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A Dell, fundada por Michael Dell em 1984, sobreviveu à bolha das pontocom e agora se prepara para enfrentar os desafios da inteligência artificial (IA).
A empresa, que ampliou sua atuação em servidores e infraestrutura para IA, acumula US$ 95 bilhões em pedidos pendentes e projeta um crescimento de 70% na receita.
Michael Dell acredita que o modelo de negócios da empresa, que produz sob encomenda e recebe pagamentos antecipados dos clientes, oferece proteção contra riscos de excesso de investimentos.
Essa estratégia contrasta com a de gigantes como Amazon e Google, que estão aumentando seus investimentos em infraestrutura.
A fabricante de fibra óptica Corning também busca reduzir riscos, fechando contratos que vinculam investimentos à demanda dos clientes.
* Resumo gerado por inteligência artificial e revisado pelos jornalistas do NeoFeed
Quando a bolha das pontocom estourou, no início dos anos 2000, a fabricante de computadores Dell já era uma gigante do setor de tecnologia, com quase duas décadas de estrada.
A companhia fundada por Michael Dell em 1984 sobreviveu à crise que dizimou empresas ligadas à internet, cujos valuations haviam disparado muito além do que seus negócios conseguiam sustentar.
Agora, seu fundador acredita que a empresa está bem posicionada para enfrentar o que pode ser mais um período de turbulência para o setor de tecnologia neste século: os excessos e as incertezas em torno da inteligência artificial.
O movimento ocorre em meio à transformação da fabricante, que ampliou sua atuação da venda de computadores pessoais para atuação em servidores e infraestrutura voltados à IA.
O mercado não crava que a recente disparada das ações ligadas à IA se trate de uma bolha, mas investidores estão preocupados com a escalada vertiginosa nos valuations, o que tem provocado correções periódicas.
É o que acontece nesta sexta-feira, 16 de outubro, quando uma nova liquidação no setor derruba o índice S&P 500 em mais de 1%, enquanto o índice de tecnologia Nasdaq cai quase 2% por volta das 15h30.
A Dell acompanha a baixa do setor e recua quase 3,6% no mesmo horário. Embora não esteja desenvolvendo modelos de IA, como OpenAI, Anthropic e Google, a companhia de Michael Dell está no centro desse mercado com a venda dos servidores necessários para desenvolver e operar esses modelos.
Segundo o Wall Street Journal, a Dell acumulava US$ 95 bilhões em pedidos pendentes de servidores para IA e projetava um crescimento de 70% na receita no ano fiscal corrente. Ao longo dos 11 trimestres anteriores, o número de clientes corporativos que constroem centros de dados para inteligência artificial e compram seus equipamentos passou de 3,2 mil para 6,5 mil.
O desempenho também se refletiu no mercado de ações. A valorização da Dell chegou a quase quatro vezes em um intervalo de 12 meses, embora os papéis tenham enfrentado uma correção recente em meio à volatilidade do setor.
Para Michael Dell, porém, o modelo de negócios da companhia oferece uma proteção contra uma eventual reversão desse ciclo. “[O cenário] traz alguns novos desafios, mas, se você observar nosso ciclo de conversão de caixa, ele continua negativo”, afirmou o empresário em entrevista ao Wall Street Journal.
Isso porque a fabricante de computadores e servidores produz de acordo com os pedidos recebidos e recebe dos clientes antes de precisar quitar todos os custos envolvidos na operação. É um modelo que ajuda a empresa a preservar caixa e reduz o risco de fabricar equipamentos que depois fiquem encalhados no estoque.
A estratégia contrasta com a de gigantes que estão liderando o boom de IA, como Amazon e Google, que vêm aumentando seus investimentos e recorrendo a recursos para financiar a rápida expansão da infraestrutura.
Mas a Dell não está sozinha na busca por proteção. A fabricante de fibra óptica Corning, que esteve no centro da bolha das pontocom, atualmente tem alta exposição ao desenvolvimento de IA, mas já prepara mecanismos para reduzir os riscos de uma eventual desaceleração. Seu CEO, Wendell Weeks, já era executivo da companhia nos anos 2000.
Segundo reportagem do WSJ, a Corning fechou contratos com Nvidia, Amazon e Meta nos quais as empresas não apenas compram seus produtos, mas também financiam a ampliação da capacidade produtiva de fibra óptica da fabricante.
Com isso, parte dos investimentos necessários para atender à demanda fica vinculada a compromissos dos próprios clientes, o que pode reduzir a exposição da Corning caso o ritmo de expansão do mercado diminua.









