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A Raízen concluiu a maior recuperação extrajudicial do Brasil, resolvendo um passivo de R$ 65 bilhões e transformando credores em sócios com 80% de participação.
A Shell, agora maior acionista individual, terá entre 13% e 15% de participação e integralizará R$ 3,5 bilhões. A empresa será dividida em Raízen Energia e Raízen Combustíveis, com a cisão efetiva em dezembro e operações iniciando em janeiro de 2027.
Rubens Ometto, fundador, deixará a liderança, mantendo menos de 5% de participação, mas poderá integralizar R$ 500 milhões para uma cadeira no conselho.
O novo CEO da Raízen Combustíveis será Lorival Luz, e Geovane Consul liderará a Raízen Energia.
A empresa pagou R$ 2,5 bilhões à União em um acordo tributário. A perspectiva é de, em março, ter R$ 18,1 bilhões em caixa, a partir da nova recomposição. O valor de mercado da Raízen é de R$ 421,7 milhões.
* Resumo gerado por inteligência artificial e revisado pelos jornalistas do NeoFeed
A maior recuperação extrajudicial do Brasil está perto do fim. Em assembleia realizada na sexta-feira, 30 de outubro, a Raízen, que buscava solução para um passivo de R$ 65 bilhões, finalmente chegou a um acordo com os credores. Agora, eles passam a ser sócios, com cerca de 80% de participação da empresa de energia. Com esse movimento, a perspectiva é que sejam criadas duas empresas.
A conclusão da operação também modifica a composição acionária da empresa. Antes do processo, a Shell e a Cosan tinham 44% de participação cada, e 12% das ações estavam no mercado. Com a confirmação do acordo, essa correlação muda completamente.
A Shell passará a ter entre 13% e 15% de participação acionária e se tornará o maior acionista individual da Raízen. No acordo, a empresa também se comprometeu a integralizar R$ 3,5 bilhões de capital. Com isso, passa a ter três cadeiras no conselho de administração. Os credores terão quatro assentos.
A Aguassanta Investimentos, veículo de Rubens Ometto, ficará com menos de 5%. Ele tem opção de integralizar até R$ 500 milhões, até o fim de novembro. Caso efetive a integralização, terá uma cadeira no conselho. O NeoFeed apurou que Ometto enviou uma carta à empresa, lida na assembleia, afirmando que pretende fazer o aporte dentro do prazo.
Com as novas capitalizações e a transformação da dívida de cerca de R$ 30 bilhões em equity, o valor de mercado da empresa deve atingir outro patamar, ainda a ser estabelecido. Não haverá bloco de controle nem acordo de acionistas. Na prática, a empresa se aproxima de uma corporation.
Além disso, foi aprovada a cisão da empresa, transformando a Raízen em duas companhias de capital aberto. A conclusão efetiva da RE será efetivada na segunda quinzena de dezembro. E as duas novas empresas iniciam a operação em meados de janeiro de 2027. Inicialmente, a composição acionária seguirá a mesma.
No acordo aprovado, a Raízen vai se transformar em Raízen Energia, que vai ter, entre os ativos, tudo que estiver ligado à produção; e a Raízen Combustíveis, diretamente ligada à distribuição e responsável pela marca de postos Shell.
Ometto, que até então era o chairman da companhia, deixa a liderança da empresa. Por indicação dos credores, o presidente do conselho da Raízen Combustíveis será Samuel Aguirre, diretor da FTI Consulting, que assessorou os bancos na reestruturação da dívida. O chairman da Raízen Energia será Julio Piza.
No novo modelo, o CEO da Raízen Combustíveis será Lorival Luz, atual CFO da Raízen, que chegou em dezembro na companhia e que liderou o processo de recuperação extrajudicial. O presidente-executivo da Raízen Energia será Geovane Consul, atual vice-presidente de etanol, açúcar e bioenergia da Raízen.
O closing da RE da companhia, fundada por Ometto em 2011, ocorre menos de seis meses após o pedido feito à Justiça, no dia 11 de março. Em 5 de junho, a empresa conseguiu aprovar o plano de recuperação, com o apoio da maioria dos credores.
Segundo fontes do setor e que estavam a par do processo da companhia, o maior desafio, neste período, foi justamente chegar a toda essa composição e convencer os bancos de que a melhor opção era justamente transformar a dívida em participação acionária.
Outra difícil missão, como revelou esta fonte, foi deixar claro para Ometto que ele precisaria mesmo deixar a liderança da companhia, e diluir fortemente sua participação. Na prática, era convencer o fundador de que ele precisava sair de cena para a empresa sobreviver.
Do total da dívida da companhia, 45%, ou cerca de R$ 30 bilhões, vinham justamente do conjunto de credores que agora integra a companhia. Os demais 55% – os R$ 35 bilhões restantes – já foram perfilados, com data de vencimento de até oito anos.
Ainda nesta sexta-feira, 30, a Raízen realizou pagamento de R$ 2,5 bilhões à União, referente a um mega acordo tributário, de uma dívida original de R$ 22,5 bilhões. Com o redesenho da empresa, o plano é de chegar em março com um caixa de R$ 18,1 bilhões.
Com a informação do acordo tributário e a perspectiva de um final feliz para o processo de recuperação extrajudicial, as ações da Raízen operaram em alta durante todo o pregão. O papel fechou o dia com valorização de 10,7%, a R$ 0,31.
No acumulado de 2026, as ações RAIZ4 registram queda de 61,2% na B3. Em 12 meses, a desvalorização é maior, de 67%. A Raízen tem valor de mercado de 421,7 milhões.









