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A disputa pelo clique no varejo migra para a inteligência artificial


A próxima disputa do varejo brasileiro pode acontecer antes mesmo de o consumidor entrar em uma loja virtual. Com o avanço dos agentes de inteligência artificial, empresas que passaram anos investindo para aparecer nas primeiras posições do Google agora começam a preparar seus produtos para conquistar espaço nas recomendações de LLMs, como o Gemini, o ChatGPT ou o Claude.

“Os varejistas vão ter que aparecer ali na recomendação das LLM e para isso tem um trabalho por trás que precisa ser feito”, afirmou Carol Hudson, head para varejo do Google Cloud no Brasil, em entrevista ao Revolução IA.

De olho nessa nova necessidade, o Google Cloud já trabalha com grandes varejistas brasileiros na preparação de seus catálogos e sistemas para a era do comércio agêntico, em que agentes de inteligência artificial poderão pesquisar, recomendar e até concluir compras em nome dos consumidores. A área comandada por Hudson atende os 80 maiores varejistas do País, entre eles Casas Bahia, Magazine Luiza, Hering e Mercado Livre.

A preparação começa por uma etapa aparentemente simples: a qualidade das informações dos produtos. Fotos, descrições e características das mercadorias precisam estar organizadas para que os sistemas de inteligência artificial consigam interpretá-las e utilizá-las nas recomendações. É uma evolução da lógica que levou as empresas a investir durante anos em otimização para mecanismos de busca, o chamado SEO.

Na Casas Bahia, por exemplo, uma das iniciativas desenvolvidas com o Google Cloud envolve o enriquecimento do catálogo digital. Imagens de sofás antes apresentados sobre fundos brancos passaram a ser ambientadas em salas de estar, permitindo que o consumidor visualize melhor o produto. O Mercado Livre também utiliza tecnologias da companhia para aprimorar as imagens publicadas pelos vendedores de seu marketplace.

Embora essas aplicações já estejam em operação, a mudança mais profunda ainda está por vir. Nos Estados Unidos, o Google começou a implementar compras diretamente pelo Gemini, por meio do Universal Commerce Protocol (UCP), padrão desenvolvido com empresas do setor para conectar agentes de IA aos sistemas comerciais dos varejistas.

No Brasil, segundo Hudson, ainda não há previsão de lançamento dessa funcionalidade, mas o movimento já abre uma nova frente de competição. Se a descoberta e a escolha dos produtos passarem a acontecer dentro de plataformas de inteligência artificial, os varejistas poderão depender cada vez mais desses intermediários para conquistar consumidores. Com isso, a capacidade de disponibilizar informações confiáveis e atualizadas sobre preços, estoques e características dos produtos tende a ganhar importância estratégica.

Segundo estimativa da McKinsey, o comércio mediado por agentes de inteligência artificial poderá movimentar entre US$ 3 trilhões e US$ 5 trilhões globalmente até 2030. O valor considera transações intermediadas por agentes e não apenas compras realizadas de maneira totalmente autônoma.

Para o Google Cloud, a transformação é uma oportunidade de ampliar a demanda por infraestrutura de nuvem, processamento de dados e ferramentas de inteligência artificial. Para os varejistas, é uma mudança que envolve o custo de conquistar clientes, mas pode potencializar resultados no longo prazo.

De acordo com a head de varejo, uma empresa que adotou a tecnologia de provador virtual do Google Cloud registrou uma taxa de conversão oito vezes maior entre os consumidores que utilizaram a ferramenta. A executiva também cita a rede americana Macy’s, que teria registrado um aumento de 400% na conversão em uma experiência de compra apoiada por inteligência artificial.

Embora reconheça que os Estados Unidos estão mais avançados no comércio agêntico, Hudson ressalta que o varejo brasileiro já tem experiências concretas nessa direção. “Com o Cérebro da Lu, você já consegue comprar pelo WhatsApp”, afirma a executiva, ao citar a solução do Magazine Luiza. Outro exemplo é a Hering, que adotou a tecnologia de provador virtual do Google para aprimorar a experiência de compra.



Fonte: NeoFeed

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