O crescimento do comércio exterior brasileiro exige que a estrutura aduaneira em terra acompanhe o ritmo das operações, com áreas para armazenagem, fiscalização e circulação de caminhões. Uma mudança regulatória recente abriu justamente novas possibilidades nesse cenário e já começa a repercutir nos planos de expansão de operadores logísticos. A Instrução Normativa RFB nº 2.277, publicada em agosto do ano passado, estabeleceu condições para a relocalização de Centros Logísticos e Industriais Aduaneiros (CLIAs), permitindo que instalações licenciadas possam mudar de endereço em situações específicas.
Na prática, a possibilidade de reposicionar instalações representa uma oportunidade para ampliar a capacidade de atendimento ao comércio exterior. Esse foi um dos temas abordados por Gabriela Silva, gerente de marketing e administrativa de vendas da Multilog, durante a cerimônia de premiação das 100 maiores empresas de Santa Catarina, promovida pelo Grupo AMANHÃ e pela PwC Brasil, em Florianópolis, na quinta-feira (8). Nascida em Itajaí há 30 anos, a empresa atua em recintos alfandegados, centros de distribuição e transporte rodoviário.
Segundo Gabriela, a estrutura de Santos foi a primeira da companhia a passar por uma relocalização que permitiu triplicar o tamanho da operação e outras unidades alfandegadas também deverão ser ampliadas. A expansão faz parte de um movimento mais amplo da companhia catarinense, que anunciou um plano de investimentos de R$ 900 milhões entre 2026 e 2028 para ampliar e reposicionar instalações em quatro estados brasileiros.
A pressão sobre a infraestrutura, entretanto, não se limita ao entorno dos portos marítimos. Nas fronteiras terrestres, o fluxo de caminhões que atravessam o país para abastecer mercados vizinhos ou transportar mercadorias importadas exige pátios, acessos viários e instalações capazes de evitar gargalos. Esse é um desafio particularmente relevante para o Sul, região que concentra conexões estratégicas com os demais países do Mercosul. Um exemplo está em Foz do Iguaçu, no Paraná, onde a Multilog anunciou um novo porto seco, com investimento informado de R$ 500 milhões. De acordo com Gabriela, a estrutura foi projetada para ampliar em 30% a capacidade operacional da unidade, tendo condições para atender até 2 mil caminhões por dia. A expectativa é contribuir também para reduzir os impactos do trânsito de veículos pesados na cidade, um dos problemas associados à movimentação de cargas na fronteira.
Ela destacou que as fronteiras funcionam como pontos de entrada e saída de mercadorias, mas também como áreas de pressão sobre a infraestrutura. O movimento aduaneiro precisa ser absorvido por rodovias, recintos de armazenagem e centros de distribuição, sob o risco de filas e atrasos comprometerem a previsibilidade das operações. Para Santa Catarina, cuja atividade econômica depende de uma rede portuária relevante e de conexões terrestres com os demais estados, o desafio é justamente garantir fluidez entre esses diferentes elos.








