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Carmen Miranda terá Hollywood novamente a seus pés. Prevista para 2028, sua cinebiografia terá orçamento de R$ 61 milhões e uma parceria com Christian Louboutin, que criará os sapatos de plataforma usados por Giovanna Lancellotti nos principais números musicais.
Foi a Pequena Notável quem popularizou o modelo nos anos 1930 e 1940. Com cerca de 1,52 metro, a artista tinha uma coleção de aproximadamente 500 pares de calçados, com saltos que chegavam a 20 centímetros.
“Propus que ele colaborasse com a cinebiografia, redesenhando alguns de seus sapatos. E ele gostou da ideia”, conta ao NeoFeed a produtora Tatiana Issa.
Dirigido por Esmir Filho, de “Homem com H”, “Carmen” será rodado no Brasil e nos Estados Unidos, com filmagens previstas para 2027.
A trama abordará o período de 1940 a 1955, entre a consagração da estrela e as pressões dos estereótipos que marcaram sua carreira. “Ela se tornou refém da personagem que ela mesma criou”, diz Issa.
* Resumo gerado por inteligência artificial e revisado pelos jornalistas do NeoFeed
Carmen Miranda (1909-1955), a primeira brasileira a ter Hollywood a seus pés, ganha a sua cinebiografia em 2028. Com um megaorçamento para os padrões da indústria brasileira, de R$ 61 milhões, Carmen já conquistou um parceiro internacional de peso, a marca de sapatos francesa Christian Louboutin, que criará sapatos de salto plataforma para a protagonista.
Como tinha uma estatura baixa, de cerca de 1,52 m (daí o apelido de Pequena Notável), a atriz, cantora e dançarina foi quem popularizou, nos anos 1930 e 1940, o modelo de salto com solado inteiriço. E sua coleção de calçados com saltos altos (entre 10 cm e 20 cm), permitindo que ela se apresentasse com mais conforto e segurança nos palcos e nos sets de filmagens, chegava a 500 pares.
Na época, a estrela, facilmente reconhecida por seu visual estilizado, com roupas coloridas, joias enormes, balangandãs e turbantes com frutas tropicais, encomendava seus sapatos ao designer Salvatore Ferragamo. A marca italiana foi a primeira a confeccionar sapatos de salto plataforma, inspirada nos chopines, como eram conhecidos os calçados extravagantes da nobreza a partir do século 15, com bases grossas de madeira ou cortiça e forros de tecidos caros.
“Como eu conheço Christian Louboutin, com quem já trabalhei, propus que ele colaborasse com a cinebiografia de Carmen Miranda, redesenhando alguns de seus sapatos. E ele gostou da ideia”, diz ao NeoFeed Tatiana Issa, da Producing Partners, uma das empresas produtoras do filme, em parceria com a Ananã Produções, a GL Filmes e a H2O Produções.
Louboutin ficará encarregado dos calçados para os números musicais principais do filme, estrelado pela atriz Giovanna Lancellotti (mais conhecida por novelas da Globo) e dirigido por Esmir Filho, que assinou Homem com H (2025), drama biográfico sobre Ney Matogrosso.
Famoso pelos sapatos de sola vermelha, Louboutin até lançou uma coleção feminina, de primavera/verão 2017, inspirada no Brasil, capturando a essência de Carmen Miranda, sobretudo no modelo Carnababe, uma sandália de salto plataforma supercolorida.
“Até hoje, Carmen é um ícone fashion, lançando uma identidade visual com a qual as pessoas ainda se identificam. Naquela época, roupas inspiradas na estrela, com muitos babados, eram vendidas em lojas de departamento nos Estados Unidos, como a Macy’s. Suas roupas, seus turbantes e seus sapatos viraram moda”, lembra Issa, conhecida como a criadora e a diretora da série documental Geografia da Arte, em parceria com Guto Barra.
Um dos episódios dessa série, que explora como um lugar pode influenciar o trabalho de grandes nomes das artes, é justamente sobre a relação de Louboutin com o Egito. “Ficamos próximos depois de termos filmado na sua casa, em Luxor, e no seu barco [percorrendo o rio Nilo]”, afirmou Issa, que opera com Productions Partners no Brasil, na América Latina e nos Estados Unidos.
Carmen, com filmagens agendadas para o segundo semestre de 2027, será rodado no Brasil e nos Estados Unidos e falado em português e inglês. Com roteiro de Mariana Bardan e Eduardo Melo, a trama vai se desenrolar no período de 1940 a 1955, desvendando a mulher por trás do ícone que abriu caminho para futuras atrizes latinas na indústria de entretenimento americana.
A cinebiografia, com lançamento previsto para 2028, promete revisitar os altos e baixos da estrela, que chegou a ser a mulher mais bem paga de Hollywood. Se, por um lado, ela conseguiu levar o samba e a cultura latina a um público global, por outro, enfrentou duras críticas em casa, acusada de promover uma imagem estereotipada e americanizada do Brasil e da América do Sul.
“Ao longo das décadas, surgiram muitos projetos de filmes sobre Carmen Miranda, mas nenhum deles se concretizou. E talvez tenha sido melhor assim”, diz Issa, acrescentando que, no passado, a artista poderia ter sido vista como uma “vítima” por não ter se casado ou constituído família.
“Hoje, ela ganha um olhar mais moderno, podendo ser reconhecida pela grande mulher que ela foi. Carmen era uma artista que negociava o próprio salário”, destaca, referindo-se aos mais de US$ 200 mil por ano que ela ganhava nos Estados Unidos. “Mas, como todo gênio, ela acabou presa em estereótipos”, afirma. “E se tornou refém da personagem que ela mesma criou.”









