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Até 2021, a PUC-Rio enfrentava uma grave crise financeira. Desde a gestão do padre Anderson Antonio Pedroso, reitor desde junho de 2022, a universidade adotou práticas de administração empresarial, resultando em uma receita de R$ 1,3 bilhão e um superávit de R$ 80,9 milhões.
Pedroso implementou mudanças significativas, como revisão de contratos e auditorias, e cortou privilégios, como os 200 cartões corporativos. A receita bruta cresceu 15,3%, e o caixa aumentou para R$ 437 milhões, permitindo investimentos em melhorias.
Ele reativou um conselho de desenvolvimento com nomes influentes, como Armínio Fraga, para auxiliar na gestão e preparar a instituição para desafios futuros.
A PUC-Rio, com 40% de alunos bolsistas, busca equilibrar a saúde financeira com sua missão social, enfatizando que uma boa gestão garante o bem-estar da comunidade.
* Resumo gerado por inteligência artificial e revisado pelos jornalistas do NeoFeed
Se fosse uma empresa privada, a Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio) teria chegado muito perto de um pedido de recuperação judicial em 2021. A instituição enfrentava uma enorme crise financeira. Hoje, o cenário é outro. A universidade tem uma receita de R$ 1,3 bilhão, superávit de R$ 80,9 milhões e um caixa livre que se aproxima de R$ 500 milhões.
A mudança no rumo da universidade começou a ganhar forma na gestão do padre Anderson Antonio Pedroso, reitor da PUC-Rio desde junho de 2022. O conceito adotado foi o da administração de um executivo de uma grande companhia. Para isso, mudou modelo de governança, revisou contratos, realizou auditorias, alterou o sistema de compras e estabeleceu o compliance. O resultado veio e Pedroso se tornou uma espécie de CEO da instituição.
“Mais do que a lógica empresarial, eu trouxe a boa prática de gestão para a universidade. A gente sistematizou muitos dos processos. Não havia claro como era o modelo de gestão. Era necessário estabelecer regras”, diz Pedroso, o reitor da PUC-Rio, em entrevista ao NeoFeed.
Todos os médios e grandes processos, com custos maiores, passaram a ser revisados e aprovados diretamente pelo reitor, com uma análise prévia de sua equipe.
Quando chegou ao comando da instituição, Pedroso encontrou 200 cartões corporativos em uso. Ele cortou imediatamente o privilégio. Também não havia processos bem definidos. “Precisa ter coragem para tomar algumas decisões. As práticas administrativas estavam desatualizadas.”
No ano anterior à chegada do padre Pedroso, a PUC-Rio registrou um “prejuízo” de R$ 6,3 milhões. Na prática, o que arrecadava com mensalidades dos cursos não era suficiente para pagar as despesas. Em 2018, foi o pior cenário, com déficit de R$ 37,2 milhões.
Nos últimos dois anos, a instituição fechou no azul. Em 2024, alcançou R$ 40,3 milhões na linha final. E, em 2025, que acabou de ser auditado, o resultado dobrou, com R$ 80,9 milhões. Até setembro deste ano, já chegou a R$ 114 milhões e deve ultrapassar R$ 120 milhões até o fim do ano.
A receita bruta cresceu 15,3%, impulsionado também pelo aumento nas receitas de projetos patrocinados e em pesquisas científicas. As receitas com mensalidade cresceram 9,6% no ano.
No primeiro semestre do ano, o caixa também aumentou. Pulou de R$ 304 milhões, em dezembro do ano passado, para os atuais R$ 437 milhões. Isso vai permitir à PUC-Rio investir pelo menos R$ 50 milhões em melhorias na estrutura para os estudantes.
“Nosso caixa já corresponde a dois anos de operação e quase um ano de pagamento de salários. No mundo financeiro, isso é um grande resultado. Mostra que a PUC-Rio é uma empresa saudável”, afirma.
O próximo passo, a partir do ano que vem, é contratar uma das big four (grupo formado por Deloitte, PwC, EY e KPMG) para realizar a auditoria da instituição.
“Tínhamos uma consultoria de porte médio, que levantou todas as grandes questões. A partir daí, pude fazer as reformas necessárias. Estamos fechando com uma big four. Isso significa nossa confiança com o que estamos fazendo”, afirma.
Conselho de “estrelas”
Para chegar ao balanço no azul, o padre também se cercou de nomes importantes em gestão e economia. Ele reativou o conselho de desenvolvimento da PUC-Rio, que não funcionava, para ouvir sobre administração e, principalmente, os efeitos do cenário macroeconômico para o setor educacional.
Entre os nomes, está o do economista Armínio Fraga, sócio-fundador da Gávea Investimentos e que foi presidente do Banco Central entre 1999 e 2002, durante a gestão de Fernando Henrique Cardoso.
No grupo, de 33 integrantes, estão também o ex-presidente da Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan) Eduardo Eugenio Gouvêa Vieira, o ex-ministro da Cultura Marcelo Calero, o ex-presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) Márcio Fortes, a pesquisadora da Fiocruz Margareth Dalcolmo, entre outros.
“Eles têm muito a confiança do mercado e me ajudam a entender a macroeconomia do Brasil. Esse grupo também dá um peso moral para a instituição. O conselho se reúne a cada quatro meses e acompanham diretamente a gestão, o nosso resultado financeiro. Eles participam da vida da universidade com um olhar mais amplo”, afirma o padre.
Isso significa também preparar a PUC-Rio para o cenário desafiador já previsto para 2026, independentemente se a disputa presidencial for vencida por Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ou Flávio Bolsonaro (PL).
“Já é previsto que no próximo ano teremos que estar muito bem preparados. Qualquer empresa sabe disso. De um lado ou de outro, não vai ser fácil. E chegar com mais musculatura financeira nos deixa mais blindados e passa uma mensagem importante para a sociedade”, explica.
Junto com o resultado financeiro, veio o aumento na atuação social da entidade. Instituição ligada à Igreja Católica, a PUC-Rio é administrada pelos jesuítas, por meio da Companhia de Jesus. É a única PUC no Brasil gerida pelo grupo, que têm administrações diferentes. Ao todo, são sete Pontifícias Universidades Católicas no país.
Com cerca de 12 mil alunos entre os cursos de graduação (9 mil) e pós-graduação (3 mil), a PUC-Rio tem hoje cerca de 40% de bolsistas, incluindo total e parcial. O centro de pesquisas também tem parcerias com empresas como Petrobras.
“Governando eticamente as finanças, você garante o futuro do social. A PUC é uma universidade sem fins lucrativos e nossa missão é garantir o bem social. Cuidar da gestão significa cuidar das pessoas.”
Padre Pedroso também é, além de reitor, professor da PUC-Rio, de artes e design, e da pós-graduação em comunicação. Recentemente concluiu o curso General Management Program (GMP) da Harvard Business School, voltado para líderes executivos.
Fez a graduação e o mestrado em Teologia, na Pontifícia Universidade Gregoriana, em Roma, na Itália. Possui também licenciatura em Filosofia (Universidade do Sagrado Coração), em Bauru, em São Paulo. Com três anos de mandato, ele foi reconduzido ao posto de reitor em 2025, onde fica até 2028.








