao Legislativo e uso de recursos públicos
A Justiça determinou a prisão preventiva do presidente da Câmara Municipal de Sumaré, Hélio Silva (Cidadania), e seu afastamento da presidência do Legislativo por pelo menos 180 dias. A decisão foi tomada após o juiz Leonardo Delfino receber denúncia do Ministério Público do Estado de São Paulo (MP-SP), tornando o vereador réu por associação para o tráfico, dois crimes de tráfico de drogas e posse irregular de arma de fogo e munições.
Hélio, de 55 anos, foi preso em 9 de setembro durante a Operação Archimagus, conduzida pela Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (Ficco) de Campinas. Segundo as investigações, ele era conhecido como “Mister M” e teria financiado a compra, o armazenamento e a distribuição de drogas destinadas a pontos de venda em Sumaré.
Outros dois investigados, Maikon Baptista da Costa e Admilson da Silva, também tiveram a prisão preventiva decretada e passaram à condição de réus no processo.
Com a decisão, Hélio fica proibido de acessar as dependências da Câmara e utilizar veículos, servidores, sistemas ou qualquer outro recurso do Legislativo. Em nota, a Casa informou que cumprirá a determinação e que as atividades seguem normalmente, sob a condução do vereador Lucas Agostinho, primeiro vice-presidente da Mesa Diretora.
Indícios apontados pela investigação
De acordo com a investigação, Hélio seria responsável pelo financiamento da aquisição de drogas armazenadas em um sítio em Jacutinga (MG) e destinadas à comercialização em Sumaré. Maikon e Admilson seriam responsáveis pelas vendas.
Entre os elementos considerados pela Justiça estão encontros frequentes entre os investigados, mensagens sobre negociações de substâncias utilizadas no preparo de cocaína, movimentações financeiras e fotografias de grandes quantias em dinheiro. Também foram identificados diálogos sobre transferências via PIX e referências a pontos de venda de drogas supostamente ligados ao vereador.
No sítio atribuído a Hélio, foi apreendido um revólver com registro de furto. O juiz considerou o conjunto de indícios, a dimensão financeira das atividades investigadas e a possível utilização da estrutura pública para justificar a prisão preventiva.
Afastamento e Operação Archimagus
A Justiça justificou o afastamento para impedir que o vereador continue exercendo influência sobre as atividades do Legislativo por meio de assessores, servidores ou familiares. A medida não determina a perda do mandato, que depende de condenação definitiva. Hélio também poderá continuar recebendo salário, caso a Câmara não decida pela suspensão dos pagamentos.
Na operação realizada em setembro, foram cumpridos dois mandados de prisão temporária e dez de busca e apreensão em Campinas, Sumaré e Vinhedo, além de Jacutinga (MG).
Na residência do vereador, os agentes apreenderam uma pistola calibre .380, uma carabina, 105 munições, R$ 18.215 em dinheiro, documentos, joias, dois relógios e cinco celulares. Em outros endereços, foram encontrados mais R$ 6,7 mil, um aparelho celular e 892 gramas de maconha.
A Câmara informou que os trabalhos administrativos e legislativos continuam normalmente. O advogado de Hélio não respondeu ao contato da reportagem, e as defesas dos outros dois investigados não foram localizadas.








