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O Muse Wonder, agente de inteligência artificial da Meta, pode impulsionar o e-commerce brasileiro, beneficiando principalmente Magazine Luiza e Mercado Livre, segundo o BTG Pactual.
A ferramenta permite que consumidores pesquisem e comprem produtos com a ajuda de um assistente digital, potencialmente aumentando as vendas sem a necessidade de acessar diretamente os aplicativos de varejo.
O Magazine Luiza, com um ecossistema mais avançado, pode se adaptar rapidamente, como demonstrado por suas iniciativas de comércio via WhatsApp. O Muse já alcançou 2,1 milhões de usuários ativos diários em outubro, evidenciando sua rápida adoção.
A Meta busca se tornar uma interface crucial entre consumidores e serviços digitais, o que pode impactar negativamente a Amazon, que já bloqueou o acesso do Muse ao seu marketplace.
O debate atual gira em torno de quem controlará o relacionamento com o consumidor e a descoberta de produtos à medida que a IA se torna mais prevalente no e-commerce.
* Resumo gerado por inteligência artificial e revisado pelos jornalistas do NeoFeed
Lançado há pouco mais de um mês nos Estados Unidos, o sistema Muse Wonder, agente de inteligência artificial da Meta, pode abrir uma nova frente de crescimento para o e-commerce brasileiro. E as principais beneficiadas devem ser Magazine Luiza e Mercado Livre.
A avaliação é do BTG Pactual, que enxerga potencial benefício para os dois canais do varejo online, especialmente da companhia liderada pela família Trajano. Ainda não há prazo para que a plataforma de Mark Zuckerberg, disponível desde 8 de setembro, passe a funcionar no Brasil.
Na prática, a ferramenta permite que consumidores pesquisem produtos, comparem preços e realizem as compras com a ajuda direta de um assistente digital, criando a possibilidade de gerar vendas sem que o cliente precise entrar primeiro nos aplicativos de varejo.
Justamente por estar com um ecossistema mais avançado é que o Magalu, segundo os analistas, poderia ser beneficiado. Desse modo, a nova ferramenta pode funcionar, especialmente no primeiro momento, mais como uma aliada do que uma possível ameaça.
“As iniciativas de comércio pelo WhatsApp do Magazine Luiza são um exemplo de como varejistas já estabelecidos podem se adaptar às compras conversacionais”, diz o relatório assinado por Luiz Guanais, Yan Cesquim e Beatriz Cendon.
Ainda segundo o BTG, “varejistas que conseguirem integrar agentes de IA às suas operações poderão se beneficiar de demanda incremental, menores custos de aquisição de clientes e melhora na conversão, embora a distribuição desses benefícios dependa fortemente de quem, em última instância, controla as recomendações de produtos e a economia das transações”.
Em novembro do ano passado, o NeoFeed revelou, em entrevista com Frederico Trajano, CEO do Magalu, que a conversão de vendas via WhatsApp, com recomendações da agente virtual Lu, já era três vezes maior do que em outros canais
O que tem chamado a atenção é a enorme velocidade de expansão em um curto espaço de tempo. Com base em dados da plataforma Similarweb, o relatório do banco aponta que o Muse atingiu 2,1 milhões de usuários ativos diários em 5 de outubro. Em 25 de setembro, era 1,4 milhão.
“É importante destacar que a Meta está utilizando suas enormes capacidades de distribuição, particularmente o WhatsApp, para reduzir as barreiras à adoção e potencialmente estabelecer o Muse como uma nova interface entre consumidores e serviços digitais”, afirmam os analistas.
Na visão do banco, o surgimento de agentes pessoais de compras poderia criar oportunidades relevantes, particularmente para varejistas e marcas com preços competitivos, sortimentos diferenciados, fulfillment (todo o conjunto da operação) confiável e infraestrutura digital robusta.
Ao diminuir os custos de busca e simplificar a comparação de produtos, os agentes poderiam ajudar pequenos comerciantes a alcançar consumidores sem depender exclusivamente dos rankings tradicionais dos marketplaces ou de campanhas caras de aquisição de clientes.
Na outra ponta, a Amazon já começa a ser impactada negativamente com a ferramenta criada pela companhia de Zuckerberg. No dia 21 de setembro, a plataforma bloqueou o acesso do Muse ao seu marketplace, alegando acesso não autorizado e preocupações relacionadas à segurança, dados de clientes e experiência de compra.
“Além dessas preocupações declaradas, a disputa ilustra a importância estratégica de controlar a interface com o cliente. Também estão surgindo evidências iniciais de mudança de comportamento. O Business Insider informou em 6 de outubro que alguns usuários do Muse já estavam transferindo suas compras da Amazon para comerciantes que vendem diretamente ao consumidor”, dizem os analistas do BTG.
Neste sentido, ainda segundo o relatório, o principal debate no momento passa a ser menos sobre o impacto imediato no GMV (volume bruto de mercadoria) e mais sobre quem será o dono do relacionamento com o consumidor, da descoberta de produtos e da ferramenta de transações à medida que o volume de vendas a partir da IA aumentar.
“Para a Meta, a oportunidade de longo prazo é tornar-se um gateway cada vez mais importante para o consumo digital, potencialmente capturando valor que hoje pertence a mecanismos de busca, marketplaces e outras plataformas voltadas ao consumidor”, diz o BTG.
De qualquer forma, o avanço do Muse coloca a Meta em um patamar de competitividade com principais rivais no mercado de IA, como Claude e ChatGPT. E ainda pode criar mais uma importante ferramenta de receita.
“Em última análise, acreditamos que o surgimento do Muse reforça um importante tema estrutural para o e-commerce global: a vantagem competitiva poderá depender cada vez mais não apenas de atrair consumidores para uma plataforma, mas também de tornar-se a plataforma preferida por meio da qual os agentes de IA executam suas compras”, completa.









