A Minerva Foods, controlada pela família Villela de Queiroz e pelo fundo saudita Salic, voltou a avaliar o seu fechamento de capital, segundo fontes ouvidas pelo NeoFeed.
Uma Oferta Pública de Aquisição (OPA) chegou a ser considerada em maio deste ano, mas não avançou. Agora, as negociações voltaram para a mesa. O NeoFeed apurou que o BTG Pactual está assessorando a transação. Não há garantias de que as conversas vão avançar. Hoje, a chance é de 50% de a transação avançar.
O fechamento de capital acontece no contexto de desvalorização das ações do frigorífico. Neste ano, os papéis caem 23,26%. Em 12 meses, as perdas são superiores a 30%, mesmo com a alta de 12% impulsionada pelo rali da bolsa pós-primeiro turno das eleições.
Essa seria uma das razões para a OPA, dado que os controladores acreditam que a empresa está descontada na bolsa. Um dos desafios da transação, além de definir o percentual com que cada um ficará da empresa após o fechamento de capital, está no fato de o free float responder por mais de 45% do capital do frigorífico.
Ao preço de tela desta quinta-feira, 8 de outubro, a operação precisaria de R$ 2 bilhões, isso sem levar em conta um prêmio a ser oferecido aos investidores. Mas, para fechar o capital, a empresa precisaria da adesão de apenas dois terços dos investidores.
No segundo trimestre deste ano, a Minerva reportou lucro líquido de R$ 196,9 milhões no segundo trimestre de 2026, queda de 57% em relação a igual intervalo do ano passado, mas alta trimestral de 125%. Entre os fatores de pressão, está o recuo de 5,5% no Ebitda, que atingiu R$ 1,23 bilhão, com margem Ebitda de 8,7%, ante 9,4% registrados um ano antes.
“O que explica essa piora de margem ano contra ano é a alta do preço do boi, basicamente. O gado hoje está cerca de 27% mais caro, em média”, afirmou Edison Ticle, CFO da Minerva Foods, ao NeoFeed, na ocasião.
Já a receita líquida somou R$ 14,1 bilhões no trimestre, crescimento de 1,3% ante um ano antes, refletindo a melhor dinâmica de preços no período, segundo a companhia.
A alavancagem, por sua vez, medida por dívida líquida sobre Ebitda dos últimos 12 meses, ficou em 2,9 vezes, diante dos maiores investimentos em capital de giro. No trimestre imediatamente anterior, o indicador estava em 2,7 vezes.
O resultado financeiro líquido do trimestre foi negativo em R$ 756,8 milhões, uma piora de 26,7% na comparação anual. De acordo com o release de resultados, a diferença é explicada especialmente pelo efeito não caixa da variação cambial, que contribuiu com um resultado positivo de R$ 128,6 milhões no segundo trimestre de 2025, enquanto foi negativo em R$ 35,2 milhões no mesmo período deste ano.
Procurada, a Minerva Foods informou que mantém a mesma posição de um comunicado enviado ao mercado em 1 de junho deste ano.
Na ocasião, a empresa disse que “no curso normal de seu planejamento e gestão de capital, avalia continuamente alternativas estratégicas voltadas à otimização de sua estrutura societária e de capital, à geração de valor para seus acionistas e ao melhor posicionamento da Minerva nos mercados em que atua.
E prosseguiu: “Nesse contexto, a companhia esclarece que não houve e não há, neste momento, qualquer definição ou deliberação societária, seja pela Companhia, seja pelos seus acionistas controladores, acerca de possível operação que poderia contemplar o fechamento de capital da Companhia, e, por conseguinte, sobre sua estrutura, prazos ou quaisquer termos e condições relacionados à sua eventual realização.”









