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Lula parte para a Turquia e deixa o mercado em modo de espera pelo titular da Fazenda


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Luiz Inácio Lula da Silva, após vencer a eleição mais acirrada da história brasileira, embarca para a COP 31 na Turquia, onde sua comitiva, que pode incluir os presidentes da Câmara e do Senado, será observada quanto às diretrizes econômicas para seu quarto mandato.

O programa de governo prevê metas climáticas ambiciosas, como a redução de emissões de gases de efeito estufa e restauração florestal. No entanto, há preocupações no mercado sobre a política fiscal e a possibilidade de uma queda artificial da Selic, que geram incertezas nos ativos financeiros. A manutenção da Selic em 13,75% pelo Copom trouxe alguma tranquilidade aos investidores.

Lula também planeja criar novos ministérios e, após a COP, seguirá para a Cúpula da Asean nas Filipinas. O evento na Turquia, que marca a transferência da presidência da COP, é crucial para reafirmar o papel do Brasil no cenário global.

* Resumo gerado por inteligência artificial e revisado pelos jornalistas do NeoFeed

Há quatro anos, a tarefa imposta ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva era liquidar o “déficit” de credibilidade do governo brasileiro decorrente de profundo atraso na relação do governo Bolsonaro com o resto do mundo, sobretudo, pelo descaso do ex-presidente – hoje em prisão domiciliar por participar da trama golpista – com questões ambientais e displicência quanto à pandemia por ele reiteradamente negada e que resultou em mais de 700 mil mortes no País.

Neste novembro de 2026, a missão do presidente Lula é igualmente relevante embora sob um novo olhar. Ele saiu vitorioso na eleição que manteve a esquerda no Poder, tornando o Brasil uma exceção política na América do Sul dominada, atualmente, por governos de direita e francamente alinhados aos EUA de Donald Trump – que sofreu acachapante derrota para os democratas nas eleições de meio de mandato, na terça-feira, 3 de novembro.

Após a experiência de 2022, a comitiva de Lula à Turquia na segunda-feira, 9 de novembro, para a COP 31, será, portanto, um convite à reflexão porque dela poderá emergir sinais sobre a política econômica almejada para os próximos quatro anos.

Consultada pelo NeoFeed, a Secretaria de Comunicação da Presidência da República não informou a composição da comitiva presidencial. Porém, os presidentes da Câmara e do Senado, Hugo Motta e Davi Alcolumbre, respectivamente, foram convidados e devem compor o time.

Quanto às preocupações com meio ambiente, transição energética e potencial da “economia verde”, que o presidente sempre destaca em fóruns internacionais, no programa de governo para o mandato 2027 a 2030, a chapa Lula/Alckmin defende meta climática que prevê redução entre 59% e 67% das emissões de gases de efeito estufa até 2035, ante 2005.

Também está programada a restauração florestal de 3,4 milhões de hectares; concessões florestais de 1,6 milhão de hectares; e ampliação das unidades de conservação. O financiamento para a transição energética e proteção ambiental compõem um inventário de ações que estão em foco.

Entre prioridades futuras estão o combate ao desmatamento ilegal, manejo integrado do fogo, recuperação de áreas degradadas, adaptação climática, proteção da biodiversidade e preparação para eventos extremos. Lula terá a oportunidade de reiterar, na COP 31, a defesa da produção de biocombustíveis que, na sua avaliação, não compromete a produção de alimentos.

O Sistema Único de Saúde (SUS), que protagonizou discussão entre o presidente Lula e Flávio Bolsonaro na reta final da eleição, terá exposição especial na COP 31.

A estrutura criada no Brasil em resposta aos efeitos da mudança climática na saúde será apresentada na Turquia. E iniciativas de investimentos serão exemplo do que pode dar certo na inclusão de populações, inclusive, indígenas.

Respiro na COP

Entre a expectativa desesperada de que Lula anuncie o ministro da Fazenda de seu quarto mandato e o temor de que propostas que levem à queda artificial da taxa de juro sejam acolhidas pelo Planalto com o apoio do PT investidores mantêm o pé atrás e embutem nos preços dos ativos incerteza com a política fiscal.

Nesse clima, agravado pela piora generalizada de projeções dos principais indicadores econômico-financeiros, o calendário migra para a terceira semana de operações pós-eleição sem que o ritmo das transações tenha retornado a níveis de preço e volumes pré-eleição. O estresse continua, ainda que sem alarde.

Qual será o ponto de equilíbrio de juros, dólar e ações é arriscado dizer, inclusive, porque novas correções não estão descartadas a depender da constituição do gabinete de Lula 4.0.

Porém, a manutenção da Selic em 13,75% pelo Copom na quarta-feira, 4 de novembro, contribui para alguma tranquilidade dos investidores por demonstrar que o Banco Central (BC) reconheceu a deterioração das condições de mercado e expectativas de inflação ao decidir sustar o ciclo de corte da taxa básica.

De partida para a Turquia e resguardado de pressões domésticas o presidente “ganhará tempo” para definir o titular do Ministério da Fazenda, algo que causa ansiedade no mercado. Poderá, inclusive, estender sua atenção às pastas já existentes, além do comando de bancos oficiais, empresas estatais e agências reguladoras.

Está no radar de agentes econômicos o compromisso de campanha: criar o Ministério da Segurança Pública e, talvez, o Ministério da Comunicação Social. Possibilidade aventada pelo próprio Lula, ante a contribuição para sua vitória do “Exército do Lula”, criado pelo deputado federal André Janones.

Apesar da “urgência” que o mercado imprime a definições ministeriais, o presidente reprisa, agora, novembro de 2022. Há quatro anos, após a vitória ao terceiro mandato, Lula participou da Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, COP 27, no Egito. Desta vez, ele participará da Cúpula de Líderes da COP 31, marcada para 11 e 12 de novembro em Antália, Turquia.

O evento, que reunirá quase 200 nações e se estende até 20 de novembro, marcará a transferência da presidência da COP, que o Brasil detém desde Belém em 2025, para a Turquia. A Austrália conduzirá as negociações derivadas do evento global. Após sua participação, Lula seguirá para as Filipinas. No dia 13, faz visita de Estado a Manila, onde deve assinar acordos bilaterais. E deverá participar da Cúpula da Asean – bloco econômico que reúne 10 países do Sudeste Asiático – nos dias 14 e 15. Deverá embarcar em direção ao Brasil no dia 16.

Em novembro de 2022, Lula eleito presidente enfrentou o desafio de recolocar o Brasil no cenário geopolítico. O presidente incorporou o bordão “O Brasil voltou” ao vocabulário e, na bagagem rumo ao Egito, acomodou Fernando Haddad, Simone Tebet e Marina Silva que se tornariam titulares do Ministério da Fazenda, do Planejamento e Orçamento e do Meio Ambiente do governo recém-eleito.



Fonte: NeoFeed

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