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Buser escolhe “novo piloto” para comandar o ônibus


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Desde sua fundação em 2017, a Buser, conhecida como “Uber dos ônibus”, atraiu R$ 730 milhões de investidores, mas enfrentou ações judiciais por acusações de concorrência desleal por parte de grupos tradicionais do setor.

Recentemente, a empresa anunciou Marcelo Vasconcellos como novo CEO, que planeja superar barreiras legais e alcançar R$ 1 bilhão em faturamento até 2027, com um plano que mescla M&As envolvendo viações tradicionais, tecnologia e crescimento do seu marketplace.

A Buser já fez aquisições como a Expresso JK e a Transportes Santa Maria, para estrear no mercado regulado. A startup também está investindo em inteligência artificial e dadoss para embarcar nessas e outras operações, sejam elas próprias ou de parceiros, por meio do seu marketplace.

Apesar das restrições operacionais em alguns estados na trilha das disputas judiciais, a Buser se apoia em uma decisão favorável recente no STF para seguir avançando.

* Resumo gerado por inteligência artificial e revisado pelos jornalistas do NeoFeed

A Buser, conhecida como a “Uber dos ônibus”, está anunciando Marcelo Vasconcellos como novo CEO. Ele substitui Marcelo Abritta, com quem fundou a startup e que seguirá no board da startup. Agora, a frente da companhia, ele já traçou os atalhos para a empresa superar as barreiras judiciais e alcançar um faturamento de R$ 1 bilhão em 2027.

“O Marcelo liderou nosso hipercrescimento nos primeiros anos e eu era mais operacional”, diz Vasconcellos, ao NeoFeed. “Mas passamos a olhar mais para eficiência e outras vias de expansão além do capital de terceiros, e fui assumindo mais responsabilidades. Então, essa é uma transição natural.”

Um dos novos caminhos que já vinham sendo pilotados por Vasconcellos foi os M&As. As aquisições da Expresso JK e da Transportes Santa Maria, anunciadas em março deste ano, explicam o porquê de a empresa ter adiado por tanto tempo seu anúncio como novo CEO.

“Estávamos no meio dessas negociações e não queríamos que nenhum ruído atrapalhasse”, afirma. Vasconcellos conta que essa também foi a orientação quando os acordos foram selados e, na sequência, a Buser se concentrou na integração dessas operações.

Tal foco se explica por essas terem sido as duas primeiras aquisições na história da startup e por essa estratégia inorgânica ter marcado sua estreia no mercado regulado. Ele nega, porém, que a busca por segurança jurídica diante das batalhas travadas nos tribunais tenha sido o racional desses M&As.

“Nós queríamos participar desse mercado offline, pois não tínhamos acesso aos guichês nas rodoviárias”, diz. “E mostrar que não há concorrência entre os dois modelos, que podem trabalhar em conjunto. É como o Uber e os táxis. Eles atendem passageiros e nenhum dos dois deixou de existir”.

A empresa tomou gosto por esse roteiro. Em junho, a companhia comprou a Designa, especializada em projetos de inteligência artificial (IA), e adicionou uma nova camada à sua tese de aquisições, que é justamente um dos mandatos de Vasconcellos.

Nesse trajeto, a Buser está partindo de uma receita bruta de R$ 580 milhões em 2025 para um faturamento estimado de R$ 700 milhões em 2026. E entende que a distância restante a ser percorrida para o primeiro bilhão virá justamente da compra de outras empresas.

O radar dessas aquisições aponta para empresas de IA e outras companhias tradicionais de transporte rodoviário. A ideia é turbinar viações que hoje operam basicamente no offline com uma série de tecnologias e dados que a startup vem desenvolvendo e coletando desde que chegou ao mercado.

“Existem empresas que estão na segunda ou na terceira geração e que têm o interesse de sair”, diz. “Temos todo um aprendizado sobre os hábitos dos consumidores que fomos capturando no fretamento colaborativo e o foco agora é colocar essa inteligência no mercado rodoviário, que está ultrapassado”.

Ele cita outros números que alimentam esse apetite por M&As. Primeiro, a estimativa de que o mercado de transporte rodoviário regulado movimente entre R$ 15 bilhões e R$ 20 bilhões, e transporte mais de 100 milhões de passageiros anualmente. Com um detalhe: 60% desse total ainda é feito no offline.

Para efeito de comparação, a Buser tem 14 milhões de clientes cadastrados em sua plataforma e transporta, em média, cerca de 5 milhões de passageiros por ano. Para 2027, a meta é chegar a pelo menos 6 milhões de passageiros transportados.

Essa base de usuários está distribuída em três segmentos: o fretamento colaborativo, origem da empresa, no qual viajantes se conectam e fretam um ônibus; as linhas reguladas, com a JK e a Santa Maria; e o marketplace, no qual a startup faz a revenda de passagens de mais de 150 viações parceiras.

É nessa última divisão que a Buser também enxerga uma oportunidade de expansão desses números e sob uma ótica similar à tese que está adotando na sua esteira de aquisições: o plano é empacotar ferramentas que tragam mais eficiência em áreas como precificação, ajuste de ofertas e de malha.

A inspiração para esse novo passo veio dos projetos que a startup veio implantando no decorrer de 2026 nas duas viações que adquiriu. E foi validada pelos resultados obtidos nessas operações a partir desse laboratório.

“Na Santa Maria, a receita cresceu 40% em relação a 2025 e a margem Ebitda saiu de cerca de 20% para aproximadamente 30%”, afirma Vasconcellos. “A empresa trabalhava com uma ocupação entre 55% e 60% quando assumimos. Hoje, esse índice está entre 70% e 75%”.

Segundo o CEO, a próxima etapa, já em curso, é transformar o que foi feito internamente em produtos para esses sellers. Ao mesmo tempo, a Buser tem planos de estender, em 2027, sua oferta de serviços financeiros ao canal do marketplace.

Hoje, esse braço está restrito aos mais de 300 parceiros na divisão de fretamento colaborativo, com modalidades como financiamento para renovação de frota e o parcelamento para usuários, na compra de passagens. Os recursos por trás dessas operações são, em boa parte, da própria Buser.

Os novos planos da empresa também estão sendo financiados com a própria geração de caixa. Vasconcellos diz que a startup alcançou o break even em 2023, um ano depois de virar a chave em direção a uma estratégia mais centrada em eficiência, em detrimento do crescimento acelerado.

Rota de colisão

Desde 2017, quando nasceu foi fundada, a Buser percorreu uma via dupla: de um lado, a startup acelerou e atraiu R$ 730 milhões de fundos como Softbank e Lightrock. Já na contramão, foi alvo de um batalhão de ações dos nomes tradicionais do setor, sob acusação de concorrência desleal.

Atualmente, por conta dessas disputas, a startup enfrenta restrições de operação em estados como Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Bahia, no caso de viagens interestaduais. Além de proibições pontuais em viagens intermunicipais dentro do Ceará e do Paraná.

Questionado, Vasconcellos ressalta, no entanto, que não enxerga essas barreiras como um risco para a empresa. Parte dessa visão se apoia em uma decisão favorável à empresa obtida recentemente na esfera do STF.

No fim de julho, o ministro Kassio Nunes Marques, concedeu uma liminar autorizando a Buser a retomar suas viagens interestaduais com destino ao Paraná e revertendo decisões contrárias de outras instâncias que haviam suspendido as operações da empresa no estado.

O ministro se baseou nos princípios da livre iniciativa e da livre concorrência, argumentando que a simples ausência de uma regulamentação específica não é justificativa válida para impedir a atuação de entes privados ou inibir a inovação tecnológica no setor de transportes.

A decisão ainda pode ser revertida no próprio STF pelos grupos tradicionais, que alegam que plataformas como a Buser descumprem a legislação e não atendem requisitos de segurança e de fiscalização da agência reguladora (ANTT).

Entretanto, é nesse direcionamento do ministro do STF e na possibilidade de jurisprudência que a startup se apoia para sair vitoriosa nessa e em outras ações semelhantes que correm atualmente na Justiça. Vasconcellos traz ainda outros argumentos para sustentar esse “veredito”.

“É como se falassem que o carro está competindo com o cavalo”, diz. “É normal achar que qualquer concorrência é predatória quando você nunca teve concorrência. Mas agora, também estamos no mercado regulado para provar que ambos os modelos podem coexistir”.



Fonte: NeoFeed

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