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Fundada em 2019, a MotoChefe já vendeu mais de 300 mil scooters e bikes elétricas e projeta dobrar de tamanho em 2026, alcançando um faturamento de R$ 600 milhões.
A empresa vem testemunhando o aumento da demanda a partir de mudanças na legislação que facilitam o uso de scooters e bikes elétricas, especialmente para entregadores.
Com 70% de seu portfólio focado em autopropelidos, a MotoChefe enfrenta concorrência de marcas chinesas e indianas, mas busca se diferenciar pela produção local e logística eficiente. A
empresa planeja aumentar sua capacidade de produção e expandir sua rede de lojas, que atualmente conta com 104 unidades.
Além disso, a MotoChefe vem investindo em branding, com lançamentos de modelos assinados por celebridades e patrocínios a clubes de futebol, como Vasco e Palmeiras, para aumentar a visibilidade e credibilidade da marca.
* Resumo gerado por inteligência artificial e revisado pelos jornalistas do NeoFeed
Entre o tombo da Voltz e a chegada das motos elétricas chinesas, a MotoChefe acelera para dobrar seu faturamento para R$ 600 milhões neste ano. O foco da empresa carioca são os veículos leves que dispensam habilitação e emplacamento.
Para isso, a MotoChefe projeta a abertura de mais 50 lojas até dezembro e a ampliação da capacidade de sua fábrica em Manaus. A expansão coloca a empresa carioca diante do desafio de ganhar escala em um mercado que atrai concorrentes internacionais e carrega o precedente da quebra da Voltz.
Fundada em 2019, a companhia afirma ter vendido mais de 300 mil unidades desde então. Para sustentar o próximo salto, aposta principalmente em veículos de menor potência, em uma rede que combina lojas próprias e franquias e na estrutura de distribuição e reposição de peças.
A escolha do portfólio é central nessa estratégia. Segundo a empresa, os autopropelidos respondem por 70% do negócio. Esses veículos leves, alguns com aparência de pequenas motos ou scooters, que dispensam habilitação e emplacamento quando atendem aos critérios da legislação.
Esse enquadramento reduz as exigências para o comprador e ajuda a explicar a aposta da MotoChefe. Embora disputem espaço na mobilidade elétrica em duas rodas, a companhia e a Voltz não têm propostas idênticas: o foco da primeira está nas categorias de menor potência.
A Voltz, criada em 2017, ganhou projeção com vendas pela internet, atraiu investimentos da Creditas e da UVC, fundo do grupo Ultra, e chegou a ser chamada de “Tesla brasileira”. Mas os atrasos nas entregas e os problemas de assistência técnica acompanharam sua expansão. No fim de 2023, pediu recuperação judicial, com dívida de R$ 335 milhões.
Em agosto de 2026, a Diligence, administradora judicial do caso, solicitou manifestação do Ministério Público sobre a decretação da falência da companhia. O movimento acrescenta um novo capítulo ao processo de uma empresa que deixou clientes à espera de veículos e parceiros comerciais sem condições de manter suas operações.
Para a MotoChefe, esse histórico torna a estrutura de entrega e manutenção uma parte importante da disputa pelo consumidor. A companhia diz trabalhar com pronta-entrega a partir de Manaus e manter seis centros de distribuição, além de uma logística de peças de reposição.
A oportunidade está ligada também à regulamentação dos veículos leves. A Resolução 996 do Conselho Nacional de Trânsito (Contran), de 2023, definiu critérios para bicicletas elétricas, ciclomotores e equipamentos de mobilidade individual autopropelidos.
No caso dos autopropelidos, os limites incluem potência nominal de até 1.000 watts, velocidade máxima de fabricação de 32 quilômetros por hora, largura de até 70 centímetros e distância entre eixos de até 1,30 metro. A dispensa de habilitação, registro e licenciamento depende do cumprimento dos requisitos. Bicicletas elétricas de pedal assistido constituem uma categoria distinta.
“O Brasil sempre abraçou bem as duas rodas. E algumas mudanças recentes na legislação e no comportamento dos consumidores só acentuaram o crescimento desse mercado no País”, afirma Flávio Drapal, cofundador e diretor da MotoChefe, ao NeoFeed.
Na avaliação do executivo, o uso desses veículos vem ganhando espaço para além do lazer, inclusive entre entregadores que buscam reduzir o esforço físico e os gastos com deslocamento.
Dados da Aliança Bike mostram que, em 2024, cerca de 160 mil autopropelidos foram produzidos ou importados no Brasil. No mesmo ano, chegaram ao mercado 53,6 mil bicicletas elétricas de pedal assistido. Os autopropelidos representaram aproximadamente três quartos do volume combinado dessas duas categorias.
Além dos autopropelidos, a MotoChefe informa que bicicletas elétricas representam 20% de seu negócio e ciclomotores elétricos, 10%. Seu portfólio reúne 30 modelos.
Made in Manaus
O avanço do segmento tem atraído competidores com presença internacional, como a chinesa Yadea. A empresa anunciou, em abril de 2025, o início da produção local em Manaus, em parceria com a Jabil, e mantém uma rede de lojas no País.
Para a MotoChefe, a disputa exige ampliar sua própria estrutura. A capacidade instalada da fábrica deverá passar dos atuais 10 mil produtos mensais para uma faixa de 13 mil a 15 mil no início de 2027.
Outro plano é aumentar a participação de componentes locais. Segundo Drapal, cerca de 30% dos itens já são produzidos no Brasil.
“Hoje, temos uma média de 30% dos itens produzidos localmente e já estamos nos organizando para produzir chassis no Brasil. O próximo passo serão as próprias baterias”, diz ele.
A nacionalização dessas etapas pretende reduzir a dependência de fornecedores estrangeiros. A empresa também planeja ampliar seu principal centro de distribuição, no Rio de Janeiro, de 8 mil para 11 mil metros quadrados. O sexto centro de distribuição, aberto recentemente no Nordeste, acompanha a prioridade dada à região na expansão comercial.
A MotoChefe entrou no varejo com lojas próprias em 2021 e, há cerca de um ano, passou a operar também com franquias. Hoje, sua rede reúne 104 lojas, das quais 22 próprias e 82 franqueadas. A meta é inaugurar outras 50 unidades até o fim de 2026.
Segundo a companhia, o investimento mínimo em uma franquia é de R$ 400 mil, com retorno estimado em 18 meses. A projeção depende do desempenho de cada operação.
A combinação entre fábrica, distribuição e lojas é a estrutura com a qual a MotoChefe pretende sustentar seu crescimento. Na Voltz, essas frentes perderam capacidade de acompanhar as vendas: a fila de veículos não entregues aumentou, parceiros comerciais foram afetados e a falta de peças comprometeu a assistência técnica.
Antes do pedido de recuperação judicial, a fábrica da Voltz em Manaus já havia interrompido as atividades. Durante o processo, a empresa perdeu o imóvel por falta de pagamentos à locadora. A rede, que chegou a reunir 70 lojas, também encerrou suas operações.
Na MotoChefe, a expansão das vitrines será acompanhada de novos produtos. A companhia prevê lançar dois modelos ainda em 2026 e um terceiro no primeiro semestre de 2027, todos na categoria de autopropelidos.
Para ampliar a exposição da marca, a empresa também recorre ao futebol. Depois de uma primeira versão associada à Copa do Mundo, prepara um modelo com a assinatura de Ronaldinho Gaúcho. Patrocinadora do Vasco desde 2025 e do Palmeiras desde maio de 2026, já tem um produto ligado ao clube carioca e negocia um projeto semelhante com o paulista.
“Foi um caminho que encontramos para popularizar a marca, trazer confiança e gerar credibilidade”, afirma Drapal.
A exposição ajuda a atrair compradores. O desafio seguinte é fazer a produção, a entrega e a manutenção acompanharem as vendas. É nessa etapa que a expansão da MotoChefe será testada — e que a trajetória da Voltz continua a oferecer um alerta para quem disputa o mercado brasileiro de duas rodas elétricas.









