Com 175 inscritos, divididos em duas turmas, a Prefeitura de Paulínia promoveu um curso de Letramento Racial, iniciando as ações do “Novembro Negro”, mês que celebra a Consciência Negra, e reforçando o compromisso do município com a igualdade racial e o enfrentamento à discriminação.
O respeito nas relações de trabalho e a promoção de um atendimento igualitário à população foram os principais temas do curso, que teve como palestrante, o doutor Robson Silva Ferreira, coordenador de Políticas para a População Negra da Secretaria da Justiça e Cidadania do Estado de São Paulo. Com situações do cotidiano, ele mostrou como o racismo pode se manifestar na rotina da administração municipal.
Comentários sobre o cabelo, a aparência ou a maneira de falar de um colega, assim como julgamentos sobre sua capacidade profissional, foram exemplos utilizados para discutir comportamentos que muitas vezes são naturalizados. Orientações para evitar expressões, apelidos e brincadeiras de cunho racial, também foram pauta, ressaltando a importância de tratar as pessoas pelo nome, inclusive entre pessoas próximas.
“O racismo vai se manifestar no olhar, vai se manifestar numa crítica, vai se manifestar numa pergunta”, destacou o palestrante.
Na área da educação, o palestrante abordou a necessidade de garantir atenção e cuidado igualitário às crianças negras, respeitando suas características físicas e as diferenças culturais e religiosas.
Também discutiu o racismo institucional e como algumas práticas e estruturas podem criar barreiras ao acesso da população negra a direitos e oportunidades e reforçou a importância de identificar essas situações para orientar políticas públicas.
“O letramento racial não é apenas um exercício acadêmico ou cumprimento de uma carga horária, é um compromisso ético e uma urgência social”, afirmou Fábia Ramalho, secretária de Cidadania e Justiça, concluindo que o conhecimento deve contribuir para mudanças nas práticas diárias e para a construção de ambientes de trabalho mais justos, inclusivos e antirracistas.
O encontro também destacou que situações de discriminação não devem ser ignoradas ou reduzidas a mal-entendidos. “Racismo é crime, não é mal-entendido”, enfatizou Dr. Robson, ao abordar a importância dos canais de denúncia e da responsabilização por práticas racistas.
A iniciativa, realizada pela Secretaria de Cidade e Justiça, buscou fortalecer o compromisso com a igualdade racial nas relações profissionais e no atendimento à população.








