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Depois de conquistar o Oscar de melhor filme internacional com “Ainda Estou Aqui”, Walter Salles volta seu olhar para Sócrates (1954–2011), um dos maiores ídolos do futebol brasileiro.
Na série documental “Sócrates Brasileiro”, o cineasta vai além da trajetória do craque do Corinthians e da seleção. Em cinco episódios, retrata o médico e jogador que se tornou um símbolo da luta pela democracia durante a ditadura militar.
Dois capítulos, ainda em finalização, foram apresentados na 50ª Mostra de São Paulo, com cobertura do NeoFeed.
Um dos destaques é a Democracia Corinthiana, movimento liderado por Sócrates e outros jogadores entre 1982 e 1984, que implantou decisões coletivas no clube.
“Nunca falo da Democracia Corinthiana no passado, porque ela continua ecoando até hoje”, afirmou Salles.
Com imagens de arquivo e entrevistas, a produção também revisita a participação do jogador nas Diretas Já.
Original da Globoplay, a série tem estreia prevista para o fim de novembro.
* Resumo gerado por inteligência artificial e revisado pelos jornalistas do NeoFeed
Após conquistar o inédito Oscar de melhor filme internacional para o Brasil, com Ainda Estou Aqui (2024), o carioca Walter Salles escolhe assinar um “retrato afetivo” de uma das maiores e mais icônicas figuras do futebol brasileiro: Sócrates (1954–2011).
Como o olhar do diretor está sempre voltado às questões sociais e humanas, a série documental Sócrates Brasileiro vai naturalmente além da trajetória do ídolo da seleção e do Corinthians nos campos. Também entra em cena o ativismo político do meio-campista que usou o seu status esportivo para combater a desigualdade social, lutar por direitos democráticos e desafiar a ditadura militar.
Pelos dois primeiros episódios, ainda em finalização, exibidos como preview nesta 50ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, deu para perceber como a consciência política progressista do jogador foi o que seduziu Salles a desenvolver o projeto.
Trata-se de um original da Globoplay (onde a série deve estrear no final de novembro), em coprodução com a VideoFilmes e com a Anonymous Content Brazil. A vida de Sócrates, passando pelo craque da bola, pelo médico e pela figura emblemática no movimento Diretas Já (1983–1984), foi dividida em cinco episódios.
Raio de Ouro, o primeiro deles, tem início no Brasil pré-ditadura, no final da década de 1950, período em que os pais de Sócrates, ambos funcionários públicos, compartilhavam o sonho de construir uma nação livre.
“Eu fico me perguntando que país era aquele, em que dois pais autodidatas, por influência da filosofia grega, chamam o primeiro filho de Sócrates Brasileiro. Você tinha de acreditar muito no país para fazer aquilo”, disse Walter Salles, em São Paulo, na apresentação da série no Espaço Petrobrás de Cinema, que teve cobertura do NeoFeed.
O segundo episódio, Ganhar ou perder, mas sempre com democracia, aborda a chegada do jovem Sócrates ao Corinthians, em 1978, depois de estrear no futebol no Botafogo de Ribeirão Preto. Foi no clube paulistano que ele deu origem, ao lado de outros jogadores do clube, como Wladimir, Casagrande e Zenon, à Democracia Corinthiana.
Com o nome criado pelo publicitário Washington Olivetto, o movimento, que vigorou entre 1982 e 1984, teve caráter revolucionário ao instituir um sistema democrático de votação para as decisões internas do clube — dos horários de treinos e contratações às regras de concentração, escalações, táticas de jogo e posicionamentos políticos.
Foi assim que o Corinthians se transformou na época em um símbolo de resistência contra a ditadura militar.
“É algo extraordinário. Nunca falo da Democracia Corinthiana no passado, porque ela continua ecoando até hoje. Isso prova o quão revolucionário esse movimento foi, com o qual ainda temos muito a aprender”, afirmou Salles.
A série é estruturada com imagens de arquivo de Sócrates e com entrevistas com pessoas que se aprofundam no legado do “Magrão” (como ele era conhecido), incluindo jornalistas, ex-técnicos e jogadores de futebol e familiares.
A ideia nasceu de uma conversa que o cineasta teve com Raí, irmão de Sócrates, na Fundação Gol de Letra — criada por ele e por outro ex-jogador, Leonardo, para educar crianças e jovens em situação de vulnerabilidade social. “Isso aconteceu há bastante tempo, quando fui, pela primeira vez, à fundação para fazer um debate sobre Diários de Motocicleta [2004], com estudantes”, recordou o cineasta.
No início, houve uma dúvida se a vida de Sócrates ganharia um longa-metragem ou uma série. “Mas quando começamos a fazer a pesquisa, que foi extensa e demorada, decidimos por uma série para poder dar conta do personagem, um médico e jogador de futebol que se transformou em um ícone cultural e político nos anos 1980”, contou Maria Carlota Bruno, uma das produtoras da VideoFilmes.
A entrada da Globoplay no projeto foi um passo natural, depois da parceria que a VideoFilmes estabeleceu com a empresa para realizar Ainda Estou Aqui. “Mas o processo de produção da série atrasou justamente por conta do lançamento de Ainda Estou Aqui. Somente no ano passado retomamos a pós-produção de ‘Sócrates Brasileiro’”, comentou Bruno.
Mas ela não reclama do “timing”, considerando o momento perfeito para a obra chegar ao público. “Foi uma grande alegria e emoção poder exibir dois dos cinco episódios da série na Mostra de São Paulo, no momento em que o mais importante era lutar em defesa da democracia”, disse a produtora, lembrando que a projeção foi realizada dias antes da votação para presidente, no domingo, 25 de outubro.
O ativismo de Sócrates torna, sim, a série mais relevante, ao fazê-la dialogar com a temperatura política atual, após a vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre o candidato de extrema direita Flávio Bolsonaro.
Impossível não conectar as imagens de Sócrates no palanque, emprestando a sua voz ao movimento Diretas Já (no qual Lula também foi figura central), às manifestações populares massivas mais recentes contra o autoritarismo.











